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Manejo da lavoura visando à recuperação de propriedades cafeeiras depauperadas

Por Pedro Paulo de Faria Ronca
postado em 25/10/2006

4 comentários
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O Brasil é, há mais de 150 anos, o maior produtor mundial de café. Com isso, existem inúmeras propriedades cafeeiras antigas que cultivam o café há mais de cinqüenta ou cem anos. Em diversos casos essas propriedades não acompanharam a evolução do cultivo de café ao longo das décadas e não se adaptaram às inovações tecnológicas, seja por falta de capital para investir em reformas, por problemas de administração, por não conseguir atravessar as crises do café, ou por mudança de proprietário ao longo dos anos. Os novos proprietários que recebem as terras, muitas vezes por herança, não tem experiência no setor ou não tem tempo para se dedicar à administração das fazendas.

Nesses casos, ocorre a degradação das propriedades levando a prejuízos anuais e depauperação das lavouras. A falta de um manejo adequado de podas, nutrição deficiente, falta de controle de pragas, doenças e plantas invasoras e a utilização de espaçamentos ineficientes são problemas comuns nesse tipo de propriedade que resultam em baixas produtividades.

A esperança que existe nestes casos é que em muitas situações essas propriedades apresentam ótimo potencial para a produção de café e, quando se opta por uma recuperação, apesar desta ser trabalhosa, pode-se obter resultados positivos.

Em geral, nos projetos de recuperação de propriedades cafeeiras em situação de abandono, a situação inicial é muito complicada. Encontra-se todo tipo de problema, tanto na área de produção, com as lavouras sentindo os maus tratos, como no pós-colheita, com as estruturas mal conservadas, e na área administrativa, com problemas de ações trabalhistas, falta de registro das atividades, de controles de produção e de históricos da propriedade.


Foto 1: Lavoura depauperada.

Além disso, a principal debilidade dessas fazendas costuma ser a falta de uma visão empresarial na condução do negócio. Atualmente, para ser lucrativa a atividade cafeeira demanda uma eficiência muito maior que nas décadas passadas e acima de tudo que a propriedade seja encarada de forma global como uma empresa agrícola.

Qualquer fazenda-empresa que queira obter resultados positivos deve seguir rigorosamente um planejamento elaborado para a atividade. No caso de recuperação de propriedades depauperadas esse planejamento também é essencial e deve nortear as ações ao longo das safras.

A maior prova do excessivo número de propriedades cafeeiras depauperadas e com baixas produtividades é a produtividade nacional que, segundo a ABIC (Associação Brasileira da Indústria de Café) de 2003 a 2005, ficou em 16 sacas/ha.

O café por tratar-se de uma cultura perene leva em média três anos para entrar em produção. A cultura apresenta alto custo de implantação (em média, R$ 6.000,00/ha) e de condução (em média, R$ 5.000,00/ha). Sendo assim, o processo de recuperação deve ser gradual e contínuo.


Foto 2: Excesso de falhas e falta de desenvolvimento

De início, devemos realizar um retrato atual da propriedade bem como uma avaliação de seu potencial produtivo. Detectado um bom potencial de produção de café devemos elaborar um planejamento de reformas das lavouras. O guia para as reformas são as produtividades alcançadas que, ficando abaixo de 40 sacas/ha, devem ser repensadas e reavaliadas.

Para se recuperar uma propriedade cafeeira podemos nos valer de podas, arranquio de lavouras e plantios novos. Na área de podas existem diversas opções, cada uma delas adequada a uma situação. Como o cafeeiro é uma planta que só produz frutos em ramos novos a poda é uma prática que precisa estar inserida no planejamento anual da fazenda.


A Poda como ferramenta de recuperação de lavouras

Dentro da área de podas existe grande diversidade de opções. Diversos fatores influem na escolha do tipo de poda a se realizar: histórico produtivo, fechamento de ruas, excesso de altura das plantas, perda dos ramos produtivos inferiores ("saia"), má conformação da área produtiva das plantas ("cinturadas", deformadas), danos por geadas, etc.

A maioria das podas deve ser feita tão logo se finalize a colheita a fim da planta ter mais tempo para produzir ramos novos. De maneira geral, quanto mais cedo se realiza a poda maior será a produtividade no ano seguinte pelo maior tempo de recuperação das plantas. No caso de geadas recomenda-se aguardar a planta mostrar sinais de recuperação para se escolher o tipo de poda.

As podas promovem, além da remoção da parte aérea, morte de raízes conforme pode ser observado no quadro 1. Pode-se notar que é uma situação de estresse para as plantas e quanto mais severa, maior a mortalidade de raiz e maior o tempo para recuperação. Portanto a escolha correta do tipo de poda é fundamental para o sucesso da operação.


Quadro 1: Mortalidade de raízes de cafeeiros em vários tipos de podas - Cafezal Mundo Novo, 7 anos, 3,5 m x 1,5 m (3-4 hastes/cova) Alfenas - MG 1986.

No nosso próximo artigo, trataremos dos tipos de poda, enfocando sua aplicabilidade na recuperação de propriedades cafeeiras depauperadas.

Bibliografia:

- Anais do 11º Congresso Brasileiro de Pesquisas Cafeeiras. MAPA/PROCAFÉ

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo

Pedro Paulo de Faria Ronca    Ribeirão Preto - São Paulo

Consultoria/extensão

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Comentários

TUBIATAN

Penápolis - São Paulo - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 25/10/2006

Parabéns pela matéria, Pedro Paulo!

Frederico Silveira Faria

Passos - Minas Gerais - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
postado em 12/06/2007

A que se deve atribuir a importância da saia do cafeeiro? Qual a sua função em relação a fisiologia da planta?


Caro Sr. Frederico, como vai?

A importância da saia do cafeeiro está diretamente relacionada com a produtividade. A saia consiste em grande número de ramos produtivos, os chamados ramos plagiotrópicos.

Com a perda de saia ocorre a perda de ramos produtivos. O problema é que uma vez mortos os ramos plagiotrópicos não nascem mais e com isso quando se tem a perda da saia do café a única maneira de recompô-la é com uma recepa que fará com que todos os ramos sejam produzidos novamente.

Outro problema da perda de saia é que aumenta a entrada de luz em baixo da copa do café, com isso haverá maior germinação de plantas daninhas, aumentando o serviço de controle do mato.

Espero que tenha respondido sua dúvida. Estou a disposição para quaisquer esclarecimentos.

Atenciosamente,

Pedro Paulo de Faria Ronca
Engenheiro Agrônomo
Via Verde Consultoria Agropecuária em Sistemas Tropicais


Luciano Gardingo Heleno de Oliveira

Conselheiro Lafaiete - Minas Gerais - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
postado em 07/08/2007

Me chamo Luciano Gardingo e gostaria de saber se a poda também é feita em lavouras de café arábica?

guilherme de paula eduardo

Iaçu - Bahia - Produtor de limão
postado em 08/10/2007

Prezado Pedro Paulo, no caso das podas, devem só ser utilizadas em lavouras depauperadas ou podem entrar no planejamento de tratos culturais de lavouras com boa situação? Quando devo optar por essas praticas?
Parabens pelo artigo!

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