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Naufrágio Orgânico

POR CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

E EDUARDO HERON SANTOS

CELSO VEGRO

EM 15/01/2013

6 MIN DE LEITURA

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Antes que se renegue a estes analistas, alertamos que desde sempre prestigiamos o movimento orgânico, participando, ainda quando estudante de agronomia (no caso do primeiro autor), do grupo de agricultura alternativa e, depois disso, acompanhando os primórdios de organização da Associação de Agricultura Orgânica (AAO/SP). Sempre que possível adquiro produtos orgânicos e, até poucos dias atrás, havia café orgânico em casa para o consumo diário. Ademais, recentemente facilitei contatos para aquisição de café orgânico por parte de empresa de suprimentos para a indústria de cosméticos. Todavia, esse comprometimento pessoal não impede que se procure elucidar as aparentes "esquisitices" no mercado de café orgânico brasileiro.

A partir de 2005, a OIC implantou nos certificados de origem campos para atribuições específicas do produto, tornando-se possível apreciar a evolução das trocas internacionais dessa especialidade. Sendo a declaração obrigatória para os cafés orgânicos e voluntária para as demais certificações (exclusivamente para os países produtores membros da organização), as estatísticas consolidadas não são totalmente precisas, todavia é a melhor informação disponível. Considerando-se os negócios envolvendo o café orgânico, entre 2005-2012, constata-se que esse mercado quase que triplicou a quantidade transacionada (Figura 1).

FIGURA 1 – Quantidade Exportada, Cafés Orgânicos, Países Produtores Membros da Organização, 2005-2011 e jan./out. de 20121.


Fonte: Organização Internacional do Café (OIC), 2012.

Enquanto em 2005 os embarques de cafés orgânicos contabilizaram pouco mais de 364 mil sacas, em 2012 (jan.-out.) esse montante aproximou-se de 1 milhão de sacas. Considerando-se os doze meses desse último ano é provável que as exportações totais tripliquem frente a quantidade inicial. Entretanto, a participação no mercado do café orgânico brasileiro nesse mesmo período apenas dobrou saltando de pouco mais de 10 mil sacas para apenas 20,6 mil entre 2005 e 2012, respectivamente.

Pelos dados relacionados pela OIC, na trajetória de concorrentes constata-se o caso de Honduras que, em 2005, exportava pouco mais de 12 mil sc e em 2012 (jan.-out.) contabilizava mais de 287,5 mil sacas! Querem mais surpresas: Papua Nova Guiné exportava, em 2005, cerca de 12,7 mil sacas, saltando para 29,9 mil em 2012, em ambos os períodos mais que o celebradíssimo país líder na produção, consumo e exportação! Sabe-se que o Peru é outro grande exportador de orgânico, porém não membro da OIC e por esse motivo não se dispõe de dados sobre suas vendas.

Em 2012 (jan./out.) os negócios internacionais com café orgânico somaram mais de US$230 milhões, praticamente, repetindo o resultado apurado em 2011 quando se ultrapassou os R$272 milhões. Comparações com outros anos podem gerar distorções na medida em que muitos países exportadores declaram, nos respectivos certificados de origem, as quantidades embarcadas sem, porém, apontar o preço pelo qual o produto foi comercializado. De qualquer modo, tomando-se 2009 (ano do colapso macroeconômico global) os valores apurados nesse mercado mais que triplicaram. Como nossas exportações não se expandiram no mesmo ritmo que os demais concorrentes nesse mercado, o resultado cambial obtido pelo Brasil com as o café orgânico transitaram entre os US$7 a US$8 milhões nos dois últimos anos.

Dessas informações surgem questionamentos: o que haveria de errado/distorcido no agronegócio café orgânico. Quais razões poderiam explicar a diminuição da demanda relativa pelo grão brasileiro, ou melhor, que elementos subtrairiam competitividade dos sistemas de produção orgânico de café?

A análise dos preços médios pagos pelos cafés orgânicos evidencia que aqueles praticados para com o produto brasileiro foram sistematicamente mais elevados que a média para os demais concorrentes. Em 2010, por exemplo, a média dos preços para os volumes globais (incluindo o Brasil) foi de US$234,54/sc, enquanto que o proveniente do país alcançou os US$305,24/sc, ou seja, ágio de US$70,70 (FIGURA 2).

