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Mesmo com oferta reduzida, mercado registra desvalorizações

Por Natália Sampaio Fernandes
postado em 01/10/2010

 

Como já vinha sendo informado através das previsões de tempo, as regiões produtoras de café do Brasil receberiam chuvas na segunda quinzena de setembro (16 a 30/10). Com isso, as cotações do arábica no mercado interno acumularam quedas. O Indicador Cepea/Esalq registrou baixa acumulada de R$ 14,26/saca, sendo cotado a R$ 318,81/saca na última quarta-feira (30).

Gráfico 1. Indicador Cepea/Esalq - arábica, em R$/saca



Os negócios ficaram lentos no período, visto que vendedores estão mais recuados a espera de novas altas. Já os compradores temem em pagar os preços elevados que a saca de café registrou nos últimos meses, por isso esperam novas desvalorizações.

A tendência de queda que se iniciou desde o dia 16 pode durar mais alguns dias, visto que as chuvas no Brasil devem continuar. Isso acontece, pois no curto prazo, há expectativas de que o fim da estiagem resulte em boa safra em 2011. Como já comentado no artigo da quinzena anterior, apenas essa ocorrência de chuvas não resolve o problema de possível prejuízo na safra em 2011. É necessária a continuidade de chuvas nos próximos meses para repor a água faltante no solo e, desse modo, garantir o pegamento da florada. Pela ocorrência do La Niña o verão deve ser mais seco que o normal.

Mesmo com a queda nos preços, a oferta mundial ainda segue restrita e os estoques em níveis baixíssimos. Em 2004, os estoques mundiais de café eram superiores a 5 milhões de sacas de 60 kg. Desde então, iniciaram uma trajetória gradual de queda, atingindo 3 milhões em 2009. Este ano, com a baixa oferta internacional ocorrida pelas quebras da Colômbia, a cifra desabou para 1,99 milhão de sacas em 16 de setembro. O processo de recomposição desses estoques é lento, e é necessário no mínimo uma temporada para recuperar os níveis após uma quebra. No entanto, o próximo ano promete novas turbulências.

Tabela 1. Indicador Cepea/Esalq e câmbio



O indicador Cepea/Esalq para o conilon acumulou alta de R$ 2,12/saca na quinzena e foi cotado a R$ 171,16/saca. Países produtores de conilon têm enfrentado dificuldades em relação ao clima, o que tem prejudicado os grãos e atrasado a colheita, reduzindo a oferta.

O dólar (PTAX) encerrou o mês com queda de 0,65%, sendo cotado a R$ 1,6934. Na quinzena, a moeda norte americana registrou baixa de 1,41%. Segundo Infomoney, mesmo após realização de novo leilão de compra de dólar no mercado à vista pelo Banco Central, a moeda norte-americana continua sua trajetória de queda. A cotação da saca do café arábica em dólares acumulou queda de 2,91% na quinzena, sendo cotada a US$ 188,26.

Em função do bom volume de chuvas no Brasil as cotações do arábica na bolsa de Nova York (ICE Futures US) acumularam quedas no período analisado.

O vencimento dezembro/10 teve variação negativa de 8,75 centavos de dólar por libra-peso no período analisado, encerrando o dia 30 cotado a 183,05 centavos de dólar por libra-peso. Os contratos que vencem em dezembro/10 acumularam desvalorização de 8,20 centavos de dólar por libra-peso, sendo cotado a 184,55 centavos de dólar por libra-peso.

A BM&FBovespa acompanhou NY e acumulou quedas na segunda quinzena de setembro. O vencimento dezembro/10 registrou queda de US$ 11,70/saca, sendo cotado a US$ 216,35/saca (R$ 366,37/saca). O contrato março/11 fechou a US$ 217,00/saca (R$ 367,47/saca), com queda de US$ 11,00/saca.

Além das dificuldades que devem ser enfrentadas para produção de 2011 no Brasil, na América Central, a temporada de furacões pode abalar novamente a colheita. Na Colômbia, o clima deve influenciar negativamente a produção pela terceira vez seguida: lá o efeito do La Niña é o oposto do que ocorre no Brasil, causando maior incidência de chuvas.

Tais fatores colaboram para que os preços voltem a subir e que o mercado fique firme novamente.

Gráfico 2. Indicador arábica Cepea/Esalq e contratos futuros BM&FBovespa, em 16/09/2010 e 30/09/2010.



Na bolsa de Londres (Liffe), as cotações da tonelada do café conilon registraram altas no período analisado. O vencimento novembro/10 terminou o dia 30 cotado a US$ 1.722/tonelada, com alta de 4,17%. O contrato janeiro/11 terminou a US$ 1.746/tonelada, registrando valorização de 4,24%.

Tabela 2. Principais cotações de mercados futuros



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Comentários:

dargo da matta miranda

Belo Horizonte - Minas Gerais - Produção de leite (de vaca)
postado em 01/10/2010

Prezados Senhores,
Num quadro de escassez a variação de preços pagos pelo café, embora positiva, não consegue acompanhar a de outras comodities agricolas e não consegue estimular novos investimentos nem em tecnologia e nem em aumento da área plantada com café.
Esses preços nao estimulantes parece que trazem consequencias negativas a produçao em escala mundial afetando os cafeicultores brasileiros e tambem nos principais paises produtores como a Colombia, o México e o Vietnã que também não estao renovanddo seu parque cafeeiro e utilizando baixa tecnologia na conduçao de seus plantios.
No Brasil ainda se somam problemas de meio ambiente que nao permitem a expansao de áreas em topos de morros e encostas e baixo nivel de concorrencia da cafeicultura nas areas mecanizaveis em relaçao a soja e cana de açucar.
Esse quadro vai indicando que a oferta não sera equalizada com a demanda no curto no medio e especialmente no longo prazo.
Não se ve na minha regiao, centro oeste de Minas, nenhuma área aberta para o plantio de cafe. Muito esquelatamento e recepas.
As lavouras estao depauperadas, desfolhadas, em funçao do trato culturas deficiente e a seca no pos colhleita.
As decisoes de agora é que influenciam a produçao nos proximos 4 a 6 anos. O quadro é preocupante e de pouco otimismo. Aqui e fora do Brasil.
Vamos aguardar

CLAUDIO HONORATO DE SOUZA

Mutum - Minas Gerais - Consultoria Técnica Comercial
postado em 02/10/2010

Parabéns pelo o artigo, a reflexão do mercado está se voltando cada vez mais através das mudanças climáticas em toda regiões cafeteiras, e da procura sobre de cafés de qualidade no mercado, a região da zona da mata, sofreu muito esta sofrendo os efeitos climáticos, como anunciado chuvas chegaria a partir da segunda semana de setembro, mas regiões do leste mineiro, com divisa com Espírito Santo, só apareceu alguma chuvas, em torno de 10 mm de chuvas até o momento.
No entanto isso sim já prejudica as lavouras dessa região de café, a florada será muito prejudicada.
Continua sempre nessa visão de tentarmos mudar a cafeicultura Brasileira.

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