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Squeeze em Londres e queda nas exportações

Por Rodrigo Correa da Costa
postado em 13/02/2012

 

Longe de encontrar uma solução definitiva para dívida grega, os líderes dos principais países da região pressionam Atenas para implementar novos cortes no orçamento que ajudarão a reduzir a relação da dívida / PIB dos 160% para algo em torno de 130%. Com isso provavelmente o país aprofundará a recessão, mas ao menos o remendo permitirá a rolagem da dívida, contendo por ora a contaminação para Portugal, Irlanda e Espanha. Ou seja ganha-se tempo para que estes países façam a lição de casa e eventualmente daqui há dois anos caso os gregos se adaptem a pagar impostos (sabe-se lá com que tipo de renda) estará tudo bem. Caso contrário expulsa-se o país da moeda da comum, com a esperança de que a União Européia esteja em melhores condições econômicas para aguentar o tranco.

O vai e vem de notícias sobre o tema acabou pondo pressão nas bolsas européias que caíram em torno de 1% nos últimos dias, e só não pressionaram mais os principais índices das commodities por conta da alta do complexo de energia.

O mercado de café teve comportamento misto com o arábica fechando o período virtualmente inalterado, enquanto o robusta em Londres teve uma forte alta de US$ 9.42 por saca no primeiro mês de negociação.

A alta no contrato de março causou a inversão do spread que saiu de um desconto de US$ 26 por tonelada para US$ 60 por tonelada de prêmio.

A demanda do café robusta (dado o preço mais barato) junto com uma redução do volume embarcado pelo Vietnã, e a concentração dos estoques certificados na mão de poucos, fez com que os participantes que estavam vendidos encontrassem poucos interessados em prover liquidez com o mercado em carry (primeiro mês mais barato do que os demais). Além disto a posição vendida de um grande número de calls (opções de compras) forçaram delta-hedge (compra de futuros).

Nova Iorque mais uma vez ensaiou uma consolidação acima de US$ 220 centavos, mas não conseguiu segurar a venda de um fundo que ao vender próximo de 800 lotes causou uma queda de US$ 4 centavos em menos de um minuto (parece que o mesmo fundo vendeu mais de 1000 lotes no açúcar também). A queda ajudou a indústria a cobrir um pouco mais do flat-price (comprar futuros) principalmente depois de uma melhor movimentação no mercado físico.

No Brasil a saca do café fino negociada abaixo de R$ 500 (pela primeira vez desde agosto de 2011) ajudou o fluxo de negócios (antes da queda da bolsa). No mercado FOB foi reportado um bom volume de venda com descontos próximos de US$ 10 centavos por libra de "good-cups" para embarque a partir de abril de café brasileiro. O nível, historicamente é "caro", mas considerando o custo de reposição o valor é baixo.

A OIC durante a semana revisou sua estimativa da safra mundial de café para ao ano-safra 11/12 de 132.4 milhões de sacas para 130.9 milhões de sacas, reduzindo a safra de Etiópia de 9.8 milhões para 8.3 milhões. Desta forma se o consumo é de 135 milhões, estamos falando que o atual ciclo fechará com um déficit de 4.1 milhões de sacas. Lembrando que Etiópia ultrapassa a Colômbia se tornando o 4º maior produtor.

A falha do "C" em manter os ganhos e a diminuição da posição vendida dos fundos tira um pouco do gás dos altistas. Entretanto com a diminuição das exportações brasileira no mês de janeiro - que totalizaram 2,06 milhões de sacas ou o menor número desde junho de 2008 - e uma expectativa de volumes abaixo de 2 milhões nos próximos meses, juntamente com um interesse de compra da indústria e preços mais altos do robusta, devem prover suporte nas quedas e eventualmente trazer os fundos para cobrirem suas posições vendidas.

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Rodrigo Correa da Costa    Nova Iorque - Nova Iorque - Estados Unidos

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