FIGURA 2 – Preços Médios por Saca, Cafés Orgânicos, Países Produtores Membros da Organização, 2005-2011 e jan./out. de 2012


Fonte: Organização Internacional do Café (OIC), 2012.

Comparativamente, os elevados preços médios do café orgânico brasileiro exportado explicam, possivelmente, o modesto crescimento dos embarques. Embora o contexto internacional seja francamente demandante para essa especialidade de bebida, os cafeicultores brasileiros associados aos agentes de comercialização não são capazes de se posicionar competitivamente nesse mercado.

Não existem dados públicos sistematizados para o consumo de cafés orgânicos no mercado brasileiro. Pesquisa indica que a demanda doméstica por café (todos os tipos) cresce sustentadamente há vários anos2. Tal fenômeno, apenas por hipótese, poderia espelhar a demanda pelos orgânicos. Porém parece não ser esse o caso, pois, normalmente, nos mercados de matérias primas agrícolas, maior mercado interno fortalece a competitividade desse mesmo produto no mercado externo (em quantidade e preços), decorrente dos ganhos de escala e/ou introdução de inovações nos sistemas produtivos.

Os preços médios praticados para os mercados interno e externo, exibem diferenciais bastantes expressivos, tendo alcançado os R$227,46/sc em 2009 (Tabela 1). Tal fenômeno apontaria para uma procura e preferência crescente pela exportação dos lotes de grãos orgânicos, porém conforme os dados apontam, não tem havido grandes saltos nas quantidades exportadas desse produto específico. Se a sinalização de preços internacionais não tem sido suficiente para alavancar as exportações, teriam os menores preços praticados para o abastecimento doméstico tido essa capacidade?

TABELA 1 – Preço Médio Recebido pelos Cafeicultores, de Café Orgânico, Mercados Interno e Externo, Estado de Minas Gerais, 2007 a 2010
 
(em R$/sc)


*Refere-se à média dos preços diários recebidos pela COOPFAM, convertidos pela cotação diária do dólar (comercial). Os valores diários, bem como a cotação diária do dólar utilizadas na conversão não foram cedidos pela cooperativa. Fonte: Adaptado a partir de TURCO, et al (2012)3.

Na produção orgânica as vantagens econômicas capturadas pelos cafeicultores foram relevantes conforme relata TURCO et al (2012) (Tabela 2). Os patamares de preços recebidos pelos cafeicultores orgânicos rivalizam com aqueles obtidos por outros cafeicultores especializados no produto gourmet (bebida mole, cereja descascado e lavados). Mediante esses prêmios os orgânicos, ao menos nesse estudo de caso, obtêm rentabilidade satisfatória e acima de seus congêneres convencionais.

Essa sinalização de preços favorável aos orgânicos deveria, ainda que potencialmente, incentivar essa modalidade de sistema produtivo. Como reflexo esperado desse fato haveria maior oferta do produto com queda nas suas cotações. Eventualmente, também se observaria maior disponibilidade para transações internacionais, que estariam registradas nos certificados de origem dos embarques brasileiros. Entretanto, não é isso que se constata no banco de dados da OIC.

TABELA 2 – Preço Médio Recebido pelos Cafeicultores, de Café Orgânico e Convencional, Estado de Minas Gerais, 2007 a 2010

(em R$/sc)

*Refere-se à média dos preços diários recebidos pela COOPFAM, convertidos pela cotação diária do dólar (comercial). Os valores diários, bem como a cotação diária do dólar utilizadas na conversão não foram cedidos pela cooperativa. Fonte: Adaptado a partir de TURCO, et al (2012)3.

 
A cafeicultura orgânica, aparentemente, não deslancha, apesar dos incentivos de preços e melhor rentabilidade constatada em estudos exploratórios sobre a temática. Outras certificações4 com menos tempo de atividades que o orgânico operam na casa do milhão de sacas sob tais rotulagens.

