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Cláudio José da Fonseca Borges

"É possível obter, consistentemente, o custo de produção?"


Enviado em 17/03/2008

Prezado Senhor José Eduardo Reis Leão Teixeira, gostaria de externar minha opinião enquanto produtor, referente ao seu artigo "As possíveis soluções - profissionais - para o problema ‘Produzir café arábica com lucro estabelecido‘", publicado na seção Espaço Aberto, do CaféPoint.

Em primeiro lugar, vamos analisar o produto café:

Café não é remédio, não é alimento e portando não é um artigo de primeira necessidade.

O café é um produto demandado mundialmente, que o Brasil tem clima e terra própria para produzir e o país deveria tratar o café dessa forma: uma fonte de recursos e um caminho para o Brasil apresentar superávit na balança comercial, além de gerar riquezas e manter a grande sociedade cafeeira onde ela deve ficar, junto da sua lavoura e longe das cidades e suas "favelizações" provocadas pelo êxodo rural.

Enquanto confundirmos o produto café com o cafeicultor, a coisa não vai andar.

Café é um produto, que assim como a coca-cola o povo gosta de beber, muito embora não precise dele para nada.

Os únicos interessados, que realmente precisam do nosso produto, são em primeiro lugar nós mesmos produtores, que investimos em lavouras, em tecnologia etc e precisamos ser remunerados por essa estrutura produtiva instalada, os intermediários (os que mais ganham no processo) e os governos e políticos dos estados produtores que auferem enormes benefícios às custas dos produtores, e se valem da cafeicultura para manter um grande contingente a área rural.

Outro fator de estresse é que ninguém, repito, ninguém conhece os números dos estoques junto aos importadores.... é tudo um chute só!

Agora vamos falar do cafeicultor:

Falei, falo e falarei enquanto não houver uma mudança definitiva na postura de todos, que o produtor de café do sul de Minas Gerais (classe na qual me incluo) é o mais egoísta do país. Não temos espírito de corpo como tem diversas classes, à exemplo dos políticos, dos advogados, dos juízes, dos sindicatos etc.

Se tem alguma coisa próxima, porém muito longe ainda de um espírito de união, essa coisa se chama cooperativa, que há muito deixou de ser parceira para ser agente financeiro do cafeicultor.

Agora vamos falar da sua idéia:

Obter consistentemente o custo de produção regionalizado é uma coisa muito complicada, é preciso colher tudo, fechar os números, dividir a quantidade gasta (insumos, mão de obra, colheita, beneficiamento etc) pela quantidade de sacas colhidas.... ninguém até agora sabe ao certo quantas sacas colhemos em 2006/2007.

O risco de ficarmos dependentes de órgãos estatísticos incompetentes é enorme.

A Conab fala em 44 milhões de sacas para a próxima colheita e o resto do mundo fala em mais de 50 milhões.... não dá para confiar em ninguém, concorda?

Existem estudos sobre a produtividade de sacas por hectare, sabemos quantos pés cabem num hectare (usando espaçamento médio), sabemos quanto é necessário de defensivos e adubos para fazer 1 ha produzir a média nacional, e sabemos a média nacional de pés por hectare. Todos sabem e é por isso que eu, você e todos da cadeia cafeeira (inclusive os astutos políticos) sabemos que os preços médios estão abaixo dos custos de produção.

Falar em custos por região também é difícil... minha lavoura fica na montanha, a do vizinho na baixada, eu colho com turmeiros e panhadores exploradores, já meu vizinho usa máquina para colher.... eu espero a chuva, meu vizinho irriga.... eu não tenho toda a estrutura de beneficiamento, etc, etc, etc.... vamos ficar anos levantando dados e não vamos chegar a um valor médio de custo que atenda ao grande e nem ao pequeno produtor.

A solução para evitar uma quebradeira no setor:

1) Criação de associações de produtores que podem dessa forma comprar insumos mais baratos, dispor de uma estrutura de beneficiamento e seleção de grãos e vender sua produção diretamente ao consumidor final sem precisar de cooperativas. Em Carmo de Minas uma saca já alcançou os incríveis 15 mil reais. E lá a coisa funciona - e bem - porque existe uma associação forte.

2) O Brasil tem apenas 500 anos e, como um jovem, deveria seguir os ensinamentos dos mais velhos. E o que os mais velhos estão nos ensinando é que o meio rural só funciona bem quando é subsidiado, e ajudado pelo governo. Na Europa, nos EUA, no Canadá etc todo mundo é subsidiado... eles sabem que não existe outra forma de impulsionar o agronegócio e não serei eu que irei discordar deles.

Então o caminho é esse. O governo deveria incentivar e até obrigar (já que é um dos maiores beneficiários da cafeicultura) a criação de associações de produtores que, num trabalho conjunto com as prefeituras, vão viabilizar condições estruturais, nas quais o pequeno produtor terá um ponto de apoio para escoar sua safra.

Os subsídios viriam para as associações distribuírem entre os associados de acordo com critérios pré-definidos.

Com todo respeito, estudei muito a minha situação como produtor, vou a congressos, feiras etc e acompanho tudo sobre o café e sei o que estou falando. A solução está hoje na criação de associações de produtores assim como há décadas a solução criada foi as cooperativas.

Quer vender uma saca por 15 mil reais? Faça parte de uma associação a exemplo dos companheiros de Carmo de Minas. Não conheço outro exemplo de sucesso melhor do que esse.

Associação, remédio contra fornecedores inescrupulosos e compradores especuladores.

Além de produtor, adoro tomar café, tomo mais de 1 litro por dia, há anos. Porém, se for obrigado a parar de tomar café amanhã não vou me importar, não sou viciado, apenas gosto do sabor do meu cafezinho, que tomo sem adoçante ou açúcar.

Tomo puro e espero alguns segundos para minha boca adoçar, pelo açúcar natural da fruta, que é transmitido para a semente de forma gradual através de uma boa secagem feita no terreiro.

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 18/03/2008

Prezado Sr. Cláudio Fonseca Pereira Borges,

Sua carta, em resposta a meu artigo, foi o que considero excepcional, pois manifestando sua linha de pensamento nos dá a oportunidade de debate e apenas assim acontecerão formações de opinião.

Desta forma, irei rebater alguns pontos apresentados, conforme minha visão, sendo que elegerei hoje apenas um para discutirmos e assim sucessivamente, durante o tempo que for preciso, até que possamos ter elementos consistentes para formarmos um juízo profissional e efetivo.

O ponto escolhido hoje, por mim, será o custo de produção.

