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Esqueçam aquilo que escrevi

POR CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

CELSO VEGRO

EM 12/07/2010

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Howard Schults é um dos magnatas estadunidenses mais invejados no globo. A ascensão exponencial da rede de cafeterias Starbucks, inclusive no Brasil, tornou-se um caso para estudos sobre estratégia empresarial em todas as universidades de economia do mundo. Não há periódico sobre a face da terra que em algum momento não tenha soltado uma matéria sobre a Starbucks e seu fundador.

Mas não foi apenas no mundo dos negócios envolvendo o café que o empresário teve seu nome levado às alturas. Como escritor conseguiu emplacar seu livro dentre os best-sellers da linha de gestão de negócios e empreendedorismo. De fato, XYZ, traduzido em dezenas de línguas bateu recordes de vendas e tem sido ainda hoje uma referência para quem quer começar um negócio.

O livro trata da epopeia que foi construir a Starbucks sempre vinculada com o espírito animal de um empresário verdadeiramente inovador. Sua capacidade de gerir o negócio foi mais uma vez demonstrada quando a partir do colapso econômico de 2008 se viu obrigado a retomar as atividades dentro da companhia da qual havia se afastado após mais de 17 anos sob sua liderança. Com as mudanças implementadas as Starbucks que estava em rota de declínio, retomou trajetória de expansão, revitalizando toda sua linha de negócios.

Bom seria se tudo nesse mundo fossem lindas flores. No livro, a certa altura, ao comentar a produção e as qualidades do café nos diversos países produtores, Howard Schultz sentencia que a origem brasileira jamais entraria na composição dos blends de seu café! Pois chegou o momento de seu arrependimento.

Em 2009, estimativas efetuadas por exportadoras e cooperativas, contabilizam que a Starbucks adquiriu no mercado brasileiro, algo como 350.000 sacas, majoritariamente, de café tipo cereja descascado para compor os seus cafés. As aquisições podem alcançar até 1 milhão de sacas em 2010. Para quem havia decidido que café brasileiro não servia para o padrão de excelência de sua companhia, a quantidade de sacas adquiridas no Brasil demonstra uma revisão completa daquilo que o empresário imaginava sobre a cafeicultura brasileira e a falta de mérito de seus cafeicultores.

Muito envergonhado do que havia escrito Howard Schultz, ainda não teve a coragem de informar a seus clientes que estão apreciando em suas lojas o legítimo café brasileiro de alta qualidade. Em 2010 o volume de compras mais que dobrará. Será que virá junto a coragem e a responsabilidade com seus clientes de informar que o CAFÉ É BRASILEIRO. Tenho dúvidas, pois o que comanda o mundo dos negócios e da política é a sentença: esqueçam o que escrevi e vamos ganhar dinheiro.

CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

Eng. Agr., MS Desenvolvimento, Agricultura e Sociedade. Pesquisador Científico VI do IEA-APTA/SAA-SP

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CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 28/08/2010

Prezado Carlos Pagliarone

Veja, temos que quebrar essa ideia de que bolsa ou futuros ajuda ou atrapalha ciclano ou beltrano. Bolsa é uma maneira mais transparente , e creio que única na economia de mercado, para que atue o mecanismo de formação de preços. Quanto mais especuladores recorrem a Bolsa para efetuarem seu hedge melhor, pois a elevada liquidez é o que garante uma formação de preços mais "justa". Portanto os milhões de sacas vendidas no futuro mais aproximam daquilo que seria o preço "justo". E mais, preço ´justo" em nada tem que ver com os custos de produção.
Quanto aos meus mistérios serve-me apenas para engendrar outros mistérios.
Abçs
Celso Vegro
CARLOS ALBERTO AIMOLE PAGLIARONE

FRANCA - SÃO PAULO

EM 18/08/2010

Nobre sr. Celso Vergo
A um tempo atráz quando citei, que na minha opinião as vendas futuras não favoreciam de um modo geral a cafeeicultura, fui muito criticado . ´Será que hoje ainda pensam da mesma forma? Por isso te pergunto. Qual seria o preço hoje do café se não tivessem vendidos milhoes de sacas no mercado futuro? ( aguardar sua resposta é sempre um prazeroso mistério.) abraços
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 13/08/2010

Prezado Samuel H. Fornari
Esta alta de preços tem sido uma coisa de surpreendente. Na média dos últimos 37 anos julho sempre foi mês de baixa e em 2010 acontece essa escalada formidável.
Não há dúvida que em algum momento o mercado reagiria pelos fundamentos que vinha exibindo desde as últimas cinco safras. Esse momento chegou e faço minhas suas recomendações: é hora de aproveitar, se recapitalizar para conduzir um novo ciclo de investimentos necessários para se manter competitivo quando o ciclo de baixa passar a vigir.
Abçs
Celso Vegro
SAMUEL HENRIQUE FORNARI

SÃO JOSÉ DO RIO PARDO - SÃO PAULO - DISTRIBUIÇÃO DE ALIMENTOS (CARNES, LÁCTEOS, CAFÉ)