As investigações necessitam prosseguir. Os custos com a certificação orgânica para acessar o mercado externo constitui, obviamente, uma barreira ao incremento desse mercado. Demais limitações como a produtividade menos pujante dessas lavouras frente suas congêneres convencionais, outra possível barreira. Escala produtiva e elevada dependência do trabalho manual, também, contribuem para esse ambiente de baixo crescimento para o segmento. Impossível imaginar o desenvolvimento regional e local na agricultura que prescinda da agricultura orgânica, especialmente naquelas porções do território em que a agricultura familiar é majoritária, porém, A ausência de instituições (cooperativas) que coordenem essa cadeia também5. A realidade é que há um descolamento do café orgânico brasileiro frente a dinâmica do mercado internacional, passível de reversão desde que com a aplicação de nossa expertise em assuntos cafeeiros. Missão impossível, felizmente é temática hollywoodiana.

1 Dados disponíveis em: www.ico.org.
2 São amplamente conhecidos os dados de consumo interno divulgados pela ABIC.
3 TURCO, Patricia H. N. et al. EFICIÊNCIA ECONÔMICA NO SISTEMA DE CAFÉ ORGÂNICO: estudo de caso dos cooperados da COOPFAM. Informações Econômicas, SP, v. 42, n. 3, maio/jun. 2012. Disponível aqui.
4 UTZ já contabiliza volume de sacas certificadas acima do milhão e a Rain Forest mais de 600mil.
5 O modelo a COOPFAM ainda não foi reproduzido em outros cinturões cafeeiros do país.

Esta matéria é de uso exclusivo do CaféPoint, não sendo permitida sua réplica sem prévia autorização do portal e dos autores do artigo.

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP

EDUARDO HERON SANTOS

Cientista da Computação; Gerente de TI do CeCAFE - Conselho dos Exportadores de Café

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LEANDRO NOGUEIRA

RIBEIRÃO PRETO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 29/01/2013

Caro Celso,


Parabéns pelo artigo e principalmente por colocar o assunto relacionado aos Orgânicos em Pauta.


Atuo no mercado de Produtos Orgânico há 10 anos, e posso afirmar com muita humildade que produzir orgânico com eficiência não é para qualquer um. Este negócio (orgânicos) só prospera nas mãos de entusiastas e porque não dizer visionários. Se alguém entra neste mercado apenas por ser um negócio as chances de desistir é de mais de 70% , pois as dificuldades são imensas desde o periodo de conversão até que a fazenda (meio ambiente ) consiga se readaptar a condição de estar livre da aplicação dos agrotóxicos.,com agravante que isso pode demorar mais de 6 - 7 anos.


Posto que produzir orgânicamente não é para qualquer um, vem a parte do negócio que alguns apontaram aqui que julgo ser a mais importante. Para se alcançar os mercados e a remuneração mais justa não basta o produto ser orgânico ele tem de ser muito bom. Vamos pensar no consumidor comum não entusiasta dos orgânicos e também pouco preocupado com sustentabilidade (90% dos consumidores), o que faria este consumidor pagar a mais por um produto que ele acha comum no que diz respeito aos seus atributos organolepticos? Dificil, né?

A saída é oferecer um produto gourmet e orgânico para que consigamos desassociar da cabeça do consumidor que o orgânico é feio, sem gosto e quase sempre oferecido em papel reciclado com impressão de péssima qualidade.

Precisamos fazer com que orgânico seja sempre tão bom ou melhor que o melhor produto convencional oferecido.





Comentei tudo isso pois compro café e posso para dizer que o bom café orgânico é exportado com sobrepreço e que o café remanescente salvo algumas axceções é de qualidade inferior. Os produtores que se mantiveram no mercado por acreditar no orgânico, aprenderam e enxergaram que para atender  os mercados mais maduros (japão, Alemanha, EUA entre outros) a qualidade é fundamental.





Precisamos de mais  tecnologia, conhecimento na área de produção orgânica para alcançar a plenitude da produção nos campos cultivados orgânicamente . Como já mencionado, há projetos que conseguem produzir igual ou até mais que os convencionais. Estamos falando de projetos com mais de 10 anios de conversão onde o ecosistema está em harmonia.








SYLVIA WACHSNER

OUTRO - RIO DE JANEIRO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2013

Parabéns aos autores do artigo e as pessoas que colocarem os excelentes comentários. Brígida a experiência da Cooperbio é muito interessante e nosso  parabéns pela tenacidade de continuar na produção.