Discordo de sua posição quanto a "obter consistentemente o custo de produção regionalizado é uma coisa muito complicada, é preciso colher tudo, fechar os números, dividir a quantidade gasta (insumos, mão de obra, colheita, beneficiamento etc) pela quantidade de sacas colhidas.... ninguém até agora sabe ao certo quantas sacas colhemos em 2006/2007".

O raciocínio de "ser coisa complicada, é preciso colher tudo" é o fator de maior impacto e importância para a efetiva quebradeira dos cafeicultores. Considero este como sendo o vilão nº 1 do produtor, ou seja, esperar colher o café para saber quanto custou uma saca para o mesmo.
Na realidade, este procedimento, que é usual entre alguns cafeicultores, que se consideram mais eficientes, tem de efeito prático apenas dois caminhos: o cardiologista, caso os custos tenham sido maiores que o preço de venda, ou então a praia, caso os custos sejam inferiores.

Seria como se estivesse num cassino a jogar, teria sorte ou azar. Agora, pense bem, considera seu negócio ser tratado como uma coisa de sorte ou azar?

Não seria profissionalmente correto e seguro simplesmente planejar antecipadamente seu custo de produção, em função do preço de venda, bem como estabelecer sua margem de lucro?

Gostaria que, para não nos perdermos em retóricas desnecessárias, fossemos discutindo paulatinamente as posições.

Acreditaria, profissionalmente, que não seja possível criar seu próprio custo, bem como estabelecer seu lucro, considerando para isto qualquer cenário de preços de venda?

Com você a palavra, para assim continuarmos. Apenas lhe peço que concentremos a atenção ao foco do item discutido.

José Eduardo Reis Leão Teixeira

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 18/03/2008

Caro Sr. José Eduardo,

Para embasar minhas colocações, é necessário dizer como controlo minha propriedade rural, que além de café também engordo gado de corte extensivamente.

Controlo minha propriedade dentro do conceito empresarial.

Tenho meu plano e contas, os custos, as despesas e as receitas mensais são registradas em planilhas, que são sintetizadas num fluxo de caixa.

Dessa forma tenho a clara noção dos meus custos operacionais, das minhas despesas administrativas e das minhas receitas com a venda do café, enfim trabalho de maneira profissional administrando os custos e principalmente as ilusões da minha atividade cafeeira.

Tendo em vista que estou no quinto ano de colheita, e baseado nos acontecimentos passados, faço meu orçamento anual e procuro cumprir as metas pré-estabelecidas para meu negócio durante o próximo ano.

Posteriormente faço um comparativo entre o orçado e o realizado, detecto onde os gastos foram maiores que os previstos e traço planos para reduzi-los no próximo exercício.

Por isso posso afirmar que os custos de produção da minha lavoura nunca se repetiram de um ano para o outro.

O aumento dos custos de produção durante esses anos ( adubos, defensivos, mão de obra, colheita, beneficiamento do café e escoamento da safra ) vieram num crescente e a produção da minha lavoura sofreu oscilações durante esse período.

Então, em cada ano eu tive um custo de produção, que pela média simples de três anos, gira em torno de R$ 220,00 duzentos e vinte reais a saca produzida.

Se for calcular nos últimos 4 anos dá outro valor assim como nos últimos 5 anos também o valor é outro.

Meu maior custo de produção é o processo da colheita e o posterior beneficiamento, que representa 50% do meu custo total. Ela é meu foco!

Ano passado ( a colheita foi menor ) e o custo por saca foi de R$ 230,00 . Ano retrasado a colheita foi maior e o custo por saca produzida foi de R$ 180,00 .

Para mim, o correto é calcular os custos médios de no mínimo três safras.

Porque insisto que o custo real o cafeicultor só sabe no final da colheita ?

Simples.

Quando fico sabendo quantas sacas foram produzidas?

Só depois que todo o café foi beneficiado e ensacado eu sei o total da minha produção... Antes disso é só especulações e estimativas ( muitas vezes erradas como as da Conab) , mas a quantidade realmente produzida , só depois do café ensacado.

O próximo passo é somar os custos de produção com as despesas administrativas e dividir o valor encontrado pela quantidade de saca produzida e vc terá o custo para produzir uma saca.

Minha lavoura é dividida em 6 talhões, e cada ano é diferente do ano que passou em termos de produtividade em cada talhão... o talhão que produziu mais num ano, no outro costuma quebrar a produção...

A colheita , como todos os cafeicultores sabem, é feita da seguinte forma:

O primeiro contato é com o turmeiro, que vai na sua propriedade e calcula mais ou menos quantos balaios serão colhidos, por talhão e portanto em toda lavoura... ele também calcula qual o talhão tem mais café para ser colhido, e o que tem menos.... naquele que tem mais, dá para fazer um preço mais baixo do que aquele que tem menos, nos quais os preços serão maiores, pois rende menos balaios para os "panhadores".

Os turmeiros calculam a média de balaios que deverá ser colhida por cada "panhador", divide o valor de um serviço diário ( que na minha região é em média R$ 30,00 o dia - e é bom lembrar que esse valor é um para cada região do país) e calcula qual será o valor de cada balaio colhido. É claro que nunca o "panhador" ganhará apenas os R$ 30,00 diários que ele ganharia fazendo outra coisa qualquer.... para colher café tem que pagar um pouco mais do que normalmente é pago a um trabalhador rural por dia.

Minha lavoura é no morro, não posso colher de máquina !

No cerrado mineiro e na bahia só se colhe com máquinas, pois as lavouras por lá são nas planícies.

Ou seja cada propriedade tem seu próprio custo de produção.

A lavoura do meu vizinho está menos carregada que a minha, então o preço do balaio para ele é maior.... meu outro vizinho tem sua lavoura numa região muito mais íngreme que a minha e apesar de ter uma produção maior, lá é mais difícil de colher, então o preço para ele ( apesar da quantidade de balaios colhidos ser maior), é maior que o meu.

Outra variável que incomoda muito e acontece na época da colheita é a seguinte:

As lavouras de uma mesma região costumam amadurecer no mesmo período... porém tem aquelas nas quais os frutos amadurecem mais rápido e começam a cair e a necessidade de colher rapidamente é imediata . Se todas as turmas estão ocupadas, vale a máxima da oferta e da procura.... o produtor que tem urgência acaba pagando mais caro para colher mais rapidamente sua produção, o que acaba gerando referência de preços e inflaciona os custos.

Vamos falar de outra variável que interfere de maneira conclusiva nos custos e que também cada propriedade tem a sua .... O Adubos....

Todas as minhas análises de terra mandam fazer 4 adubações químicas, que giram em torno de 150 gramas por cada pé em cada uma das 4.

Isso é mais ou menos um padrão para lavouras com mais de 5 anos.

Como iniciei minha atividade pecuária no ano passado, neste ano fiz 3 adubações químicas e uma de esterco ( que foi a melhor delas) ...

