Agroconsult expôs dados sobre dívidas e custos de produção

André Pessoa, um dos responsáveis pelo estudo, demonstrou que o passivo dos cafeicultores e das cooperativas mineiros totaliza R$ 2,202 bilhões, sendo que, desse total R$ 1,308 bilhão são referentes às dívidas dos produtores e os outros R$ 894,5 milhões correspondem ao endividamento das cooperativas. Um ponto preocupante é que 36% das dívidas dos produtores são fora do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira), sendo que 30% são referentes a CPR (Cédula de Produto Rural) e os outros 6% a linhas de crédito com juros comerciais bastante elevados.

Publicado por: CaféPoint

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O CDPC (Conselho Deliberativo da Política do Café) realizou reunião extraordinária na tarde de ontem, na qual a empresa de consultoria Agroconsult apresentou seu levantamento sobre as dívidas da cafeicultura no Estado de Minas Gerais. O trabalho foi contratado por convênio firmado entre CNC (Conselho Nacional do Café) e Ministério da Agricultura.

Ao longo da apresentação, André Pessoa, um dos responsáveis pelo estudo, demonstrou que o passivo dos cafeicultores e das cooperativas mineiros totaliza R$ 2,202 bilhões, sendo que, desse total R$ 1,308 bilhão são referentes às dívidas dos produtores e os outros R$ 894,5 milhões correspondem ao endividamento das cooperativas.

Um ponto preocupante é que 36% das dívidas dos produtores são fora do Funcafé (Fundo de Defesa da Economia Cafeeira), sendo que 30% são referentes a CPR (Cédula de Produto Rural) e os outros 6% a linhas de crédito com juros comerciais bastante elevados.

Já o passivo das cooperativas de Minas Gerais tem um perfil um pouco diferenciado, uma vez que 58% dele se referem ao endividamento com bancos; 15% também com instituições bancárias, porém, em débitos antigos; 8% às dívidas não bancárias; e 19% ao Funcafé.

Em relação aos custos de produção, os dados apresentados pela Agroconsult também foram bastante realistas e expuseram a dificuldade em permanecer na atividade nos dias atuais, principalmente sem uma política de geração de renda ao produtor. Confira os números na tabela e no gráfico abaixo:

Figura 1

Figura 2

Esse trabalho foi contratado junto à Agroconsult com o intuito de auxiliar na definição da real necessidade de intervenções governamentais voltadas ao atendimento de demandas do setor produtivo. É válido ressaltar que esse levantamento mostrou que grande parte do endividamento da cafeicultura se refere à não geração de renda para o produtor, uma vez que ele vendeu seu café por valores abaixo do custo de produção.

Os dados do estudo expuseram que, do volume total de R$ 2,2 bilhões, apenas R$ 170 milhões são relacionados ao endividamento antigo, com Pesa, Securitização, Recoop e alongamento do Funcafé. Ou seja, mais de R$ 2 bilhões são referentes a dívidas contraídas do ano 2000 para cá, período em que, conforme o levantamento deixou claro, o cafeicultor registrou déficit de caixa. Portanto, podemos definir que nosso passivo não foi gerado por má gestão, mas, sim, pela deficiência de geração de renda ao setor.

Ainda durante a reunião do CDPC, o presidente da Frente Parlamentar do Café, deputado federal Carlos Melles, manifestou sua preocupação com a geração futura de renda à cafeicultura. Por essa razão, solicitou a revisão do orçamento do Funcafé para 2008, o qual não foi aprovado pelo Ministério do Planejamento nos moldes em que foi encaminhado pelo CDPC, fato que prejudica a realização de importantes programas que visam a sustentação econômica dos produtores, como Opções Públicas e Pepro.

Além dos titulares do CDPC, a reunião de ontem contou com a presença do ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, do Secretário-Executivo, Silas Brasileiro, do Secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, do Diretor de Programa da Secretaria-Executiva, José Gerardo Fontelles, e do diretor do Dcaf (Departamento do Café), Lucas Tadeu Ferreira.

O Secretário de Produção e Agroenergia, Manoel Bertone, falando em nome do Ministério da Agricultura, logo após a apresentação dos dados e da explanação dos membros titulares do CDPC sobre os números demonstrados pela Agroconsult, informou a criação de um grupo de trabalho para avaliar os dados apresentados pela consultoria, o qual terá o intuito de elaborar políticas estratégicas para o setor.

Esse grupo de trabalho será composto por Gilson Ximenes, presidente do CNC; Breno Mesquita, presidente da Comissão Nacional de Café da CNA (Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil); Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café); Mauro Malta, secretário geral da Abics (Associação Brasileira da Indústria de Café Solúvel); Guilherme Braga, diretor geral do Cecafé (Conselho dos Exportadores de Café do Brasil); e Cecília Marcolini, indicada pelo deputado federal Carlos Melles para representar a Frente Parlamentar do Café.

Não podemos deixar de elogiar os membros do Ministério da Agricultura envolvidos nessa ação em prol da cafeicultura. Todos os representantes da Pasta merecem ser parabenizados, em especial o ministro Reinhold Stephanes, os secretários Silas Brasileiro e Manoel Bertone, o diretor José Gerardo Fontelles e o diretor do Dcaf, Lucas Ferreira, pois a ação de todos, sem exceção, é de grande valia para a busca de soluções que tirem o setor dessa situação deficitária preocupante.

Gilson Ximenes, presidente.
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