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IEA: Alta nas cotações por baixa oferta do robusta e riscos climáticos

POR NELSON BATISTA MARTIN

E CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

CELSO VEGRO

EM 18/09/2006

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O café foi o destaque nos mercados de futuros em agosto, com a expressiva recuperação de sua cotação, devido às especulações sobre o clima seco no Brasil, reforçadas por menor oferta de robusta no mercado internacional. Essa recuperação está consistente com os fundamentos de mercado, que indicam menor oferta do produto nos próximos dois anos, e com a demanda crescente.

Na Bolsa de Nova Iorque, as cotações médias do arábica subiram 8,53%, em relação à cotação média de julho de 2006 (Contrato C, segunda posição). Na Bolsa de Londres, o robusta continuou com forte alta de 13,78% (igualmente para a segunda posição). No mercado de futuros da BM&F, o preço do arábica teve alta de 9,67% (segunda posição). O indicador OIC-Composto diário apresentou elevação de 8,14% em relação à média do índice de julho (gráfico 1).


Fonte: Gazeta Mercantil

Gráfico 1 - Cotações médias mensais do café em diferentes mercados de futuros (segunda posição) e do OIC-Composto diário, 2004 a 2006.

O diferencial entre as cotações observadas na BM&F em Nova Iorque caiu para US$ 15,49 a saca, cerca de 0,13% inferior à média do mês anterior, devido à maior oferta de origem do Brasil no mercado nova-iorquino. Esse diferencial nos últimos doze meses pode ser verificado no gráfico 2.


Fonte: Gazeta Mercantil

Gráfico 2 - Cotações médias mensais do café arábica, segunda posição, nos mercados de Nova Iorque e BM&F (São Paulo), 2005-06.

As cotações do arábica, contrato C, segunda posição, na Bolsa de Nova Iorque, exibiram forte alta, na primeira semana de agosto, e ficaram oscilando nesta nova posição até o final do mês. Porém, os riscos da seca no Brasil e seus efeitos na safra futura geraram contínuas flutuações nas cotações do café (gráfico 3).


Fonte: Gazeta Mercantil

Gráfico 3 - Cotações diárias em agosto de 2006 na Bolsa de Nova Iorque, para café arábica, Contrato C, segunda posição.

No mercado de robusta na Bolsa de Londres, o comportamento das cotações continuou diferenciado do observado em Nova Iorque, pois apresentou tendência de crescimento contínuo e elevado. O crescimento da cotação média em agosto ocorreu devido à menor oferta do produto no mercado internacional no mês (gráfico 4).


Fonte: Gazeta Mercantil

Gráfico 4 - Cotações diárias para o café robusta, segunda posição, na Bolsa de Londres, no mês de agosto de 2006.

Na BM&F, tendo como referência o mês de agosto, a evolução dos preços do arábica, segunda posição, cotados em dólar por saca, indica variações positivas acumuladas de 2,54% no ano de 2006 e de 1,87% nos últimos doze meses. No mercado de Nova Iorque, os preços do arábica, contrato C, segunda posição tiveram alta de 7,94 no ano e 4,68% no acumulado de doze meses.

Por sua vez, as cotações do robusta no mercado de Londres, segunda posição, apresentaram alta acumulada de 34,59% nos últimos doze meses, e de 25,40% em 2006. Já a estimativa do OIC-Composto apontou alta acumulada de 10,63%, em 2006 e de 12,25% no período de um ano.

Na cafeicultura paulista, a cotação média em agosto do café arábica subiu 3,21% em relação à média de julho de 2006, em função de os riscos do clima seco afetarem a safra futura. Houve, portanto, queda acumulada de 9,84% nos últimos doze meses e de 5,60% em 2006, em função da contínua valorização da moeda brasileira (gráfico 5).


Fonte: Instituto de Economia Agrícola.

Gráfico 5 - Preços médios mensais recebidos pelos produtores de café arábica, Estado de São Paulo, 2002 a 2006.

Dados do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (CECAFE) para o período de janeiro a agosto de 2006 indicam quedas acentuadas nos volumes embarcados de todos os tipos de produto, comparado com o mesmo período do ano anterior. No caso do robusta, observou-se declínio mais substancial, com diminuição de 27% no movimento de exportação. Em seguida, aparece o solúvel com queda de 17,9% nos embarques.

Ao computar todos os tipos de produto exportados, verifica-se variação negativa de 7,9% no volume total. Graças à elevação das cotações médias, o resultado cambial das transações internacionais não acompanhou as quedas nos volumes, restando ainda uma ligeira variação de 0,4% frente ao mesmo período de 2005 (tabela1).


Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do CECAFE.

Tabela 1 - Volume e valor das exportações brasileiras de café, janeiro a agosto de 2005 e 2006.