Portanto meu custo com adubação ficou menor do que ano passado e menor do que meu vizinho que não tem esterco de gado de graça como eu tenho.

Meu custo que já era diferente dele por causa da colheita, fica mais diferente ainda por causa da adubação.

Eu adubo na mão, meu vizinho que tem irrigação, aduba irrigando, o outro aduba com trator....

Como meu fluxo não permite que eu compre os adubos e pague à vista e mais barato, tenho que financiar e pagar juros por isso.

E a mão de obra?

Tenho dois funcionários registrados que além de cuidar da minha lavoura, cuidam também do gado ( atividade que divide os custos com o café) .

Minha lavoura tem 40 mil pés divididos entre a variedade catuaí ( no morro) e mundo novo ( nas baixadas) .

Tenho um vizinho que tem 3 funcionários para tocar a mesma quantidade de café que eu toco e ele não tem outra atividade para dividir custos.

Enfim, todas as variáveis realmente variam de lavoura para lavoura impedindo dessa forma que falemos em um custo único por saca de café produzida no Brasil ou até mesmo por região....

Outra coisa muito pouco inteligente é comparar meu alto custo com o alto custo do meu vizinho... eu e ele fazemos um café mais caro que em outras parte do mundo....

Tenho que me comparar com a bahia onde se faz café com custo menor que o meu no sul de minas, tenho que me comparar com a áfrica, onde a mão de obra é quase de graça e a saca de lá é muito mais barata que a minha.....

Se no Brasil os custos estão altos e isso se reflete no preço da saca de café, a Starbucks para de comprar café no sul de minas e vai comprar no oeste da áfrica, na América central ou onde a saca for mais barata.

O Brasil a médio prazo é substituível tanto na produção de café de qualidade, quanto nos preços finais cobrados pela saca.

E se aumentar muito o preço, as pessoas param de tomar café e vão tomar outra coisa... chá talvez.

Os preços do café caíram assustadoramente no início da semana por três motivos, a saber:

1 ) Recrudescimento da Crise financeira mundial, com epicentro nos EUA e suas hipotecas sub-prime que abalaram todos os mercados nesta segunda-feira;

2 ) A molecagem de exportadores e órgãos do governo quanto à especulação sobre a produção do Brasil em 2008 , se 44 ou 54 milhões de sacas .

3 ) Divulgação de uma pesquisa no final da semana passada constatando que os EUA, maior consumidor mundial, estão bebendo menos café

Conclusão:

A solução para a cafeicultura nacional deverá ser buscada em duas áreas, a saber:

1) O Governo incentiva e dá condições para a criação de associações de produtores de café por regiões, o que viabiliza as prefeituras buscarem recursos a fundo perdido para construir e concretar terreiros nas pequenas propriedades, estruturar local para receber a safra, efetivar o beneficiamento e seleção dos grãos, e assim a associação terá um produto que deverá ser vendido direto aos consumidores e exportadores , sem a intermediação de cooperativas ou seja lá quem for. Isso funcionou em Carmo de Minas e no cerrado mineiro, porque não pode funcionar em outras regiões?

2) Criar um subsídio para o cafeicultor em função da quantidade de sacas produzidas em média, para reduzir os problemas financeiros gerados pela característica bi-anualidade da lavoura de café.

Por último, insisto na criação de subsídios para a cafeicultura . O mundo todo subsidia a agricultura , pois sem subsídios o agricultor fica à mercê da bi-anualidade da produção, do tempo, dos bancos, das cooperativas e das especulações.

Não dá para subsidiar a pecuária, pois produzimos a melhor e mais barata carne do mundo, no milho e na soja é a mesma coisa, mas no café não.....

Com o café é diferente. O café produzido no Brasil está ficando caro em comparação às novas áreas de produção mundial e apesar dos esforços, continua mal divulgado e com fama de ruim..... para os gringos, café bom é o colombiano que salvo engano é subsidiado por programas governamentais....

Para mudar essa imagem de produtor de commodities de baixo valor agregado o governo brasileiro deve atuar decisivamente na criação de subsídios e criação de associações que defendam os interesses dos cafeicultores , ou cruzar os braços e vê toda uma classe de produtores e trabalhadores sucumbir diante da inescrupulosa cadeia produtiva de café .

Em tempo: Assisti a uma palestra do presidente da associação dos produtores de café do Carmo de Minas...lá ele ensinou como reduzir os custos com insumos e também como valorizar a produção do cafeicultor.... um lote de café produzido por um de seus associados foi negociado ao valor de R$ 15.000,00 a saca.... repito 15 mil reais a saca....alguém já pensou que isso fosse possível?

É isso que faz a diferença..... criar associações para comprar melhor, beneficiar e selecionar grãos sem a interferência de terceiros e vender uma saca a preço de ouro..... o resto é prejuízo, e ilusões a serem administradas.

Forte abraço.

