O indicador Cepea/Esalq do arábica foi cotado a R$ 350,41/saca na sexta-feira (29), com valorização de R$ 28,59/saca (+8,88%) no período analisado (18 a 29 de outubro). Em relação ao mesmo período do ano anterior a valorização é de 33,26%.
Já em relação ao conilon, o indicador Cepea/Esalq registrou alta de R$ 9,72/saca na quinzena, fechando a R$ 181,20/saca no último dia útil de outubro.
Gráfico 1. Indicador Cepea/Esalq - arábica X conilon, em R$/saca

Tabela 1. Indicador Cepea/Esalq e câmbio

No dia 29, a moeda americana (PTAX compra) fechou a R$ 1,7006, com variação positiva de 1,97% na quinzena. A alta do dólar, somada a alta da saca de café, proporcionou valorização de 7% no valor da saca de café em dólares, que está valendo US$ 206,05/saca.
As más condições climáticas nos principais países produtores têm sustentado as cotações do café em patamares elevados. O Vietnã, maior produtor de café robusta vem registrando chuvas acima da média que estão atrasando a colheita e exportações. Questionamentos sobre a produção na Colômbia também colaboram para alta.
Se não bastasse isso, México e Indonésia também enfrentam problemas com clima. Segundo a Organização Internacional do café, a produção de café da Indonésia foi estimada em quase 6% a menos que na safra anterior.
O grande índice de chuvas tem dado suporte aos futuros do robusta em Londres também.
No Brasil as condições das lavouras estão boas e as chuvas de outubro colaboraram para boas floradas. Porém, alguns cafeicultores estão preocupados com o desenvolvimento dessas lavouras, uma vez que as plantas precisam de umidade adequada para que a florada ocorra regularmente e forme grãos sadios. Devido ao baixo índice pluviométrico nos meses de agosto e setembro, em algumas lavouras as flores caíram do pé, impedindo a formação do fruto.
Como está o mercado na sua região? Utilize o formulário para troca de informações sobre o mercado de café, informando preços e o que está acontecendo no mercado de sua região.
Tal ocorrência, somada ao baixo ciclo de produção da cultura, acredita-se que o Brasil também produzirá menos no próximo ano.
Com tantas lavouras comprometidas, estoques mundiais baixos e demanda crescente, há preocupação com escassez do grão para o médio prazo, o que tem sustentado as altas.
O leitor do CaféPoint, Carlos Eduardo de Andrade, engenheiro agrônomo e pesquisador da Universidade Federal de Viçosa, comentou o artigo "Até onde vai o preço da saca de café?", dizendo que fazer uma análise da perspectiva de preço para café não é fácil. Ele disse que "está se fazendo muito alarde quanto a recuperação de preços, mas na verdade não houve essa recuperação.Os preços mais elevados são somente para os cafés de bebida mole e os cerejas descascados, ou seja, os cafés especiais. ""Desde início deste século o cafeicultor está amargando prejuízos".
Acrescentando mais, Carlos Eduardo diz que o produtor deve diversificar a produção em sua propriedade em pelo menos três atividades. Penso que talvez seja até conveniente diminuir a área existente com café na propriedade e melhorar a tecnologia de produção e a produtividade e a qualidade do café produzido. Quanto a diminuir os riscos de se perder o momento de se fazer a comercialização, a sugestão é parcelar a comercialização", finaliza ele.
Diante fundamentos, a bolsa de Nova York (ICE Futures US) registrou valorização. O vencimento dezembro/10 teve variação positiva de 17,85 centavos de dólar por libra-peso no período analisado, encerrando o dia 29 cotado a 203,45 centavos de dólar por libra-peso. Os contratos que vencem em março/11 também acumularam valorização de 17,85 centavos de dólar por libra-peso, fechando a 205,35 centavos de dólar por libra-peso.
A BM&FBovespa acompanhou NY e acumulou altas na segunda quinzena de outubro. O vencimento dezembro/10 registrou alta de US$ 20,75/saca, sendo cotado a US$ 239,45/saca (R$ 407,21/saca). O contrato março/11 fechou a US$ 242,00/saca (R$ 411,55/saca), com valorização de US$ 20,80/saca.
Gráfico 2. Indicador arábica Cepea/Esalq e contratos futuros BM&FBovespa, em 16/10/2010 e 29/10/2010

Na bolsa de Londres (Liffe), as cotações da tonelada do café conilon registraram valorizações no período analisado. O vencimento novembro/10 terminou o dia 29 cotado a US$ 1.965/tonelada, com alta de 18,95%. O contrato janeiro/11 terminou a US$ 1.970/tonelada, registrando valorização de 17,26%.
Tabela 2. Principais cotações de mercados futuros