Surpreenderam os embarques ocorridos no mês de agosto, especialmente os do tipo arábica que atingiram 2,28 milhões de sacas; ou seja, 410 mil sacas acima do volume exportado em agosto de 2005. Também o solúvel, que ao longo do ano vinha amargando queda nas exportações, apresentou crescimento de 6,3% em agosto de 2006, frente ao mesmo mês do ano anterior. Em termos de receitas totais, o aumento foi 19,1%; ou seja, incremento de US$ 51,37 milhões (tabela 2).


Fonte: Elaborado a partir de dados básicos do CECAFE

Tabela 2 - Volume e valor das exportações brasileiras de café, agosto de 2005 e 2006.

Esse aumento dos embarques, registrado em agosto, reflete posição de desmobilização de estoques nas mãos dos produtores diante da necessidade de caixa para cumprir compromissos resultantes da etapa de colheita da atual safra. Tal movimento de vendas deve arrefecer nos próximos meses, pois os cafeicultores apostam na expectativa de expressiva elevação nas cotações no último trimestre do ano.

Exportações: menor variação nos preços do café

Trabalho desenvolvido por equipe do IEA apresenta resultados interessantes para a exportação do café, ao analisar o desempenho das transações para 53 itens da pauta dos agronegócios. No período de janeiro a junho de 2006, percebe-se que o café teve variação mais acentuada nos volumes embarcados e menor variação nos preços recebidos, comparado com a média dos agronegócios calculada por meio da fórmula de Ficher (tabela 3).


Fonte: Elaborado a partir de dados do IEA

Tabela 3 - Variações de quantidade e preço de exportações de produtos dos agronegócios, Brasil e Estado de São Paulo, janeiro a junho de 2006.

A metodologia inclui itens semi-elaborados no cálculo dessa variação, como açúcar, suco de laranja e óleos vegetais. Ainda assim, constata-se efetivamente que o café apresentou maior queda nas quantidades exportadas, com variação média de preços aquém da média do agronegócio, especialmente o paulista. Embora a valorização do açúcar tenha ocasionado relativa distorção dos dados para o Estado de São Paulo, o resultado mostra que a valorização do café segue a tendência geral do agronegócio.

Exportações dos países-membros da OIC

Em julho, houve crescimento na exportação dos países-membros da Organização Internacional do Café (OIC), frente ao mesmo mês do ano anterior. Mesmo assim, o resultado dos doze últimos meses (agosto de 2005 a julho de 2006) evidencia forte diminuição nas transações, com queda no período de mais de cinco milhões de sacas embarcadas, das quais aproximadamente 2,7 milhões somente nos naturais brasileiros (tabela 4).


Fonte: Elaborada a partir de dados básicos da OIC.

Tabela 4 - Exportações de café, países membros, julho de 2005 e 2006 e agosto de 2004 a julho de 2006.

A diminuição nas exportações totais dos países-membros pode ensejar estratégias que tenham como escopo a mobilização de estoques em mãos de importadores. Na maior parte dos cinturões cafeeiros, entra-se em período de entressafra, o que propicia quedas ainda maiores nas exportações dos países-membros.

Com o encerramento da colheita no Brasil, provavelmente possa haver um avanço nos embarques de café, com volumes incapazes de reverter a queda global na exportação dos membros. Como já foi comentado, os cafeicultores devem posicionar-se especulativamente com seu produto no aguardo de maiores cotações para o último trimestre do ano.

Previsão de safra, sem surpresas

Os dados divulgados pela CONAB, com ligeira elevação na produção brasileira (41,56 milhões de sacas), não causaram impacto nas cotações do mercado, em parte devido ao fato de os investidores estarem em processo de precificação da próxima safra. O incremento de um milhão de sacas não teve qualquer papel desestabilizador na tendência de fortalecimento das cotações, ainda que a forte volatilidade deva contribuir para manter a trajetória de ascensão principalmente no último trimestre do ano.

O valor computado para o Estado de São Paulo, segundo esse levantamento, é de 4,47 milhões de sacas. Trata-se de montante muito próximo daquele contabilizado pelo IEA, valendo-se de metodologia distinta, que prevê colheita de 4,66 milhões de sacas no Estado. Ou seja, a módica divergência de apenas 190 mil sacas denota que a convergência das informações torna ambos resultados bastante tenazes às críticas dos agentes do mercado, que preferem trabalhar com números variando entre 43 milhões e 47 milhões de sacas para a colheita brasileira.

Artigo publicado originalmente, em 14/09/06, em www.iea.sp.gov.br e registrado na CCTC-IEA sob número HP-95/2006.

Publicado no CaféPoint mediante autorização dos autores.

NELSON BATISTA MARTIN

Engenheiro Agrônomo, MS em Economia - Gestão de negócios de recria-engorda em Lucélia, oeste do Estado de Sâo Paulo

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP

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