FAZER LOGIN COM O FACEBOOK ESQUECI MINHA SENHA SOU UM NOVO USUÁRIO

60%

POR BRUNO VARELLA MIRANDA

E SYLVIA SAES

BRUNO VARELLA MIRANDA

EM 10/08/2012

6
0
O número que intitula este artigo é o quanto a produção agrícola mundial deverá crescer nos próximos 40 anos a fim de dar conta da demanda crescente. A conclusão é apresentada em relatório recente divulgado pela FAO e pela OCDE, cujo conteúdo é de grande interesse para todos os que frequentam este espaço. O texto, apresentado no começo do mês passado, discute os desafios e as implicações de estarmos diante de número tão desafiador.

Em primeiro lugar, é necessário explicarmos o motivo pelo qual consideramos que este número traz um enorme desafio. Para tanto, não é necessário ir além do relatório. Ali, encontramos um dado alarmante: cerca de 25% de todas as terras utilizadas na agricultura encontram-se em um estágio preocupante de degradação.

No mesmo texto, referências ao aumento do consumo de alimentos nos países em desenvolvimento - uma boa notícia, dado que reflete o aumento da renda em antigos bolsões de pobreza - e à mudança nos hábitos alimentares nessas sociedades - o que não é, necessariamente, algo positivo para o planeta ou mesmo para os seus habitantes. Em ambos os casos, um empurrão adicional para a manutenção dos preços dos produtos agrícolas em um nível alto nas próximas décadas.

Finalmente, uma questão que precisa ser encarada sem os preconceitos de um lado ou a busca pela anulação do debate que muitas vezes parte do outro. A possível explosão da demanda por biocombustíveis impõe, sim, um desafio no médio prazo que precisa ser equacionado. O planeta é limitado, no sentido de que suas terras não são infinitas, e a população cresce a um ritmo considerável. Somado ao aumento de renda no Terceiro Mundo, o que empurrará não apenas a demanda por alimentos, como também o apetite por energia, a falta de espaço nos pressiona ainda mais a responder: como chegaremos aos 60% que intitulam este texto?

A chave para uma resposta é o aumento da produtividade da agricultura praticada nos países em desenvolvimento. Tal solução, porém, não virá apenas porque os preços estimularão os produtores. Não raramente, estamos diante de agricultores desprovidos de qualquer condição de acompanhar os incentivos oferecidos pelo mercado. Por isso, investimentos são necessários, tanto em infraestrutura e em tecnologia, como em educação. É fundamental, em outras palavras, que milhões de agricultores baseados nos países em desenvolvimento sejam capacitados a fim de explorar as alternativas oferecidas pelo progresso tecnológico nas últimas décadas.

Chegar aos 60%, porém, implica uma lembrança constante dos 25% que citamos no segundo parágrafo. Ou seja, adotar técnicas verdes de produção constitui um imperativo. Uma vez mais, estamos diante de um desafio que exigirá investimento considerável, tanto da iniciativa pública quanto da privada. E aqui, embora muito se fale do papel da demanda dos consumidores para a introdução de novos padrões, cabe uma provocação: provavelmente, será a ameaça de queda da produtividade e os incentivos ocasionados pelos preços os principais estímulos para a sustentabilidade, ao menos na escala que necessitamos.

Antes de encerrar, é inevitável não nos questionarmos: seremos capazes de atingir tal objetivo? É provável que o próprio número 60% seja modificado pelo caminho, de modo que a meta nem é o mais importante nesse caso. Se formos capazes de diminuir o nosso impacto nocivo sobre as terras utilizadas na agricultura e reduzir mazelas como a corrupção na implementação de programas de desenvolvimento ao redor do mundo, já teremos feito bastante nas próximas décadas.

O restante, espera-se, os próprios indivíduos, acompanhando o aumento da renda per capita e os esperados avanços na infraestrutura e na educação em diversas porções do globo, buscarão oferecer. De qualquer maneira, chega a ser irônico que, embora o mundo dependa daqueles que não estão integrados adequadamente à sociedade na atualidade para aumentar a produção de alimentos, estes só o conseguirão se muitos dos protagonistas da atualidade, responsáveis por determinar os rumos das políticas, passarem a dar uma melhor contribuição.

BRUNO VARELLA MIRANDA

Professor Assistente do Insper e Doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri

SYLVIA SAES

Professora do Departamento de Administração da USP e coordenadora do Center for Organization Studies (CORS)

6

DEIXE SUA OPINIÃO SOBRE ESSE ARTIGO! SEGUIR COMENTÁRIOS

5000 caracteres restantes
ANEXAR IMAGEM
ANEXAR IMAGEM

Selecione a imagem

INSERIR VÍDEO
INSERIR VÍDEO

Copie o endereço (URL) do vídeo, direto da barra de endereços de seu navegador, e cole-a abaixo:

Todos os comentários são moderados pela equipe CaféPoint, e as opiniões aqui expressas são de responsabilidade exclusiva dos leitores. Contamos com sua colaboração. Obrigado.

SEU COMENTÁRIO FOI ENVIADO COM SUCESSO!

Você pode fazer mais comentários se desejar. Eles serão publicados após a analise da nossa equipe.

BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/08/2012

Prezado Julio Cezar,



Obrigado pelo comentário. Estamos falando de um crescimento projetado para as próximas quatro décadas, tendo em vista o contexto atual e o desenvolvimento da agricultura nas últimas décadas. Por exemplo, uma das conclusões que podemos tirar do relatório é que, embora o Brasil tenha avançado no tema produtividade, ainda podemos ir além - tendo em vista nosso potencial e o crescimento maior da demanda.



Atenciosamente



Bruno Miranda
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/08/2012

Prezado José Eduardo,



Agradecemos o comentário e o convidamos a visitar este espaço mais vezes, deixando impressões, críticas e sugestões.



Atenciosamente



Bruno Miranda
BRUNO VARELLA MIRANDA

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 14/08/2012

Prezado Elmo,



Agradecemos a leitura do artigo e o comentário. Sempre que quiser deixar as suas impressões, fazer críticas, sugerir temas, o espaço é seu!



Atenciosamente



Bruno Miranda
ELMO GUIMARÃES BUENO

CASTELO - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 13/08/2012

É um grande desafio, mas a ciência trará condições para que se atinja essa meta ou se aproxime dela, no prazo considerado.


A demanda será grande. Ou se produz mais ou a fome será maior.
JULIO CEZAR DE ABREU RODRIGUES

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/08/2012

Um esclarecimento, por favor. O crescimento de 60% toma como base que ano ou produção? Este aumento é esperado em quanto tempo? Grato. Julio Cezar
JOSE EDUARDO DA SILVA

JANAÚBA - MINAS GERAIS - CONSULTORIA/EXTENSÃO RURAL

EM 13/08/2012

Isto não sera problema, acredito eu  quando lançar a soja, milho, cana, algodão, para 800mm, transgenicos com resistencia a seca e a viroses nos passaremos para uma produção de mais 300mi de t de grão , quando a população era rural, eles produziam e comia, agora são urbanos não produzem so come, bom para nos produtores de grão.