Excluindo as explicações óbvias - apelo sentimental relacionado a qualquer comentário com a palavra "criança" -, é evidente que a comparação com o PIB é chamativa vinda de quem veio. Embora a preocupação com o "futuro do nosso país" seja correta, quem acompanha o cotidiano do governo federal sabe que poucos temas preocupam tanto quanto o crescimento econômico. Pressionada por projeções que não se materializarão, Dilma faz o que pode para estimular a economia. Afinal, é bastante provável que a própria presidente considere que a melhor solução para as difíceis condições de vida de milhões de crianças e adolescentes brasileiros seja a promoção de mais crescimento econômico.
Talvez nem seja o caso de analisar a fundo o que o Brasil tem feito por suas crianças. Conforme observa Clóvis Rossi em texto recente, provavelmente o país esteja fazendo ainda menos nesse quesito. Tampouco devemos culpar a presidente pelas mazelas na área; quem conhece o assunto sabe que estamos diante de problemas que nos afligem há muito tempo. O que sim, pode ser feito, é um lembrete sobre o que falta para que o Brasil possa crescer sem tirar o sono de Dilma e de seus funcionários. E a resposta, se a intenção é colocar o país nos eixos para o médio e o longo prazo, passa por uma abordagem mais corajosa de diversos gargalos institucionais existentes na atualidade.
Estimular o consumo é uma alternativa, mas não a única. Inclusive, se acompanhada do endividamento excessivo das famílias, pode trazer enorme dor de cabeça no futuro. Em um momento de incerteza no cenário econômico, a presidente Dilma poderia aproveitar para iniciar uma campanha séria por reformas estruturais no Brasil. O que tem sido feito com a questão dos juros, em outras palavras, poderia ser estendido a outras áreas de interesse da administração pública. Em um momento em que o Congresso Nacional explora os limites da irresponsabilidade - seja ela ética ou fiscal -, vale a pena usar o argumento da crise para sensibilizar os parlamentares.
Para tanto, é preciso que o governo assuma, com todas as letras, que o momento é difícil, exigindo a evolução institucional do Brasil. Embora esperemos que a economia crescerá em torno de 2% em 2012, a previsão oficial segue firme nos 4%, quando o interlocutor é um funcionário da Fazenda. Ninguém questiona que otimismo é uma qualidade fundamental para alguém que, trabalhando no governo, pode influenciar as expectativas dos agentes. Dado que tudo indica que o ano não será de vacas gordas, porém, não seria a hora de escolhermos outras prioridades?
O discurso pode parecer derrotista mas, no longo prazo, ganhamos muito com isso. Reconhecer que o cenário exterior nos afeta pode não render votos, mas instauraria debates relevantes, como um questionamento mais sério sobre os gargalos para a nossa economia. Uma reforma tributária ou uma discussão séria sobre a reforma política já bastariam para darmos o pontapé inicial. Concretizando parte das reformas estruturais que o Brasil precisa, provavelmente Dilma terá menos motivos para recorrer à comparação feita em seu discurso: tanto o crescimento econômico quanto as nossas crianças, que poderão crescer em um país mais avançado institucionalmente, agradecerão.













Reinaldo Foresti Junior
Campanha - Minas Gerais - Produção de café
postado em 20/07/2012
O Mestre em um dos momentos mais felizes de sua profunda pregação proclamou em bom tom: ¨Deixar vir a mim as crianças, pois delas é o reino do céu.Ä Presidente Dilma nesta conjuntura atual de crises sistémicas acontecendo nos países mundiais com destaque para a Europa em consequência dos abusos do mal uso do sistema financeiro pelos agentes envolvidos, brinda-nos com esperança realizável e positiva para o futuro as crianças e adolecentes do nosso país estrategicamente lembrados.Os articulistas analisam com profunda sensibilidade o tema inserido e atestam o grande valor das palavras proclamadas pela Presidente em um desabafo alvissareiro.Parabens .