O café orgânico brasileiro está no começo e os poucos produtores são os pioneiros. Esperamos  que este nicho continue a crescer, com produtos de qualidade e valorizados no mercado. Na SNA estamos construindo o Centro de Inteligência em Orgânicos, que conta com o apoio do Sebrae,  e estamos abertos a publicar e divulgar as pesquisas e experiências do café orgânico.


https://www.ciorganicos.com.br


Boas lavouras


Sylvia Wachsner

Sociedade Nacional de Agricultura

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 29/01/2013

Prezados Brígida e Antônio


O testemunho de vocês evidencia que o sistema de produção de café orgânico já possui modelos capazes de exibir patamares de produtividade e de qualidade similares ao do sistema convencional.


Apostar nesse nicho é alternativa ao ciclo de preços que tanto dificulta a sobrevivência econômica dos cafeicultores.


Boa sorte com a lavoura.


Celso Vegro  
ANTÔNIO GUSTAVO DE CARVALHO

UBERLÂNDIA - MINAS GERAIS

EM 28/01/2013

Sua experiência é vitoriosa! Compartilho do seu ideal,  e parabenizo-a  por seu trabalho e liderança na produção orgânica.



Ler suas palavras deu-me forças para continuar buscando produtividade  através do melhoramento do solo, qualidade de bebida no aprimoramento do processo de secagem, e cuidados técnicos com o manejo da lavoura.

Estudo a possibilidade de irrigação da minha lavoura de 03 ha.

Saudações Orgânicas!

BRÍGIDA SALGADO

PIATÃ - BAHIA - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 27/01/2013

Aqui vão as minhas considerações sobre o artigo Naufrágio Orgânico: (é um pouco da minha experiência como produtora orgânica)

A 12 anos atrás quando comecei com o cultivo de café orgânico, não era levada a sério e não conseguia se quer técnicos para me orientar quanto ao manejo. Eu estava começando na atividade cafeeira e tinha a convicção de que queria trabalhar com a produção orgânica. Lembro-me que fui ao evento de café em Salvador, o  Agrocafé nos idos 2001/2002, que teve uma palestra do Ivan Caixeta e na mesa de debates ele foi "ridicularizado". Eu conversei muito com ele depois e senti que estavamos sendo pioneiros e que demandaria tempo para que fossemos respeitados. Mesmo assim insisti - pois queria produzir alimentos orgânicos.

Em 2003 junto com outros produtores da região fomos certificados pelo IBD. Mas não conseguíamos vender o café como orgânico, pois os corretores da região não sabiam para quem vender, ou onde vender. Em 2007/2008 criamos a cooperativa de produtores orgânicos da Chapada a COOPERBIO (da qual atualmente sou a presidente). Quando mandávamos amostras dos nossos cafés eles eram tidos como de bebida inferior. Tivemos que aprender a fazer cafés com a qualidade gourmet.

Passamos inclusive a ter um lema na Cooperativa: Não basta ser orgânico tem que ter qualidade! E fomos buscar essa qualidade.Mas ainda assim não conseguíamos vender. Corretores e exportadores diziam que não tinha mercado para esse tipo de café. Na verdade o que acontecia era que não tínhamos volume suficiente e atrativo para o comércio de comoditie - 28 produtores orgânicos(todos pequenos) produzindo 300sacas de café por safra. Identificamos também que não estavamos batendo nas portas certas..fizemos algumas vendas pontuais e só em 2011 começamos a vender os cafés como orgânicos e com preços atrativos e em 2012 fizemos uma venda com valores 70% acima do valor local.

O que observo é que falta Marketing, falta interesse no mercado brasileiro e também das "autoridades" em café. Para se ter uma idéia não existem dados estatísticos oficiais sobre café orgânico. Os dados que temos são das certificadoras(ou de cooperativas como a COOPFAN, como  mostra o artigo)  . A Conab não tem nada sobre café orgânico, o Mapa também não. Então não havia interesse nesse nicho de mercado. Não sabemos qual é a área de café orgânico plantada, nem a produção, nem a produtividade e nem número de produtores.    A produção orgânica do café nunca foi incentivada. Produz café orgânico quem não tem acesso a insumos (grande parte dos nossos cooperados) ou quem tem a produção orgânica como ideal (meu caso).

