Qualidade e Certificação de mãos dadas na cafeicultura

Por Oséias Mendes da Costa
postado em 02/03/2011

 

Devido à mudança de comportamento no mercado consumidor de café, com respeito à qualidade e à origem do café, o cenário da cafeicultura passou e está passando por uma grande transformação que começou por volta de quinze anos. Houve uma verdadeira revolução no campo, onde os produtores passaram a se preocupar em serem mais produtivos, buscando tecnologias que os ajudassem a aumentar a produtividade e, consequentemente, diminuísse seu custo de produção. Só que o mercado passou a exigir mais do produtor, buscando cada vez mais cafés de qualidade. Por isso não bastava mais ser eficiente na produção, era preciso investir e a aprender a fazer qualidade para ser competitivo e poder manter-se na atividade.

Com um mercado consumidor cada vez mais exigente, leis que controlam a entrada do café nos países consumidores, principalmente no que diz respeito ao seu modo de produção: - agrotóxicos utilizados, boas práticas agrícolas e ambientais, respeito às leis trabalhistas, entre outras -, levaram os cafeicultores à utilização de um novo conceito de produção, visando cada vez mais à qualidade de seu produto. Com esse novo panorama criou-se então um novo grupo de cafés: os "Cafés Especiais", onde todos os processos de produção são rigorosamente controlados, desde a lavoura até a xícara do consumidor.

Em muitos casos, a certificação da RAS - Rede de Agricultura Sustentável-, que estampa em seus produtos certificados o Selo Rainforest Alliance certified, serve como ferramenta para dar ao mercado as garantias de que os recursos naturais estão sendo utilizados de maneira sustentável e os trabalhadores rurais estão tendo seus direitos respeitados. Com isso, cada vez mais, o mercado associa a qualidade com certificação.

Para demonstrar essa relação, podemos usar os resultados das três últimas edições da "Prova Imaflora/Rainforest Alliance de Cafés Certificados" realizadas no Brasil em 2008, 2009 e 2010 pelo IMAFLORA (Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola), onde as fazendas certificadas enviam suas amostras que são avaliadas sensorialmente por degustadores credenciados pela SCAA (Specialty Caffee Association of America).

Os resultados mostram uma evolução do número de participantes e na qualidade dos cafés:

O Quadro abaixo mostra a nota do primeiro colocado em cada ano e a média das 10 melhores amostras em cada edição da Prova:



Essa nova combinação de qualidade com certificação trouxe também ao cafeicultor um incentivo financeiro, uma vez que mercado para cafés especiais certificados agrega um valor ao produto num patamar cada vez mais significativo.

Todas essas mudanças no cenário da cafeicultura, tem contribuido também para uma alteração na mentalidade do cafeicultor que deixou de ser apenas produtor e se transformou em um verdadeiro profissional do agronegócio.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo:

Oséias Mendes da Costa    Monte Carmelo - Minas Gerais

Provador de café

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Comentários:

mult agricola e planejamentos ltda

Santo Antônio da Platina - Paraná - Revenda/ distribuição de produtos para a produção
postado em 16/06/2011

Produzir qualidade aliado à sustentabilidade é realmente o caminho que o cafeicultor precisa trilhar para alcançar o sucesso e a permanência na atividade.
Engenheiro Agrônomo.
Celso Biussi.

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