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Entrega pequena do dezembro estimula compras

RODRIGO CORREA DA COSTA

EM 23/11/2015

4 MIN DE LEITURA

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A ata da reunião do FOMC (equivalente ao COPOM brasileiro) reforçou a aposta dos mercados em um aumento de juros nos Estados Unidos em Dezembro, mas por outro lado revelou cautela de alguns delegados, sugerindo que futuros incrementos serão bem graduais.

Os mercados acionários responderam com uma alta consistente fazendo com que os ganhos acumulados do S&P500 nos últimos cinco dias tenham sido os melhores em uma semana desde dezembro de 2014. O índice do dólar também reverteu seus ganhos após a divulgação da ata, voltando a ganhar folego na sexta-feira quando então o presidente do Banco Central Europeu declarou que mais estímulos devem ser usados pela entidade para elevar a inflação o mais rápido possível na zona da moeda comum.

Os principais índices de commodities não alteraram a trajetória negativa. Houve uma reação relativamente positiva dos preços do petróleo dada uma percepção de maior risco geopolítico seguida aos tristes episódios em Paris e Beirute. Entretanto os investidores interpretaram que os efeitos serão contidos e entres os componentes do CRB apenas o café arábica, o suíno-magro, a gasolina, o açúcar demerara e o cacau subiram.

O café em Nova Iorque saiu de US$ 115.35 cts na quarta-feira batendo US$ 126.60 na sexta-feira, ou 9.75% de alta em dois dias, ajudado pelo pequeno interesse de entrega no primeiro dia de notificação do contrato de Dezembro e o posicionamento dos fundos que estavam vendidos novamente acima de 60 mil contratos, tendo um baixo open interest – comparando com suas posições. Outro fator que contribuiu foi a apreciação do Real Brasileiro que atingiu o nível mais alto desde o dia 2 de setembro último.

A agressividade do movimento e o ceticismo de vários participantes levantam dúvidas (para alguns) se os preços continuarão sustentados. Em minha opinião os fundos ainda tem um volume grande de vendas a descoberto que, pelo que demonstra os gráficos, ainda não foram “triggered”. Falando de outra forma, eu acredito que os preços podem subir outros US$ 5 centavos para então ativarmos stops (recompra de fundos) que trarão uma aceleração ainda maior às cotações.

O fluxo de negócios no físico corrobora com o argumento altista, podendo sim ser desmontado se o dólar voltar a subir frente a diversas moedas, ou o real desvalorizar rapidamente. Também podemos adicionar um enfraquecimento do robusta negociado em Londres como um terceiro ingrediente potencialmente negativo, significando uma arbitragem muito aberta – mas não vejo os vietnamitas jogando a toalha, por ora.

Os estoques de café americanos em outubro caíram 168,880 sacas, para 5,948,228 sacas – menor do que as 6 milhões armazenadas há um ano. No Japão a queda no mês foi de 65.9 mil sacas, ficando em 2.16 milhões de sacas – comparando com as 2.98 milhões de outubro do ano passado.

Relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) foram divulgados na semana para o Brasil, Colômbia e Indonésia. O órgão revisou as safras brasileiras de 2013/14 e 2014/2015 incrementando nos dois ciclos um total de 4.3 milhões de sacas, para justificar as exportações elevadas e o consumo interno. Desta forma o estoque de passagem de 2014/2015 ficou em 9.398 milhões de sacas. A produção de 2015/2016 foi revisada para baixo, estimada agora em 49.4 milhões de sacas, o que com uma exportação de 33.33 milhões de sacas e um consumo de 20.33 milhões de sacas levará o carrego em junho de 2016 para 5.198 milhões de sacas.

Para a Colômbia a expectativa é da maior colheita desde os anos 90, ou 13.4 milhões de sacas. As chuvas erráticas no país não devem ter impacto na produção, segundo os analistas do USDA. Entretanto os custos elevados com a mão-de-obra aumentou a contribuição destes gastos de 40% para 60% no custo do café produzido. A renovação do parque cafeeiro por lá elevou a produtividade de nossos vizinhos para 21 sacas por hectare.

Finalmente na Indonésia a previsão da safra 2015/2016 é de 10,61 milhões de sacas, maior do que as 8,8 milhões do ciclo anterior, recuperando depois de um ano que sofreu com as perdas climáticas.

No fim das contas quando o relatório que traz o resumo do quadro global for divulgado, tudo indica mostrará um superávit baixo. Como exemplos podemos citar uma respeitada trade-house em sua análise do terceiro quarto do ano indicando uma sobra de apenas 2.2 milhões de sacas – muito pouco, principalmente se o El Nino atrapalhar os prognósticos exagerados para a colheita destes três países produtores importantes mencionados acima.

O contrato “C” precisa se manter acima de US$ 120.00 centavos por libra para não perder o “momento” positivo. Ao mesmo tempo novas quedas serão aproveitadas pelos comerciais para comprar mais futuros.

Mantenho o meu tom construtivo para os preços, que podem surpreender e fazer as cotações visitarem novamente os patamares de US$ 140.00 centavos por libra em Nova Iorque.

Uma excelente semana e muito bons negócios a todos,

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

RODRIGO CORREA DA COSTA

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