EM 12/08/2010

Caro Celso,
O que está achando desse mercado de café em termos de preço e consumo??
Parece que nós, os altistas, que um dia fomos apedrejados por termos defendido a força do consumo e a quase inelasticidade do mesmo no período de crise, não estavamos tão errados assim.
Eu falei na época que o mundo voltaria a girar e a corrida por commodities tb, uma vez que estavam matando quem produz. Perguntei diversas vezes, para onde está indo nossa exportação recorde?? Se a exportação é recorde, e o consumo era cadente, onde os estoques estariam crescendo?? Enfim, fomos chamados de fugitivos da escola por não concordarmos com um pensamento academico que destoava da realidade vivida pelo mercado mundial de café. Ei de esquecer esse fato e seguirei o conselho que foi dado por você no título deste excelente artigo.
Estamos atingindo máximas de 12 anos, ao contrário do que fiz na época do pavor da crise, tentando acalmar, que o mundo não pararia de girar e nem de beber café, hoje o recado é diferente: Produtores, aproveitem o momento, escalonem suas vendas. Fundos com posição muito grande, Centrais entrando com café de qualidade de outubro em diante, possivelmente mercado estará abastecido pro curto prazo muito em breve.
Abraço a todos
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 15/07/2010

Amigos do Cafepoint
Por acaso nínguem ainda me perguntou o nome do livro. Também não o digo. É minha vingança pela descaramento em esconder de seus clientes a origem do café que em sua rede é consumido.
Perceberam?
Celso Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 14/07/2010

Prezado Sandro Campos Mancini
Vejo que está a seguir com acuidade aquilo que escrevo. Seu prestígio nos engrandece.
Abçs
Celso Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 13/07/2010

Prezado Carlos Alberto P. Garcia
Grato pela consideração para com esse escriba. Nossa missão em termos de pesquisa sócio~econômica é trazer análises que aos olhares menos treinados escapam. Parece que você foi capaz disso se aperceber.
Abçs
Celso Vegro
SANDRO CAMPOS MANCINI

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO - TRADER

EM 13/07/2010

Não se esqueçam que a Starbucks é também proprietária da marca Seattle´s Best, e que utilizará esta marca como "marca B" para atacar mais diretamente McCafé e afins, vendendo seu café em redes de fast food concorrentes, restaurantes, etc. Portanto ainda que seja expressiva a futura participação do café brasileiro, temos que computar as compras/vendas desta marca, que trabalha majoritariamente com café natural de qualidade, daí parte da explicação do crescimento da demanda por café brasileiro.

Isso não tira de forma alguma o brilho do nosso café. Quem esteve no Seminário Internacional do Café e assistiu à palestra do Dub Hay, Vice-Presidente da Starbucks, o ouviu elogiar o nosso café, o ouviu dizer que pretendem sim comprar mais e mais do nosso café, por gostarem do que estão comprando, pelo custo/benefício e potencial tamanho que podemos atingir como fornecedores de cafés lavados e semi-lavados. Mas também o ouvir perguntar seguidas vezes sobre a forma como tratamos o café pós-colheita, o que quer dizer que se para eles o Brasil evoluiu muito nestes mercados, ainda pode fazer bem mais.

Colômbia e Centrais não estão com medo da gente à toa. Se levarmos estes mercados (lavados e semi-lavados) a sério, com a nossa eficiência e quantidade de área cultivável, teremos um custo/benefício imbatível. Isso pode até ser trabalho para 5 ou até 10 anos, mas se fizermos nosso dever de casa, ninguém nos segura.

O governo brasileiro devia se empenhar em garantir a entrada do lavado brasileiro na bolsa de NY (ICE). Isso será um divisor de águas na percepção da qualidade do café brasileiro não pelo consumidor final (esse levará mais tempo, mas a mudança já ocorre, ainda que mais lentamente) mas por torrefadoras mundo afora.

Não importa se em um primeiro momento o diferencial nos seja desfavorável. Isso se acerta depois, com o passar dos anos, como aconteceu com outros lavados. Não podemos desperdiçar essa oportunidade de ouro. Temos que tratar este acontecimento com o mesmo respeito que o fazem nossos concorrentes, que apelam pra tudo para impedir algo que é não só sensato, mas necessário, para que o café brasileiro ganhe o respeito que já faz por merecer ter.
CARLOS ALBERTO PRADO GARCIA

POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 12/07/2010

Maravilhosa essa materia Celso. Acho que deveria chegar ao conhecimento publico consumidor em geral, principalmente aqueles consumidores Americanos que vivem do marketing do cafe Colombiano. Vivi como consumidor dos cafes Americanos de qualidade e sei que nos passamos desapercebidos como produtores de cafe de qualidade, alias vendem o cafe Ipanema (de origem Brasileira) nas lojas da Starbucks nos Estados Unidos.
Bem colocada essa publicacao.

Abracos Celso,

Carlos A. Prado Garcia
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO

EM 12/07/2010

Prezado Humberto
Contas esclarecedoras.
Grato pelos complementos.
Celso Vegro
HUMBERTO SOARES

AIMORÉS - MINAS GERAIS - ESTUDANTE

EM 12/07/2010

Complementando,

STARBUCKS
16.500 lojas (2009)
Presente em 40 países (2009)
US$ 10 bilhões de faturamento (2009)
42.000.000 pessoas atendidas (2009)
Estimativa de industrialização em 2009 - 3.000.000 sacas
Estimativa de compra de café brasileiro em 2010 - 1.000.000 sacas
Vendas estimadas de café brasileiro em 2010 - 60,6 sacas por ano/loja
Vendas brasileiras transformadas em cafés espressos(7g) - 432.857 xícaras por ano/loja: 1.185 xícaras por dia/loja (*)
Mantendo a estimativa de industrialização em 2009 para 2010 seremos responsáveis por 33% de todo café comercializado na Starbucks.

(*)Nem todo café industrializado é vendido como espresso na STARBUCKS, o portfólio de produtos é extenso, isso é apenas um exercício da grandeza dos números.

Humberto Soares - Estudante