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Bolsa cai por nove sessões consecutivas mas esboça recuperação

Por Rodrigo Correa da Costa
postado em 28/08/2017

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Em sua potencial última aparição em um evento com os representantes dos principais bancos centrais mundiais, a presidente do FED, Janet Yellen, não mencionou nada que pudesse indicar a trajetória dos juros americanos, levando o índice do dólar à novas mínimas.

Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia
                                  Foto: Alexia Santi/Agência Ophelia

O presidente do Banco Central Europeu, Mario Draghi, também não demonstrou preocupação sobre o Euro estar negociando nas máximas de mais de dois anos e meio, e a sensação entre os investidores se firmou na aposta de uma maior apreciação da moeda comum europeia.

As bolsas acionárias encerraram a semana com ganhos modestos entre as economias maduras e mais acentuadas entre os emergentes, que têm recebido uma maior alocação de recursos recentemente. O índice do CRB variou em um intervalo mais estreito nos últimos cinco dias, subindo principalmente de quarta-feira (23) em diante com o risco do furacão Harvey causar estragos no Golfo Americano, o que causou alta no contrato de gasolina e ajudou o açúcar demerara. Os metais industriais também tiveram performance positiva na semana e as perdas de mais de 3% aconteceram apenas com o suco de laranja, o milho e o suíno-magro.

O café arábica da ICE rompeu os US$ 130.00 centavos por libra, base o contrato de Dezembro/17, escorregando até US$ 127.15 centavos em uma sequência de nove pregões de baixa, para então recuperar na sexta-feira (25) em US$ 3.50 centavos, encerrando a semana de lado.

O conilon manteve oscilações fortes gravitando entre as médias-móveis de 100 e 200 dias, tendo a estrutura (spreads) firmado com uma inversão que vai até o contrato março de 2018. Um grande participante tem um posicionamento que crê em um fluxo de café do Vietnã insuficiente para arrefecer a necessidade de compras dos agentes (seja a indústria ou tradings que estejam vendidas), mesmo nos primeiros meses da entrada da safra nova vietnamita.

No Brasil, os preços internos se mantêm relativamente firmes comparados com a queda do terminal, sustentado pela indústria local e pelo sentimento crescente de que a safra que está acabando de ser colhida pode ser bem menor do que esperada.

É importante salientar, entretanto, que a percepção internacional não é a mesma com relação à disponibilidade brasileira, não apenas em função de muitos torradores já terem uma cobertura razoável nos seus livros, como também pelas ofertas de exportadores que não refletem o custo de reposição no país.

Os embarques do Brasil em agosto voltando a ficar ao redor de 2 milhões de sacas podem servir de alerta, mas a “janela” de necessidade, ou de oportunidade de alta do mercado, vai se fechando com a aproximação da florada brasileira – reforço ser esta a percepção e que, portanto, influencia a tomada de decisão. Junta-se a isto os estoques nos países consumidores teimarem em continuar subindo e a sensação fica distante de um aperto.

Para piorar a situação brasileira as outras origens têm ganhado uma parte de market-share do Brasil. Os diferenciais baratos de Peru, Uganda, Honduras, Etiópia e até Indonésia (falando tudo de arábica), atraem os torradores que têm flexibilidade nos “blends” e dão tempo para eles aguardarem o Brasil a preços melhores. Caso os diferenciais não barateiem, então a compra vai ser da “mão para a boca” até chegar a safra maior.

Esta análise naturalmente é mais difícil de ser feita se olharmos apenas para o mercado interno brasileiro, esquecendo o resto do mundo, mas é um exercício salutar e nos ajuda a entender melhor o porquê da falta de reação de Nova Iorque aos caros diferenciais brasileiros desde novembro de 2016.

No fim, se a safra atual for de fato muito menor, e se a super-safra de 2018/2019 não se materializar, quem segurar suas vendas pode vender café nominalmente mais alto (é bom lembrar que os juros brasileiros são altos). O problema é se isto não acontecer e os fundos e tradings anteciparem uma disponibilidade mundial maior e vender Nova Iorque agressivamente causando uma perda do contrato “C” acentuada. Como se vê são muitas as hipóteses, ainda mais considerando o comportamento climático.

A bolsa de Nova Iorque parece que pode subir um pouco mais, provavelmente testando níveis entre US$ 135.00 e US$ 140.00 centavos no curto-prazo, mas a manutenção vai depender do prognóstico de chuvas e do quanto mais o dólar vai cair, ou o real valorizar.

Uma falha no movimento de alta deve atrair os fundos no lado da venda novamente, voltando a forçar as cotações para baixo.

Não haverá comentário na próxima semana. Voltarei a escrever no sábado dia 9 de setembro, o final de semana seguinte da curta semana que marca o início das aulas nos Estados Unidos e o fim das férias.

Uma ótima semana e bons negócios a todos,
Rodrigo Costa*

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Rodrigo Correa da Costa    Nova Iorque - Nova Iorque - Estados Unidos

Consultoria/extensão rural

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