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 18/03/2008

Caro Sr. Cláudio

Em minhas respostas, procurarei ser mais direto, para não perder assim o foco. Compreendo perfeitamente tudo e todas os pontos que você coloca. Se fosse a pensar em 10 anos atrás, também concordaria com você em todos os aspectos. Acontece que, atualmente, não penso mais assim.
Da mesma forma que você, com a diferença apenas em tamanho, sendo que meu parque cafeeiro era bem superior ao informado por você, bem como também criava gado de leite, corte, além de cereais, como soja e milho.
Em questão de controles, posso lhe assegurar que os meus eram completos. Este fato, de possuir controles rigorosos, foi provocado por minha especialização em "controles de qualidade" , mas veja bem, o único efeito prático que este rigoroso contole provocou foi a certeza que estava indo na contra-mão dos lucros, pois ano-a-ano, com raras exceções, não via o lucro.
Eu havia me transformado num "pedinte", pois o que eu apenas queria era o paternalismo governamental, além de empréstimos financeiros.Esta situação de "eterno pedinte", a mim, fazia um mal danado.
Vamos lá!
Aprendi que:
O meu maior erro estava exatamente em acreditar, assim como você, por ser eu um exímio controlador, haveria de ser eficiente e desta forma se houvessem erros e claro que haviam, seriam do preço de venda, ou de qualquer outro motivo, contanto que não fossem pela minha aludida eficiência, afinal exercitava os "controles".
Grande e desastroso engano; estava eu indo pro buraco! E pra isto não precisaria ser especialista para adivinhar, pois bastaria observar que eu ficava antenado paraem saber onde e quando sairia mais dinheiro financiado. A minha sorte foi que a razão e a prudência falaram mais alto e não me atolei em dívidas. Sabia que se entrassse em financiamentos vários acabaria sendo não um cafeiucultor, mas sim um escravo do sistema.
Bem, o problema analisado sem o fator emoções e após ter afastado de minhas propriedades foi devidamente apontado: controlar não resolve nada, absolutamente nada, a não ser que tenha planejamento e que este defina claramente o que deverei controlar e principalmente quais serão os itens de controle.
Então, após este raciocínio e resgatando meus conhecimentos e experiências do setor de construções, percebi que faltava planejar toda e qualquer ação antecipadamente. Isto, evidentemente incluia os custos. Mas quais custos deveria eu me preocupar ou calcular? Seriam os custos unitários, ou seja, por saca de café colhido, ou seriam os custos de produção da atividade, considerando neste caso as despesas da propriedade cafeeira como um todo?
Bem, desta forma, resolvi colocar em prática este novo conceito, na área rural, pois mundialmente é utilizado com eficiência, há décadas e sendo que eu mesmo o utilizava com abundância nos setores de construção civil e pesada.
Traduzindo, em termos práticos, o custo unitário de uma saca de café, visto sob o prisma de um planejamento consistente, se traduz simplesmente com um sub-produto, ou seja, primeiramente se procura pela eficiência do negócio como um todo.
O que significaria eficiência do negócio como um todo? O conceito é simples e sua aplicação é mais simples ainda.
Veja: para planejar eficientemente precisaremos atacar acentuadamente a linha de produção, ou seja, quanto maior e mais eficiente em produtivade, melhor. Em contra-partida a uma produão e produtividade "maior possível", deveremos consideraro preço de venda do café, como sendo realisticamente baixo, isto mesmo, baixo!
Desta forma, teremos dois fatores: Produtividade alta e preço baixo de venda. Faltaria o essencial: fazer os custos.
Sobre isto, estamos começando a discutir.
Percebendo claramente ser você uma pessoa com acentuada formação profissional e cultural, gostaria de sua resposta sobre uma questão que terá relevância total neste aspecto e acreditando que saiba.
Na década de 80, aqui no Brasil, começaram os estudos a avaliações sobre desperdícios. Desperdicios nos setores da industria e comércio. No setor da construção civil, o qual se achava eficiente, devido ao alto nível dos profissionais e empresários envolvidos, qual foi o percentual de desperdício de produtos? Qual foi também o percentual de desperdício quanto à ineficiência operacional com causa na falta de padronização das mais diversas atividades nos mais variados processos? Em conjunto, somando os desperdícios de produtos e operacionais, quais foram estes? Você consideraria, de forma geral, que o segmento produtivo cafeeiro, hoje, possui eficiência gerada por profissionalismo gerencial a maior que o segmento da construção, mesmo considerando a década de 80?
Espero sua resposta, para assim, darmos continuidade e preparando os ânimos para fatos relacionados a eficiências e ineficiências em questões de custos produtivos...

José Eduardo

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 18/03/2008

Prezado Sr José Eduardo.

Continuando nosso debate ...

Tem coisas sobre as quais vou discorrer, que me obrigam a explicar porque acredito que calculo os custos de forma correta.

Bom, sobre construção civil :

Não sou expert , minha área é administração de empresas, mas participei de um projeto de duas grandes incorporadoras e construtoras aqui de BH , que nos contratou para propor um modelo de gestão/controle de custos que atendesse os interesses das duas; uma possuía 40 % e outra 60% de participação nos custos e receitas do projeto.

Cada empresa entraria com sua cota-parte nos custos e auferiria a sua cota-parte nos lucros.

O Projeto: Incorporação e Construção de um condomínio fechado com 12 torres de apartamentos.

Como saber quanto que cada empresa deveria aportar de capital para fazer frente aos custos de implantação e desenvolvimento das construções ?

Solução apresentada : Criação de uma Sociedade com Propósito Específico - SPE . Essa empresa centraliza a operação efetivando o controle econômico / físico-financeiro e prestando contas. Ou seja : pagava em cima das medições efetivadas e fazia a devida chamada de capital. Controlava os grandes números

Por outro lado, tive a oportunidade de me relacionar com o engenheiro da obra e de custos que me apresentou seus orçamentos de custos, baseados em atividades que chegavam ao esmero de tanto detalhamento .

Exemplo : Uma determinada atividade precisa de "n" de quilos de pregos. Depois tinha o custo unitário do quilo de prego e o total de reais gastos com cada item, inclusive com os pregos naquela atividade.

Em outra oportunidade, o Cliente era uma construtora menor, que estava construindo 3 prédios e queria um acompanhamento individual como se cada prédio fosse um centro de custos separado, como eu acho que realmente deve ser.

Bom , resumindo, aprendi muito com meus Clientes da Engenharia Civil , aprimorei meus controles ( estou sempre aprimorando algo, incluindo um demonstrativo de resultados, até ebitda eu tenho nos meus controles) e vi que a coisa tem que ser controlada no detalhe.

É isso o que eu faço, controlo tudo e eu mesmo sou meu engenheiro de custos.

Minha atividade pecuária é controlada como outra empresa qualquer ... vou plantar milho para fazer silo, é uma atividade que gera custo dentro do centro de custos Alimentação , da atividade gado de corte dentro da empresa rural que também produz café que é uma atividade e tem seus centros de custos como mão de obra, insumos e defensivos , colheita , beneficiamento, transporte etc.

Depois, cada atividade é transportada para um consolidado que gera o fluxo de caixa e depois um demonstrativo de resultados.

Portanto, quando o senhor diz que "controlar não resolve nada, absolutamente nada, a não ser que tenha planejamento e que este defina claramente o que deverei controlar e principalmente quais serão os itens de controle" , o senhor está a concordar comigo, que sei exatamente quais são os itens a serem controlados na minha atividade e tenho um planejamento não só orçamentário ( vejo o problema antes que se instale) como também estratégico, uma vez que atuo na gestão, sabendo onde os custos devem ser cortados e já planejei antecipadamente o momento certo e como cortar.

Sei quais são os custos mais significativos ( lei de Parêto 80-20 ) e atuo para reduzi-los.... engordo gado, uso o esterco para adubar o café e reduzo meus custos com adubação em 22%, pois faria 4 adubações com adubo químico e só fiz 3. Seria 25% de redução se eu não tivesse que gastar com mão de obra e trator para puxar o adubo. Por isso os 22%.

Portando continuo achando que saber o custo da saca produzida é fundamental para quando o produtor for vender, saber exatamente se está tendo lucro ou não na venda, na atividade. Como são vários fatores a impactar o preço da saca, o produtor pode esperar os preços subirem e efetivar uma venda com lucro.

Como saber se você teve lucro ou não na sua atividade, se você vende uma saca de café RA1 bebida dura com 15% de catação a R$ 230,00 e não sabe quanto lhe custou para fazer essa saca?