Em eventos onde se discutem CERTIFICAÇÃO, aparecem diversos tipos de certificadoras, como UTZ, Fair Trade, Rainforest, mas quase nunca as certificadoras orgânicas estão presentes.

A baixa produtividade é um fato e eu acredito que acontece pela falta de pesquisas na área. As univeridades, os institutos de pesquisas, as escolas técnica não tem estudos sobre a produção orgânica; As escolas
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/01/2013

Caro amigo Renato,



Tem razão, eu costumo dizer que nossos amigos da Chapada tem o potencial (se já não o fazem) de produzir o melhor café do mundo, desbancado os frutados cafés Etíopes e Quenianos.

O problema reside nos cafés orgânicos/certificados que não atingem qualidades diferenciadas. Neste caso, penso que a vantagem é dos concorrentes Mexicanos e Peruanos que levam consigo o apelo "social" deturpado que já conhecemos bem.

Um grande abraço,

PH
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 25/01/2013

Caro Celso,



Muito bem colocado, competitividade na lavoura e foco nas percepções dos consumidores. Além disso, muito cuidado com os compradores internacionais e seus discursos "políticos".

Ainda acho Celso, talvez até utopicamente, que necessitamos de um grande esforço da cadeia do café como um todo para colocar nossos cafés certificados no mercado nacional. Vemos as iniciativas isoladas da ABIC, e nenhuma cadeia de produtos certificados realmente preocupada com isso. Talvez a melhor nesse sentido seja a Utz e sua parceria com a Master Blenders (Sara Lee) (em volumes ainda irrisórios).

Já cansei de falar para o pessoal do Comércio Justo que existe um mega mercado para eles aqui dentro. Falta articulação e interesse dos organizadores destas cadeias (normalmente focados em atender seus stakeholders nos EUA e Europa).

Mas enfim, chegaremos lá....

Abs e obrigado!

PH

FÁBIO LÚCIO MARTINS NETO

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 25/01/2013

Caro Renato e demais colegas de discussão.



A atuação de Organizações Não-Governamentais (ONG) no pais diminuiu bastante. Não tenho dados precisos, mas andando pelo interior da Bahia e pela Zona da Mata de Minas Gerais, percebo isso. Alguns dirigentes de entidades bem estabelecidas afirmam que os recursos (repassados por outras ONG internacionais) diminuíram devido a melhoria da renda dos agricultores familiares e às políticas públicas. Atualmente, o foco de investimento deste setor tem sido os países africanos. E de fato chama a atenção o grande número de projetos sociais em regiões cafeeiras africanas nos últimos anos.



Abraços,
RENATO H. FERNANDES

TEIXEIRA DE FREITAS - BAHIA - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)

EM 24/01/2013

Caro Celso,



Você foi muito feliz ao colocar que as temáticas da pobreza e da etnias com certeza estão muito presentes no discurso politicamente correto das ONG e na consciência dos consumidores que se "preocupam com um mundo melhor". E, como potência agrícola, no Brasil não haveria produtores "necessitados" para ser apoiados.



Creio que cafeicultura orgânica brasileira, a qual acredito que, cada vez mais, tenderá a ser familiar, tem o enorme desafio de se articular como demandadora de apoio governamental e de ONGs no sentido da melhoria da qualidade e da aglutinação e padronização da oferta para que o potencial para se "destacar na eficácia da comercialização, nos prazos de entrega, na rastreabilidade, no respeito aos contratos, etc..." possa se exprimir.



Aproveitando para comentar uma colocação de PH na resposta dele, que foi publicada em separado, concordo plenamente que, para  boa dos mercados consumidores, os lavados dos centrais, do Peru e do México têm maior apelo,-  principalmente para preparação a filtro , assim como, os naturais da Etiópia o têm para espresso, o que se alia à força do histórico de mazelas sociais daquele país. Mas o Brasil produz lavados orgânicos muito interessantes, para filtro,  e produz naturais que. para espresso teriam muito maior apelo que os lavados centrais e, bem trabalhados, também que os etíopes - acrescentando, nesse caso, segurança alimentar como uma vantagem competitiva nossa..



