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O clima é a onda da vez

postado em 17/03/2014

1 comentário
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O aumento da temperatura é global e deve continuar nos próximos anos, avalia o meteorologista e coordenador do programa de pós-graduação da UFV (Universidade de Viçosa), Flávio Justino. Ele destaca os reflexos dessas mudanças na vida do produtor rural e aponta sugestões de como minimizar efeitos.

Flávio Justino, natural de São Paulo (SP), é meteorologista e coordenador do programa de pós-graduação em meteorologia agrícola da UFV (Universidade Federal de Viçosa). Ele trabalha com meteorologia desde 1997 e é representante do governo brasileiro na Comissão de Agricultura e mudanças climáticas da Organização Meteorológica Mundial.

Justino tem 43 anos e possui graduação em meteorologia pela Universidade Federal da Paraíba, mestrado em oceanografia, pela Universidade de São Paulo, doutorado em meteorologia pelo Leibniz-Institute of Marine Research, na Alemanha e pós-doutorado em ciências atmosféricas pela Universidade de Toronto, no Canadá.

O mundo passa realmente por uma alteração climática?

Sim, de modo geral, o aumento da temperatura é global, mas em algumas regiões ocorre de forma mais intensa. Algumas causas são naturais e outras em função da atividade humana. Nos últimos 200 anos não houve nenhuma atividade natural que possa explicar o que está acontecendo, como as secas mais severas, eventos de neve intensos no hemisfério norte e chuvas torrenciais.

Por que essas mudanças acontecem?

Porque a atmosfera tem a capacidade de reter a radiação. É como se tivesse uma tampa na atmosfera. Ela não permite que a radiação vá para o espaço. Quando falamos em alteração climática, os extremos se tornam mais intensos. Veranico, enchente, chuvas torrenciais e ondas de calor.

Essas mudanças de clima tendem a continuar ou vão se estabilizar?

Tendem a continuar, pois seguimos usando as mesmas fontes de energia, ricas em carbono.

Quais prevenções podem ser feitas?

A primeira coisa é poupar a energia que vem de combustíveis fósseis. A outra, consumir energia limpa.

Como a estiagem e as altas temperaturas podem afetar as safras dos produtores rurais?

Nas altas temperaturas, as culturas agrícolas chegam à fase da colheita antes do que deveriam.

Como as altas temperaturas vão refletir na terra nos próximos meses?

As temperaturas de ontem não têm impacto na temperatura nos próximos três ou quatro dias. De um modo geral, as temperaturas vão ser maiores. Mas podemos ter dias de extremo frio no inverno.

É possível apontar alternativas para reduzir os prejuízos nas lavouras em função das alterações climáticas?

É importante que o agricultor esteja bem informado sobre o clima e tempo para o dia seguinte. Há uma desinformação enorme. Se a pessoa sabe que nos próximos três ou quatro dias haverá onda de calor, fica mais fácil se proteger e ficar mais atento às irrigações, por exemplo. Há várias informações sobre o clima na internet. O problema é que o agricultor na maioria das vezes não tem acesso ao computador. Uma outra forma de obter informação seria pela televisão.

Como minimizar os efeitos do clima nas plantações?

Por enquanto, a única forma de minimizar esse efeito, é se beneficiando das informações de tempo, buscando variedades mais resistentes, a rotação de culturas, uso de tecnologias mais apropriadas (manejo correto de solo, real dimensionamento da água).

As informações são da FAEMG, adaptadas pelo CaféPoint
 

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Comentários

João Batista Vivarelli

Divinolândia - São Paulo - Consultoria/extensão rural
postado em 18/03/2014

Não vamos culpar sómente o aquecimento global, bola da vez,lendo alguma coisa sobre estiagem, li que um dos motivos da decadencia do Império Maia na América Central foi devido à seca tenazes que ocorreu naquela época . Mais recentemente em final dos anos de 1963 e durante o ano de 1964, também tivemos uma grande estiagem, como descrito abaixo, era Aquecimento Global?

No ano de 1963 houve uma seca semelhante a essa. Para efeito de comparação, seguem os dados de precipitação observados, comparados ao esperados (média de 58 anos) na minha propriedade, localizada em Marília - SP, que naquela época estava no coração do cinturão produtor de café brasileiro.

mês chuva observada chuva esperada saldo
set-63 18 mm 72 mm -54 mm
out-63 101 mm 123 mm -22 mm
nov-63 144 mm 137 mm +7 mm
dez-63 26 mm 217 mm -191 mm
jan-64 89 mm 276 mm -187 mm
fev-64 497 mm 189 mm +308 mm
mar-64 81 mm 146 mm -65 mm
abr-64 33 mm 72 mm -39 mm
mai-64 16 mm 80 mm -64 mm
jun-64 41 mm 56 mm -15 mm
jul-64 22 mm 40 mm -18 mm
ago-64 31 mm 34 mm -4 mm

Vejam que de setembro a novembro tivemos chuvas suficiêntes para o pegamento da florada, seguido de uma seca severa de dezembro a janeiro. Em fevereiro tivemos uma precipitação intensa, que como muitos acreditam hoje, deveria ter recuperado os estragos da seca. No entanto vejam as safras brasileiras da época (USDA):
ano safra
1960 29,8
1961 39,6
1962 28,9
1963 23,2
1964 11,0
1965 37,7

Diante de tais números, acredito que o potencial para a safra 1964 seria de pelo menos 30 milhões de sacas. Note-se que a safra real foi de apenas 11,0 milhões de sacas. Ou seja, uma quebra de mais de 60% na safra 1964. Interessante notar que em 1965 a safra foi aparentemente normal, sem danos causados pela seca. Acredito que como os grãos já estavam chochos no final de janeiro, após as chuvas de fevereiro, livres de seus principais drenos metabólicos, as plantas voltaram a vegetar normalmete e se recuperaram a tempo de produzirem uma safra normal em 1965.
Sei que disponho apenas das precipitações, e que, sem ter em mãos as temperaturas registradas, fica difícil fazer uma comparação fiel. No entanto acredito que dá para fazer um paralelo e, na falta de mais dados, esperar uma quebra bem grande na safra desse ano. As regiões que estão sofrendo mais severamente com a seca produziriam cerca de 30 milhões de sacas nesse ano e, baseando-se nos dados acima, a quebra na safra brasileira pede ser bem maior que a que estamos falando.
Fato é que eventos catastróficos acontecem de tempo em tempo(Terremotos,Geadas,Nevascas,Seca,Tisunami, Vedavais), e ai quem é o culpado.
À natureza realmente é muito complexa

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