Café sem contra-indicação

Por Rodrigo Belmonte Cascalles
postado em 28/01/2011

 

As tecnologias modernas nos trouxeram muitas comodidades. E, por consequência, algumas contra-indicações.

Por exemplo, a aspirina tem diversos usos terapêuticos. É utilizada como analgésico em vários problemas agudos como resfriados, dores de cabeça, infarto cardíaco entre outros. Entretanto, um dos mais temidos efeitos colaterais dessa droga é a hemorragia1. A indústria farmacêutica nos oferece a garantia do padrão do medicamento e podemos comprar aspirina no sudeste, norte ou sul do país sem nos preocuparmos com a composição da mesma.

A quem diga que podemos evitar tais problemas de saúde ao tomarmos medidas preventivas, tais como, boa alimentação, exercício físico, noites de sono reparadoras entre outras. Algumas pessoas preferem a comodidade imediata e arcar com as consequências, por mais que possam se tornar bem incomodas ou até mesmo insuportáveis.

A agricultura nos oferece o alimento necessário e os supermercados nos oferecem a comodidade da compra a qualquer hora. O melhoramento genético nos permite adaptar as plantas ao clima, ao invés de utilizar as plantas naturalmente adaptadas. A alimentação sofre uma padronização. Os conservantes nos permitem armazenar um produto por meses, mas com custos para a saúde humana. Segundo o farmacêutico Maurício Pupo, da Universidade Camilo Castelo Branco, de São Paulo, no longo prazo, o consumo de conservantes aumenta o risco de câncer e hiperatividade. Segundo ele, o problema dessas substâncias é que não se pode prever seu efeito no organismo2.

Esse modelo de desenvolvimento imediatista que prefere fechar os olhos para as consequências está no seu ápice. Lembremos, no entanto, que após o ápice de modelos insustentáveis a mudança é inevitável. Todo império chega a seu fim.

No ato da compra, não se deseja ler na "bula" do café que o processo de produção possui contra indicações, como por exemplo:

"Este café pode acarretar poluição das fontes de água, desmatamento, acidentes de trabalho, remuneração injusta aos trabalhadores, caça ilegal, excesso de defensivos na lavoura. Este produto não é indicado para pessoas com responsabilidade social e ambiental, ética e valores humanos"

O consumidor de hoje, no ato da compra, já coloca na balança outros valores. É chegado o momento da mudança. O consumo passa a ser pautado não apenas pelo preço e qualidade, mas também por sua conseqüência para saúde humana e meio ambiente.

Como o ditado diz: "É melhor prevenir que remediar"!

1Fonte: British Medical Journal
2http://planetasustentavel.abril.com.br/noticia/saude/conteudo_418163.shtml

Avalie esse conteúdo: (5 estrelas)

Envie seu comentário:

3000 caracteres restantes


Enviar comentário

Copyright © 2000 - 2012 AgriPoint Consultoria Ltda. - Todos os direitos reservados

O conteúdo deste site não pode ser copiado, reproduzido ou transmitido sem o consentimento expresso da AgriPoint.

Consulte nossa Política de privacidade.