Aproveitando também a deixa de Fábio Lúcio em resposta a PH, cito o exemplo de Nelson, de Ibicoara/BA, a quem tive o prazer de ser apresentado por Fábio. O desafio para o Brasil é replicar o exemplo dele, antes pequeno, hoje médio produtor orgânico e biodinâmico, de alta produtividade, com alta qualidade e, até onde sei e principalmente, bastante satisfeito com a remuneração de sua atividade.  Envio uma foto da lavoura dele, para o caso de haver interesse em publicar.



Mas não podemos esquecer que, além das dificuldades já citadas na produtiva discussão que você e Eduardo incitaram, haverá sempre que ser levado em conta o limite do tamanho do nicho de mercado para orgânicos como "teto" para o crescimento da oferta. É o velho de dilema de Tostines de quem inicia a atuação em mercados de nicho: "Não produzo mais porque não há quem compre ou não há quem compre porque produzo pouco do que ele demanda?"



Abraços a todos,



Renato
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 23/01/2013

Prezado PH


Veja, a temática do comportamento do consumidor, embora uma de meus campos preferidos de estudo, não fez parte da abordagem que focalizou aspectos panorâmicos do mercado internacional do orgânico e a aparente perda de espaço da origem brasileira.

A questão da percepção dos consumidores tem avançado uma coisa é a conscientização quanto a importância (que obtêm 100% de adesão em qualquer enquete) mas onde pega é na mudança dos hábitos de consumo que parecem possuir uma inércia intransponível. Creio que esse é a questão que precisa ser estudada, como tornar a conscientização uma rotina de consumo.

Veja, é ilusão que teremos chances de alcançar os patamares de produtividade do orgânico aqui no Brasil frente aos solos vulcânicos da centro américa. O ponto de partida faz toda a diferença que nesse caso significa competitividade tenaz medidante elevada produtividade. Não podemos iludir os cafeicultores, nosso competidor tem mais perna.

A produção do gourmet orgânico envolve mudanças no póscolheita amplamente dominadas pela pesquisa/extensão e por gama crescente de cafeicultores conscientes da importância da qualidade em seu produto. Todavia, pensando naquele produtor familiar que ainda nem conseguiu pavimentar o terreiro ou adquirir um lavador, essa meta me parece bastante difícil ao menos que política públicas ativas de crédito sejam desencadeadas e diria até a fundo perdido, pois precisamos preparar essas famílias para esse futuro do mercado bebida mais sustentabilidade.


A voz dos compradores sempre precisa de uma grande mediação, pois ao mesmo tempo que exigem qualidade estão a todo tempo empenhados em baratear seu blend com incremento de percentual crescente de robusta e de arábicas mais baixos. Então sempre ouço esses pronunciamentos descontando 50%, pois em geral é somente uma cena para valorizar a marca.


Distorções são a regra nos mercados capitalistas. O papel das políticas públicas é tentar corrigí-las. O problema é que não temos lideranças governamentais voltadas para essas necessidades, mas correndo atrás de apagões, recrudecimento da violência, filas intermináveis para uma consulta médica. Falta muita seriedade nesse país o que nos deixa cada vez mais céticos.


O Brasil é visto internacionalmente como nação agrícola desenvolvida, ou seja, recebe tratamento dos países centrais. Esse elemento precisa sempre entrar em nossas estratégias competitivas. A temática da pobreza e das etnias sempre terá prevalência nos calculo estratégica das agências de cooperação. Precisamos nos destacar na eficácia da comercialização, nos prazos de entrega, na rastreabilidade, no respeito aos contratos, etc... Essas são nossas armas competitivas.


PH, obrigado pela consideração. Trouxe aqui comentários ao seu texto "resposta". Espero que seja do proveito de toda a comunidade cafeeira.


Att


Celso Vegro
PAULO HENRIQUE LEME

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 23/01/2013

Caros amigos,



Como minha resposta ficou muito grande, peço para que por favor leiam ela aqui:

https://www.cafepoint.com.br/cadeia-produtiva/marketing-do-cafe/resposta-ao-artigo-naufragio-organico-82147n.aspx#comentarios



Gostaria muito de ler suas percepções.