Por enquanto, estou convencido que isso é o correto, tem que saber o custo da saca na ponta da língua quando se trata de levantar e conhecer os custos da cafeicultura. Além de saber também quantas sacas produzidas por equitare e outros indicadores de produtividade e rentabilidade.

Continuando nosso debate, vamos às perguntas que o senhor formulou.

Se me recordo bem desse período 1980, o desperdício chegava a 30% na construção civil.
Foi quando começaram a aparecer as empresas que não apenas construíam, mas montavam os imóveis.

Era mais ou menos assim : Vinham com as estruturas semi-prontas das suas fábricas e praticamente encaixava as peças no local, reduzindo o desperdício drasticamente.

Com relação à eficiência gerada pelo profissionalismo, tem a dizer o seguinte:

Tem médico cafeicultor, tem engenheiro cafeicultor, tem administrador de empresas cafeicultor, tem dentista cafeicultor, e tem o cidadão comum que é produtor rural e também produz café... ou seja temos todos os tipos de profissionais na atividade.

Uns por sua formação, são mais cartezianos, outros menos... os mais controlam mais, assim como eu, os menos vão mais pela intuição e vivem a ilusão do lucro..... tomam prejuízo mas são felizes pois não sabem que seu negócio é deficitário ( geralmente são os médicos e dentistas que acham bonito ser cafeicultor, ser fazendeiro, têm outra boa fonte de renda e não estão muito preocupados com os custos).

Então , e respondendo mais diretamente à questão, com certeza tem uma boa parte dos cafeicultores que não estudaram as ciências exatas e esses com certeza são menos eficientes que os engenheiros para calcular os custos da sua atividade , seja este comparado com um engenheiro dos anos 80 ou dos anos 60 .

Mas tem os produtores que assim como eu ( e eu conheço vários na minha região ), que sabem controlar os custos e com certeza somos tão eficientes quanto qualquer profissional engenheiro, cada um no seu ramo de atuação. Ele controla os custos que envolvem sua atividade que vai da fundação da obra ao telhado e eu controlo os custos da minha atividade, que vão do custo da terra ao caminhão que leva minha saca e deposita na cooperativa.

Espero que minha resposta não iniba seu raciocínio, nem mesmo a sua vontade de expressa-lo.

Cordialmente....

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 18/03/2008

Sr. Claudio

Absolutamente sua resposta inibiria meu raciocínio.
Perceba o seguinte: O universo de cafeicultores, que no caso é o que estamos tratando, não possui, como voce bem disse, informações sobre técnicas de soluções mais dinâmicas.
Exatamente sobre os efeitos destas técnicas é que estou procurando focar para assim discutirmos sobre um fundamento sérissimo e comprometedor ao extremo, se é que posso amenizar desta forma a interpretação literal desta palavra.
Afirmo o seguinte: Considerando o universo de cafeicultores, o custo de produção do café arábica, em média, tem um custo operacional majorado em 50% (cincoenta pontos percentuais) devido a desperdícios operacionais. Chamarei por desperdício operacional o que por outro lado poderia chamar de ineficiência operacional.
Causas deste desperdício operacional:
1- Produzir sem planejar antecipadamente;
2- Planejar por projeção de custos e não por padronização de processos;
3- Não implantar efetivamente a padronização dos processos;
4- Não identificação precisa dos itens de controle e verificação.
O custo de produção por saca de café é apenas um sub-produto do que efetivamente se deseja medir. É necessário, claro, para assim medir-se os valores para a venda do mesmo, mas o fundamental será a neceesidade de aceitação do negócio café como atividade lucrativa. Como voce bem disse, não está obtendo resultados com a atividade, no momento, o que acredito certamente.
Veja, em média e esta informação que coloco foi alvo de verificações "in loco" por professores conceituados de uma conhecida Universidade Federal, tenho precisão de 1% (um ponto percentual) a menor ou maior, mês a mês, durante 05 ou mais anos, em várias propriedades com planejamento estratégico elaborado através de metodologias de composição de custos por processos, com a devida aplicação dos fundamentais, como voce bem disse, diagramas de Pareto. Todas as propriedades otimizadas, atualmente, através de melhorias de processos.
Vamos agora aos números, pois caso contrário ficaremos rodeando o problema, o que não faz muito meu gênero ou temperamento.
Afirmativa:
Para o produtor de café Arábica, a partir deste ano agrícola 2008/2009, se desejar vencer terá de produzir 60 (sessenta) sacas por hectare, sendo que os muito eficientes, aqueles que possuem suas linhas de produção padronizadas em seus mais variados processos, produzirão ao custo médio de R$155,00 a saca. Este custo não inclui nenhuma parcela a título de pró-labore.
O universo de informações , considerando o planejamento efetivo é de 05 anos agrícolas, portanto abrangendo uma série mais pronunciada de despesas.
Estes custos fizeram emitir um alerta sério. Os fabricantes de insumos, ou produtos, seja lá como desejam chamar, aumentaram desmedidamente os preços de seus produtos, provocando assim um desequilibrio total e nefasto na linha de produção.
O sinal de aviso de risco está da seguinte forma: Para aqulees que produzem a menor que 40 (quarenta ) sacas por hectare, não há mais luz no fim do túnel, a não ser que o governo se consciente do custo verdadeiro de produção , perdoe suas dívidas e ainda libere dinheiro novo.
Para aqueles entre 40-60 sacas por hectare, se adaptem rápidamente ao limite superior.
Para os pouquíssimos que produzem acima disto, boa viagem e com o pé no freio e muita atenção.
Agora, vem o pior: Percentualmente falando, acredita qual ser o número de produtores com perfil de planejadores que tenham otimizados seus processos? Achou o número grande? Adicione 50% nos custos informados por mim, acima. e saberá por quanto estão produzindo sua saca de café.
Se tiver dúvidas, vamos marcar um debate, com dados na mão, ou seja, o planejamento completo para 05 anos, Todos os detalhes na mesa. Analisar item a item e verificar quem tem razão.
Caso contrário, produza, dentro da média brasileira, a menor que 20 sacas por hectare e ao custo chegando até a R$650,00 a saca.
Lógico que os cafeicultores irão quebrar deste jeito. Claro que o sistema de apoio não deseja de forma alguma expor ou concordar com estes dados. A maioria pensa assim: Se eu produtor me conscietizar que estou produzindo café a muito maior que o preço de venda, então o problema será do governo, mas por outro lado, não desejamos que ninguém saiba, caso contrário as instituições financeiras não mais irão nos emprestar dinheiro.
Quer uma pequena, a menor de todas as provas disto que estou falando?
Apresente em sua resposta o preço unitário de custo por hora trabalhada, em média, para um trator modelo cafeeiro. Considere qualquer modelo que desejar e considere também como se fosse para sua propriedade. Neste caso, considere que os 40.000 pés de café seus, fossem em terreno mecanizado. Solicito que apresente o custo horário que seria ,bem como a fórmula que utilizou para esta composição simples.
Continuando, vamos falar agora do problema "processo caro". Toda e e qualquer atividade produtiva, seja ela urbana ou rural, possui algum processo mais caro. Isto é elementar. Na atividade cafeeira, plenamente justificável é o processo colheita o mais caro.
A atividade cafeeira ocupa necessáriamente mão de obra, portanto, isto é um fato e para os que a possuem mecanizadamente, serão as máquinas e serem ocupadas. Isto também é fato. Ora, eu conheço bem o problema da mão de obra e suas ineficiências, mas analise friamente: Quem provoca fogo nos preços ou na chatice da mão de obra? Serão os apanhadores ou será a própria concorrência entre produtores? Seu vizinho, na hora da colheita, cederia a turma para apanhar seu café em detrimento da panha dele? Claro que não, portanto, aceite isto como fato! A mão de obra é problemática por que estão fazendo com que ela seja assim. Conteste com seus argumentos esta minha posição.
Acredito que o caminho será mais fácil se enxergar a mão de obra com olhos de necessidade para seu negócio.
Sobre os R$30,00 que mencionou, como média de preços pagos ao apanhador, informo que trabalhamos com este número para o ano de 2003 e estamos em 2008, com outro valor e superior a este.
Vamos procurar nos fixar em números, pois histórias os cafeicultores e nós mesmos conhecemos bastante.

