CNC alerta para necessidade de remuneração justa ao produtor de café

Confira comunicado do deputado federal e presidente executivo do Conselho Nacional do Café, Silas Brasileiro, divulgado nesta quarta-feira (29/05). "O CNC há tempos, alerta que os agentes vem desconsiderando os fatores fundamentais do mercado cafeeiro. Esse posicionamento, agora, encontra guarida do diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva.

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Por Silas Brasileiro, deputado federal e presidente executivo do CNC

O Conselho Nacional do Café (CNC), há tempos, alerta que os agentes vem desconsiderando os fatores fundamentais do mercado cafeeiro — como o estreito equilíbrio entre oferta e demanda mundiais —, haja vista a substancial depreciação que as cotações do produto vem sofrendo ao longo do último ano e meio.

Esse posicionamento, agora, encontra guarida do diretor-executivo da Organização Internacional do Café (OIC), Robério Silva. Semana passada, durante fórum promovido em São Paulo, ele citou que entre os fundamentos que são desprezados pelo mercado estão a quebra da safra cafeeira na América Central, que deverá ser de 2,7 milhões de sacas em função da infestação do fungo roya, e os baixos estoques do produto nos países importadores, os quais devem ser os menores registrados na série histórica.

A consultora Judith Ganes-Chase, presidente da J. Ganes Consulting, é outra respeitada profissional do mercado a chamar a atenção para o fato de não haver excedente mundial de café. De acordo com ela, também durante o fórum realizado ontem em São Paulo, é impossível crer em alguns números que indicam que o estoque global seria superior aos maiores volumes já armazenados na história do Brasil (mais de 40 milhões de sacas), caso contrário esse café seria visto nos armazéns de todo o mundo.

Ela anotou, ainda, que os dados sobre oferta e demanda mundiais não fecham e o que pode justificar isso é um consumo muito maior do que o revelado pelas estatísticas. Para exemplificar, Judith mencionou a Indonésia, que registra crescimento de 10% ao ano no consumo da bebida e explicou que os jovens desse país degustam o café em processos de socialização, seja à noite nas ruas, em piqueniques, jogando cartas, etc.

Nesse contexto, o CNC lembra que o aviso ministerial para que não sejam autorizados plantios de café em novas áreas, com o foco sendo a renovação das lavouras já existente, começa a surtir efeito, por isso defendemos que, se não houver preços remuneradores, a bienalidade entre os volumes colhidos voltará de forma acentuada no Brasil, pois não há como tratar bem os cafezais sem rentabilidade.

O Conselho Nacional do Café mantém, também, sua linha de bem informar aos produtores, pois esta é uma de nossas funções como representantes do setor e, por fim, deixa o alerta aos agentes de mercado: remunerem o produtor de forma justa para que amanhã não presenciemos uma escassez do produto. 

As informações são do CNC.
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