Um abraço,



PH
LEANDRO CONDÉ

VIÇOSA - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 22/01/2013

Parabéns aos autores do artigo e também aos autores dos comentários!



CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 21/01/2013

Prezado Luca Allegro


Grato por sua manifestação. Esteja certo que do lado de cá existe um pesquisador empenhado por enxergar uma cafeicultura cada vez mais pujante, inclusive a orgânica. Seu exemplo e testemunho muito contribui nesse esforço que é de todo o agronegócio café.


Abçs


Celso Vegro
LUCA GIOVANNI ALLEGRO

SALVADOR - BAHIA

EM 18/01/2013

Prezados senhores,

Parabens pelo otimo artigo!

sou produtor de cafe organico na chapada diamantina da bahia ha mais de 10 anos e realmente tenho que dar o meu testemunho que a qualidade gourmet aliada a certificacao organica é o elemento de maior importancia na busca do mercado. o comentario de Paulo Henrique Leme, falando do´´ nicho do nicho de mercado´´ traduz de forma resumida a relidade do mercado internacional. Nao ha oferta suficiente de cafe especial/gourmet organico por parte dos paises concorrentes.

Já o cafe organico simplesmente de bebida regular, sem origem definida ou relevante ( commodity), esse encontra grande concorrencia.

A certificacao organica, em algumas outras origens, tem custo menores. No Brasil esse custo é relevante e tem impacto no custo anual, primcipalmente para o pequeno produtor. Sempre questionei - porque eu, como produtor, tenho que pagar a conta? Pense bem? So depois vou buscar o mercado para recuperar parte do custo.

O produtor da agricultura familiar, na minha regiao, està acostumado a comercializar o café atraves dos compradores que batem à porta, ou os corretores de plantao na cidade mais proxima...É o modo comum de venda. Logicamente esse modelo nao existe para o cafe organico. Ou quando existe, nao é eficiente.

Essas são as maiores dificuldades na minha experiencia.

att

Luca
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 18/01/2013

Prezado Fábio Lúcio


O aspecto que levanta sobre sistema de produção e bebida é dos mais decisivos para compreender o dilema que enfrenta a produção orgânica. De fato sem evoluir na qualidade, a mera certificação  será insuficiente para o segmento ampliar sua participação no mercado. Por outro lado sabemos das dificuldades que a produção tipicamente familiar encontra para incrementar a qualidade da bebida (aquisição de equipamentos, novos procedimentos no pós colheita, reformatar toda a gestão da propriedade visando a qualidade, etc...). Creio que temos nisso um aspecto que merece maior empenho por parte da extensão e da pesquisa para que a cafeicultura orgânica supere a atual estagnação.


Att


Celso Vegro
CESAR DE CASTRO ALVES

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 18/01/2013

Prezados Celso e Eduardo,


Como há outros países fornecedores de café orgânico com preços digamos mais acessíveis, é razoável que o apelo do orgânico brasileiro tenha caído. Todavia se considerarmos que os custos de mão-de-obra no Brasil são muito mais elevados que nos concorrentes, o produto final daqui tem que ser mais caro mesmo. Além disso, como não temos fertilidade natural dos solos fazer a planta produzir sem adubo químico também é muito custoso. Não vejo como isso ser diferente. Penso que a questão chave seja: por quanto tempo o Peru, Honduras, Etiópia e Guiné etc irão continuar evoluindo em volume com preços mais baixos sem pecar no processo como um todo?


Conheço um produtor de café orgânico brasileiro, que não é pequeno, e que está no ramo há mais de dez anos. Expande seu negócio anualmente e sempre diz que se tivesse mais produto venderia sem dificuldade e a preços obviamente bastante interessantes, como os que ele consegue. Ele nunca questionou falta de demanda, muito pelo contrário. Aprendi observando ele na fazenda que fazer este produto com sustentabilidade e sobretudo viabilidade econômica neste país de mão-de- obra cara e ruim é coisa pra poucos pois exige muita competência tanto dentro mas principalmente fora da porteira. Não basta ser um super eng. Agr., precisa ser também um super empresário.