José Eduardo

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 19/03/2008

Prezado, senhor, José Eduardo.

Para darmos seqüência a esse debate , vamos esclarecer uma coisa.

Eu estou aqui para analisar e discutir como calcular os custos de produção de café, e para isso eu tenho embasamento teórico e prático, já apresentei meu simples método e continuo ansioso para que o senhor apresente o seu método.

Só entrei no mérito, porque não concordei com o que o senhor colocou no primeiro post. , ou seja

"Obter consistentemente o custo de produção regionalizado, considerando produtividades diversas. Esta consistência deverá se caracterizar por custos planejados eficientemente e preferencialmente com o aval científico de uma Universidade Federal - sendo este um procedimento plenamente possível, ou até mesmo usual em temas polêmicos - eliminando assim dúvidas sobre questionamentos descabidos no sentido de desacreditar valores reais e cuja aceitação implicaria necessariamente em revisão de posturas e criação de política agrícola específica à atividade, pelo governo federal."

E continuo não concordando que devemos buscar um custo regional pelos fatos que já expus.

Também não gostaria que esse tópico se transformasse em um canal de agressões sutis, nem de demonstrações de quanto somos extremamente vaidosos, eu e o senhor.

Para mim e acredito que também para o senhor, em vez de nos desgastarmos em discussões emocionais, é melhor cuidarmos das nossas empresas e fazendas ao invés de nos "pegarmos " por causa do custo do café.

Eu poderia aqui está pedindo para o senhor dissertasse sobre o que entende por "técnicas de soluções mais dinâmicas , " voltadas para a cafeicultura, que o senhor enviasse cópias dos trabalhos acadêmicos que respaldem o que o senhor disse , sobre "o custo de produção do café arábica, em média, tem um custo operacional majorado em 50% (cincoenta pontos percentuais) devido a desperdícios operacionais", podia pedir para o senhor enviasse o trabalho acadêmico que respalda a colocação do senhor quando diz que "Veja, em média e esta informação que coloco foi alvo de verificações "in loco" por professores conceituados de uma conhecida Universidade Federal, tenho precisão de 1% (um ponto percentual) a menor ou maior, mês a mês, durante 05 ou mais anos, em várias propriedades com planejamento estratégico elaborado através de metodologias de composição de custos por processos, com a devida aplicação dos fundamentais, como voce bem disse, diagramas de Pareto. Todas as propriedades otimizadas, atualmente, através de melhorias de processos ...

Primeiro porque que eu não tenho tempo para divagações da cátedra e também não acredito nesses trabalhos acadêmicos.

Para mim, esse povo , à exemplo da Conab, IBGE e acadêmicos que nunca pisaram no barro, que nunca viram adubar um café debaixo de uma boa chuva, mais complicam do que ajudam o produtor de café.

Tem trabalhos lindos da Embrapa provando que confinamento de gado dá prejuízo e tem muita gente boa confinando e dando muito lucro Graças a Deus e não graças à embrapa, à conab, ao ibge , universidades etc etc....

Sei o que estou falando porque produzo café, piso no barro, ....graças a Deus são só 40 mil pés, porque quanto mais pés, maior o chumbo na asa, maior o prejuízo e maiores as ilusões.

Em segundo lugar, até o momento que o senhor me convença que o seu método para calcular os custos da atividade cafeeira é melhor que o meu , eu continuo usando e divulgando o meu e assim, não haveria nada de prático nesse nosso lenga , lenga...

Eu estaria apenas massageando meu próprio ego e dando oportunidade para o senhor também fazer o mesmo ....e isso não me faz bem.

Quanto a marcar um debate sobre como obter custos para se produzir café, não vejo resultado prático nisso.

Não vamos publicar nenhum trabalho ...( mesmo que publicássemos nenhum produtor de café ia se dar o trabalho de ler), e quem somos nós, eu e o senhor para influenciar alguma coisa nesse contexto que nos vemos inseridos?

Sou empresário, e cafeicultor e essas atividades me absorvem por completo .

Se não der para darmos prosseguimento aqui no fórum, melhor seria pararmos.

Agora tem uma coisa que eu realmente gostaria de saber, acho que eu e todo mundo que nos lê é :

Qual é a fórmula que o senhor utiliza para chegar num preço de custo de R$ 155,00 a saca de café arábica Tipo 6, Bebida dura para melhor, com no máximo 15% de catação?

Gostaria de conhecer o método e os cálculos que o senhor utilizou para chegar nos valores abaixo, quando diz:

Para o produtor de café Arábica, a partir deste ano agrícola 2008/2009, se desejar vencer terá de produzir 60 (sessenta) sacas por hectare, sendo que os muito eficientes, aqueles que possuem suas linhas de produção padronizadas em seus mais variados processos, produzirão ao custo médio de R$155,00 a saca. Este custo não inclui nenhuma parcela a título de pró-labore.

Também gostaria que abrisse os custos para se chegar ao valor de R% 155,00 a saca.... o que é mão de obra, o que é adubo, o que é defensivo, o que é óleo diesel, transporte, colheita etc, além de também nos brindar com as preciosas informações sobre os processos utilizados pelos mais eficientes e que possuem "linhas de produção" para lavouras plantadas no morro..

