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As melhores práticas de utilização dos recursos hídricos na cafeicultura brasileira

postado em 27/04/2017

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*Por Marcos Matos e Marjorie Miranda

Os recursos hídricos são vitais para a manutenção da vida. Contudo, a humanidade tem observado significativas alterações no ciclo hidrológico, por meio da ¬distribuição irregular das chuvas. O crescimento populacional e a consequente urbanização aumentaram a contaminação dos recursos hídricos. Estes fatores somados às anomalias climáticas causaram a redução da área de captação da água da chuva e a diminuição da impermeabilização do solo. Dessa forma, nossos recursos estão cada vez mais escassos e essa é uma questão amplamente discutida no âmbito global.

A distribuição irregular das chuvas e a limitação no armazenamento e aproveitamento dos recursos podem causar déficit hídrico no solo e comprometer a produção de alimentos. No Brasil, diversas regiões têm sofrido com as alterações no ciclo hidrológico, conforme apresentado na figura a seguir:

Frequência de ocorrência de eventos críticos de seca nos municípios do Brasil (2003 a 2015)
Frequência de ocorrência de eventos críticos de seca nos municípios do Brasil (2003 a 2015)

Embora o Nordeste lidere em termos de concentração relativa de seca, podemos constatar a ocorrência também em regiões produtoras de café, como o norte do estado do Espírito Santo. A seca ali resultou em queda na produção do café conilon, com impactos em toda a cadeia produtiva.

Em vários segmentos econômicos, a gestão deste recurso natural nos processos produtivos se tornou imprescindível e, no universo do café, essa é uma marca registrada. As instituições integrantes do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, desenvolveram soluções tecnológicas para o uso da água na cafeicultura que, além de racionalizar o uso da água, permitem otimizar a produtividade, a qualidade do produto e reduzir custos de produção. Tais tecnologias, como os sistemas mais eficientes de irrigação, a técnica do estresse hídrico controlado, o sistema de limpeza de águas residuais no processo pós-colheita e o polímero hidroretentor de água contribuem para o aumento da renda dos cafeicultores.

No Brasil, a área irrigada total é estimada em 6,11 milhões de hectares ou 21% do potencial nacional, que corresponde a 29,6 milhões de hectares. Em relação à cafeicultura, segundo estudo da Embrapa Café, cerca de 25% a 30% da área brasileira de cultivo de café no País utiliza métodos de irrigação modernos, com equipamentos que reduzem o uso para uma média de mil litros de água por quilo de café. Este é um número representativo, pois resulta em uma queda de 50% de consumo do recurso natural, na comparação com cinco anos atrás.

O cafeeiro irrigado, dentro do contexto da sustentabilidade, é uma realidade nas mais diversas áreas de produção no Brasil, sendo que a adoção de sistemas de irrigação mais eficientes, como o gotejamento é plenamente acessível aos cafeicultores.

Podemos destacar que o futuro do manejo da irrigação envolve o uso de sensores modernos e automáticos com acesso remoto, que é uma necessidade básica para a produção sustentável na cafeicultura irrigada, envolvendo critérios técnicos e operacionais. Um futuro cada vez mais presente no dia a dia de muitas fazendas do Brasil, líder global em tecnologia e inovação na produção de alimentos, fibras e energias renováveis.

Nesse sentido, o Cecafé atua ativamente para promover as melhores práticas de utilização dos recursos hídricos. O Programa Produtor Informado passou por uma reformulação em 2016, após parceria com a Plataforma Global do Café. O curso passou a adotar o Currículo de Sustentabilidade do Café, que elenca os 18 itens fundamentais para alcançar uma produção sustentável. O uso da água e irrigação é um dos capítulos ensinados com o intuito de levar a noção de gestão responsável dos recursos hídricos até o pequeno produtor.

Além disso, o conteúdo auxilia na adoção de boas práticas nos sistemas produtivos, de forma a harmonizar o uso racional dos recursos naturais, como água e solo, promovendo o aumento da rentabilidade do negócio, melhorias na gestão da propriedade e qualidade do café, além de garantir a sustentabilidade do meio ambiente e a melhoria das condições de vida da população rural.

O engajamento das entidades de representação e das instituições de pesquisa, o desenvolvimento e inovação na cafeicultura fortalecerão a difusão de novas tecnologias com treinamento técnico especializado, com metas definidas e também com acompanhamento dos resultados, o que proporciona elevada adesão, continuidade e reafirma o papel de liderança do Brasil na sustentabilidade da cultura de café.

* Marcos Matos é diretor geral do Cecafé e Marjorie Miranda écdoordenadora de Projetos de Responsabilidade Social e Sustentabilidade do Cecafé.
 

 

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