Por esta razão acho que, em parte, o preço do orgânico brasileiro é mais alto porque a oferta do mesmo é baixa, que por sua vez deriva da dificuldade nessa arte de ganhar dinheiro fazendo este produto que por natureza possui elevadíssimo custo de produção. Em momentos de crise, quando a procura por cafés mais caros sofre primeiro, esse desafio fica maior ainda. Acho este nicho de mercado muito interessante mas o buraco é bem mais embaixo.


Grande abraço


Cesar


FÁBIO LÚCIO MARTINS NETO

VITÓRIA DA CONQUISTA - BAHIA - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 18/01/2013

Prezados produtores e técnicos.

Parabés aos autores.

Li o artigo e os comentários com muita satisfação e alegria! Há 15 anos atrás quando falávamos sobre café orgânico, nicho de mercado e filosofia de vida (questões éticas e relativas a sustentabilidade) éramos (produtores e técnicos) ridicularizados. O tempo passou, este segmento ganhou respeito, as pessoas foram reconhecidas como sérias e bem sucedidas e a pesquisa avançou.

Ainda precisamos identificar os mercados para os diversos "Cafés Orgânicos do Brasil": naturais da Chapada Diamantina, despolpados do Sul de Minas, cafés capixabas, paranaenses, paulistas, etc. Em quase todas as regiões produtoras de café no Brasil existe produtor de café orgânico.

Os produtores precisam se organizar e profissionalizar ainda mais, ganhando escala. Exportadores podem estabelecer parcerias com grupos de agricultores familiares.

É claro qua ainda existem dificuldades técnicas e estas não são poucas. Além do custo da certificação e a maior necessidade de mão-de-obra (também aqui nas lavouras orgânicas precisamos aumentar o grau de mecanização), os aspectos nutricionais precisam ser melhor tratados. Deve ser ir além da substituição de insumos químicos por orgânicos, mas mudanças em todo o sistema produtivo necessitam ser feitas.

Também os aspectos relativos a qualidade da bebida precisam ser melhorados nos processos pós-colheita. Verifico que apesar dos patamares de preços recebidos pelos cafeicultores orgânicos serem similares aos pagos aos produtores de café gourmet, normalmente o mercado externo exige que os cafés sejam, além de orgânicos, gourmet. Essa uma limitação que precisamos transpor.

Entretanto com uma compreensão plena da agricultura orgânica e a aplicação das tecnologias adequadas é possível obter produtividades semelhantes a convencional.

É claro que a pesquisa ainda precisa responder uma série de dúvidas e disponibilizar mais produtos e tecnologias para esta forma de produção, mas avanços têm ocorrido nas áreas de nutrição e fitossanidade.

Quanto às organizações não governamentais (ONG), é preciso desvencilhar o paternalismo de suas ações e métodos, possibilitando a conquista da autonomia pelos agricultores familiares organizados.

Abraços aos autores do artigo e dos comentários.

Saudades dos colegas da Bahia (Eduardo Vieira e Renato Fernandes).

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2013

Prezado Guilherme Rosa,


É muito relevante conhecer depoimentos de colegas engs.agrs que atuam diretamente nas lavouras orgânicas. Quanto ao problema colocado remete a questão sempre discutida como premissa na comercialização agrícola: custo não forma preços! Fique atento para isso e boa sorte para você e esse cafeicultor que se aventurou no orgânico.


Abçs


Celso Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2013

Prezado Eduardo Vieira

Sua colocação engrandece o debate. Faltam dados sobre custo de produção, mas, aparentemente, são superirores por saca do que seu congênere convencional.

Uma pergunta: em que o Brasil não tem custo superior a qualquer outro concorrente no mundo? Até feijão preto vem da China!

Abçs

Celso Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 17/01/2013

Prezado amigo Renato Fernandes

Seu diagnóstico é preciso. São duas situações e o que mais nos entristece é perceber no papel dessas Ong´s a perpetuação da pobreza rural em nome de uma satisfação pueril de consumidores hiperabastados. Lamentável.

Quanto a nossa situação, creio que os sistemas orgânicos ainda demandam ajustes tecnológicos ainda não totalmente dominados e por isso com dificuldades em termos de sustentabilidades.

Abçs

Celso Vegro

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