Se esses custos forem da bahia ou do cerrado onde se planta café irrigado, colhe de máquina etc, isso não é novidade.

Quero e preciso de viabilizar a minha lavoura que fica no morro, como a grande maioria das lavouras do sul de minas, maior produtor de café do Brasil

Quanto a afirmativa de que "O sinal de aviso de risco está da seguinte forma: Para aqulees que produzem a menor que 40 (quarenta ) sacas por hectare, não há mais luz no fim do túnel, a não ser que o governo se consciente do custo verdadeiro de produção , perdoe suas dívidas e ainda libere dinheiro novo" , .... gostaria de reafirmar mais uma vez que em Carmo de Minas venderam um lote de 10 sacas por R$ 15.000,00 a saca , o que dá R$ 150.000,00 ou 600 sacas ao preço médio de R$ 250,00 então a solução da continuidade também está na melhoria da qualidade do produto. O Produtor pode produzir menos que as 40 sacas ( que entendo o senhor estimou como um ponto de equilíbrio) e ter uma renda muito maior, bastando para isso melhorar a qualidade.

Com relação a colocação do senhor , quando diz "Apresente em sua resposta o preço unitário de custo por hora trabalhada, em média, para um trator modelo cafeeiro. Considere qualquer modelo que desejar e considere também como se fosse para sua propriedade. Neste caso, considere que os 40.000 pés de café seus, fossem em terreno mecanizado. Solicito que apresente o custo horário que seria ,bem como a fórmula que utilizou para esta composição simples" ,

Lamento mas, não tenho nada a dizer.

Conforme já falei, minha lavoura não permite o manejo com máquinas pesadas, então porque vou calcular hora de trator se não uso trator na minha lavoura ? Se não compõe meu custo, desnecessário se torna calcula-lo.

Com relação à afirmativa " Sobre os R$30,00 que mencionou, como média de preços pagos ao apanhador, informo que trabalhamos com este número para o ano de 2003 e estamos em 2008, com outro valor e superior a este. Vamos procurar nos fixar em números, pois histórias os cafeicultores e nós mesmos conhecemos bastante. "

Aí o senhor pegou pesado.... Absolutamente não estou contanto histórias inventadas, os R$ 30,00 são preços pagos hoje para um dia de serviço e é baseado nele que os apanhadores avaliam se estão ganhando o que esperam ou não...

Acho que seria mais proveitoso para todos que estão nos lendo e para nós mesmos que o senhor colocasse como acha que deve calcular os custos da atividade.

O Senhor apresenta o seu método , eu apresento o meu, se o seu for melhor não sou cabeça dura que continuar com o pior e quem está nos lendo terá oportunidade de também melhorar seus controles.

Se o seu método for melhor que o usualmente e comumente aceito no mundo, prometo divulgar o seu método em todos os congressos, feiras e exposições que costumo participar anualmente. Serei seu humilde divulgador.

Então vamos ser objetivos.... nos mostre como calcula os custos da produção de café.

Falei da minha técnica, o senhor ainda não demonstrou a sua.

Demonstre a sua técnica por favor, falemos de números.... já escrevemos demais e acho que podemos ir encerrando essa discussão e partir para outras tão importantes quanto aos custos.

Só assim vamos saber qual é a melhor.....

Cordialmente e respeitosamente,

Cláudio José Fonseca Borges


Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 19/03/2008

Sr. Cláudio

Este tema realmente provoca as emoções, pois representa todo o fechamento econômico/financeiro do agronegócio. Não é polêmico, pois poucos se arriscam a discuti-lo.
A forma de debater temas como este geralmente passa por apresentações iniciais dos debatedores, o que certamente não tivemos a oportunidade. Mas, tudo bem, vamos nos ater ao que efetivamente nos propusemos.
Irei expor o raciocícionio que utilizo para os planejamentos com a sua precisa realização, no sentido de obter lucro com a atividade cafeeira, seja qual for o preço de venda.
Procurarei enumerar conforme a ordem dos fatores:
1- Analise do perfil produtivo cafeeiro em relação à propriedade a ser planejada;
2- Estabelecimento do prazo inicial a ser planejado, considerando que o ideal será o período de 05 (cinco) anos agrícolas;
3- Estabelecer o preço médio anual de venda da saca de café, para este período. Para isto, considerar preços dentro das médias ocorridas nos últimos 20 anos e preferencialmente estratificando a cada intervalo de 05 anos. A finalidade será criar defesa nos preços de venda, ou seja, jogar por baixo;
4- Avaliar, dentro do atual cenário produtivo da fazenda, qual seria a produção anual e acumulada para o período planejado;
5- Avaliar a disponibilidade de máquinas e equipamentos, bem como a mão de obra local e regional;
6-Coletar as informações necessárias no sentido de como se procedem as mais variadas atividades operacionais. A finalidade será em criar e estabelecer as padronizações iniciais. Este item, normalmente não tem a devida importância por parte dos produtores, porém, é3 neste que está contido as maiore3s perdas, chegando até a 50% do custo, ou seja, a cada 02 sacas colhidas, o produotr pode estar jogando no lixo 01.
De posse destas informações e utilizando de um sistema gerencial especifico e interativo para planejar e verificar, e no sentido de provocar a maior velocidade possivel de respostas, iniciar o podemos chamar de simulação inicial de custos.
Para isto, utilizamos como metodologias alguns artíficios, tais como:
Avaliar precisamente os custos por talhão independente, nas condições de custos diretos e indiretos, bem como o resultado agrupado, anualmente, bem como o somatório para o período estabelecido.
Feito isto, na primeira simulação, teremos assim o que poderemos denominar de diagnóstico inicial da viabilidade ou não econômica em função do perfil implantado na propriedade.
Geralmente, nos deparamos com situações onde necessariamente será aconselhável alterações.
Estas alterações situam-se em dois fatores: a necessidade de redução dos custos e o aumento da produtividade.
Nesta fase, é apresentado ao produtor/empresario o diagnóstico, bem como as sugestões apresentadas.
Realizadas as devidas discussões e tomadas as posições corretas, então parte-se para o efetivo planejamento.
Com a pratica em elaborar e acompanhar os planejamentos, exercendo a condição de estratégias, percebemos claramente que existe um diferencial expressivo entre custos planejados através da padronização dos processos e plurianuais, se comparado com custos planejados apenas por projeções ou não planejados.
Este diferencial equivale a 50% do custo total e representa desperdícios. Não está considerado neste a parcela de desperdícios de produtos, a qual certamente existe por diversas razões e estimo chegar a até 26% do custo destes produtos.
Em uma analogia simplista, perceba que quando peço a alguem para calcular e apresentar o custo horário de um trator cafeeiro, a resposta quase sempre se assemelha ao valor de locação desta máquina, em qualquer que seja a região. A bem da verdade, não é assim, pois por experiência sabemos, que em média, um trator cafeeiro trabalha anualmente apenas 411 horas, enquanto deveria trabalhar no entre 1200-1600 horas. Desta forma, na equação para se calcular o custo, ao invés do divisor estar entre 1200-1600, passa a ser 400, majorando entre 3-4 vezes o custo da hora trabalhada. O que quero mostrar é o fato de que se o produtor, neste caso, muito comum, ao invés de possuir a máquina a aluga-se seria de eficiência muito maior e evitando os desperdícios financeiros.
De outra forma, neste momento, após ter falado rápida, mas precisamente o que ocorre com custos ao utilizar máquinas superdimensionadas ao trabalho, vamos ao "problema", ou talvez melhor colocado à "solução através da mão de obra", inclusive pagando valores a maior do que poderia ocorrer normalmente.
Faço uma co-relação entre desperdicios, que necessariamente deverá ser considerada: Se o setor da Construção Civil, inúmeras vezes mais dinâmico empresarialmente falando em comparação ao segmento produtivo cafeeiro possuia desperdicios de produtos de até 30%, além de fortes desperdícios operacionais devido a não padronização, como então não acreditar que o setor cafeeiro tem jogado no lixo mais da metade se sua safra anualmente, evidente pelo aspecto financeiro?
Isto é um fato e não acreditar seria o mesmo que caminhar ao precipício. Atualmente só se consegue ganhos com eficiências. Paternalismos estatias não mais se justificam e para isto bastam analisar como foram reduzidos os beneficios neste sentido.
Deixarei esta continuação para o próximo passo, evitando assim o cansaço da leitura.

