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Demanda por cafés especiais da África se aquece

postado em 01/03/2016

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De Ruanda ao Sudão do Sul, à Zâmbia e ao Congo, os produtores de café da África estão vendo tendências de mercado a seu favor, à medida que os gigantes varejistas mudam para altos volumes de grãos com excelente sabor.

O aumento na demanda por cafés especiais, que agora representam uma em cada duas xícaras de café na América, tem levado os varejistas a buscar mais na África, trazendo a bordo produtores em mercados mais arriscados, como Sudão do Sul, Burundi e Congo. A demanda por cafés especiais na Europa também está aumentando e agora representa pelo menos 40% da oferta, disseram os comerciantes.

Como resultado, os volumes de cafés especiais na região estão aumentando, agora representando quase 30% da produção total na África de menos de 15% há três anos, de acordo com a Associação Africana de Cafés Finos.

“O que importa mais agora é a qualidade do café para a maioria dos consumidores”, disse o chefe da companhia suíça de comércio de café, Schluter Ltd., Phil Schluter. “Os produtores africanos não podem continuar olhando para o tamanho dos grãos de café [que é como os mercados locais os classificam]”.

Apesar de o café da África agora somente ser responsável por cerca de 10% do mercado internacional, os grãos do continente estão bastante demandados devido a suas qualidades únicas e desejáveis. Esses grãos são frequentemente usados para dar sabor aos blends de grãos de várias origens.

Isso também ajudou a distorcer o mercado. Schluter disse que frequentemente os produtores recebem uma oferta de cerca de US$ 1,50 a libra por seus grãos, enquanto seu vizinho recebe US$ 4,50 por libra, mesmo se o café tiver qualidade quase idêntica. Isso porque os diferentes tipos de torrefadores especiais, apesar de seu desejo mútuo por grãos de qualidade, frequentemente estão comprando para mercados completamente diferentes – alguns cheios de blends e outros que vendem copos de café a US$ 6 com uma só origem.

“Ambos os mercados estão lá. Ambos os mercados são reais”, disse Schluter. O atual preço no mercado mundial para o café arábica no ICE Futures dos Estados Unidos é de cerca de US$ 1,20 a libra.

Os prêmios pelos grãos de cafés especiais estão protegendo os produtores africanos dos baixos preços internacionais e os ajudando a se manter à tona, disse o presidente da Associação Africana de Cafés Finos, Abdullah Bagersh. “Essas abordagens que focam na rentabilidade do produtor são a única forma de sustentar a indústria. Com grãos de qualidade, os produtores africanos têm vantagens competitivas”, disse ele.

Os preços do café arábica perderam 23% de valor no ano passado, enquanto o de café robusta caiu em 17%. As fortes exportações do Brasil, onde o Real mais fraco estimulou os exportadores a colocar mais grãos no mercado global, ajudaram a reduzir os preços.

Analistas disseram que produzir mais cafés especiais dá aos pequenos produtores africanos uma vantagem comparativa sobre os produtores de grande escala na Ásia e na América Latina. “Mais produtores podem agora alcançar mercados nicho para café que oferecem retornos mais fortes – isso é muito encorajador para nossos produtores”, disse o presidente do órgão de regulamentação de café e cacau de Camarões, Michael Ndoping.

Além disso, a participação da África nos mercados globais de café caiu de 30% da produção nos anos setenta para os atuais 10%, devido à volatilidade nos mercados, que estimulou muitos produtores a mudar para outras colheitas.

Como resultado, as exportações de café africano continuam com tendência de baixa, disse o diretor da Café África, John Schluter. “Há muita competição pelo café, pela terra e pela mão de obra”. Para tornar a indústria mais resiliente, os cafeicultores africanos devem emular os produtores como os da Etiópia, que consomem mais de seu café, disse o diretor gerente da Kyagalanyi Coffee Ltd., um exportador de café de Uganda, David Barry.

O rendimento das colheitas de café da África é o menor do planeta, devido em grande parte às plantas velhas em solo ruim, disse o presidente da World Coffee Research, Tim Schilling. A mudança climática aumentará os desafios, incluindo insetos e doenças. Entretanto, um modelo preditivo mostrou que o Brasil perderá 50% de suas terras de produção de café até 2050, enquanto a África perderá 15% a 20%. “Isso mostra que a África está tendo essa maior vantagem competitiva com relação a outros países produtores”, disse Schilling, o que torna os países produtores de café do continente adequados para investimentos.

As informações são do The Wall Street Journal/ Tradução por Juliana Santin 

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