Saudações
José Eduardo Reis Leão Teixeira

dario francisco franqueira carneiro

Enviado em 19/03/2008

excelente debate entre dois eminentes produtores .. continuem ..
muito interessante .. ate bem mais que o lenga lenga de tecnicos e experts ... quanto a carmo de mMinas não é esse mar de rosas apregoado.. embora estejamos na vanguada da qualidade e excelencia do produto cafe .. mas os prejuizos .. as variaveius economicas de falta de credito e juroa abuzivos tem deixado muitos " campioes " na lona . quanto ao associativismo e cooperativas essas muitas vezes se curvam ao poder dos bancos e ao em vez de fortalecer o cooperado o deixa de lado principalmen te se for pequeno ou estiver passando por momentos de dificuldades finaceiras.. ai meus caros o melhor e fingir de morto e não enfartar e aplicar outras auternativas como prcerias agricolas com os empregadoa afim de sem negum calculo projeções sair dessa ciranda louca finaceira .. ... mas continuem muito interssante.. parabens .
Dario Francisco Franqueira Carneiro

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 19/03/2008

Prezado Sr. José Eduardo...

A palavra continua com o senhor.

Eu já disse tudo o que tinha a dizer sobre apurar custos de uma atividade cafeeira.

Qualquer dúvida peço que releia(m) o que eu já escrevi.

Se eu falar mais , corro o risco de ser repetitivo, redundante, prolixo e entojado.

Não acho necessário eu ficar intervindo a cada etapa do seu raciocínio.

Assim a coisa não rende.

Proponho que termine completamente seu raciocínio .

No final , se necessário podemos debater.

Os desafios do senhor são hercúleos , e passam necessariamente por esclarecer umas e mostrar viabilidade prática de outras das suas afirmativas, tais como:

1 ) Obter consistentemente o custo de produção regionalizado, considerando produtividades diversas. Esta consistência deverá se caracterizar por custos planejados eficientemente e preferencialmente com o aval científico de uma Universidade Federal - sendo este um procedimento plenamente possível, ou até mesmo usual em temas polêmicos - eliminando assim dúvidas sobre questionamentos descabidos no sentido de desacreditar valores reais e cuja aceitação implicaria necessariamente em revisão de posturas e criação de política agrícola específica à atividade, pelo governo federal."

2 ) Para o produtor de café Arábica, a partir deste ano agrícola 2008/2009, se desejar vencer terá de produzir 60 (sessenta) sacas por hectare, sendo que os muito eficientes, aqueles que possuem suas linhas de produção padronizadas em seus mais variados processos, produzirão ao custo médio de R$155,00 a saca. Este custo não inclui nenhuma parcela a título de pró-labore.

3) Abrir os custos acima.

4) Explicar que processos são esses .

5) Finalizar explicando o que o senhor entende que seja necessário constar numa política agrícola para o café e como a sua idéia de apurar os custos de forma regional podem realmente tornar viável a atividade cafeeira no Brasil como um todo e no sul de minas ( que é só morro) em particular.

E o meu desafio é entender, aceitar e colocar em prática o que o senhor está dizendo, se houver condições práticas para tal.

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 19/03/2008

Sr. Cláudio

Concordo plenamente. Deixe eu concluir meu raciocínio. Evidente que tenho argumentos para defende-los.
Farei isto pausadamente, para assim não provocar leitura cansativa.
Certamente haverá conclusão específica e profissional para todos os pontos que defendo, bem como para o que considero eficiente em questão de política cafeeira a ser implantada.
Torna-se importante apenas uma informação sobre minha pessoa, não sou e nunca fui professor, porém, respeito e admiro trabalhos consistentes e debates proveitosos.Sou empresario e entre minhas atribuições a de gerente de projetos e planejamentos de minha empresa.
Sou receptivo a conhecimentos novos, bem como, sei também defender consistentemente as posições que acredito serem verdadeiras.
O gosto que tenho pela cafeicultura pode ser traduzido pela herança familiar, apesar que o café, aqui em Minas Gerais, só começou a ter alguma representatividade como negócio rentável após 1950.


José Eduardo Reis Leão Teixeira

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 20/03/2008

Prezado Sr. José Eduardo,

Não se preocupe com o tamanho do texto, há 23 anos pratico a leitura dinâmica e sou capaz de ler um livro de 400 pgs em 1 dia.

Estou acostumado com textos grandes e não me canso por ler muito, ao contrário, me distraio.

Então vamos à defesa do seu raciocínio, à explicação de como implantá-lo e sua viabilidade e a abertura dos números dos custos trazidos pelo senhor, para que possamos fazer um comparativo com a realidade.

Também admiro debates proveitosos, inteligentes, rápidos e que chegam a conclusões pertinentes e práticas.

E sinceramente, para tratar desse nosso assunto acho que já escrevemos muito e ainda não sei como o senhior calcula os seus custos, nem onde o senhor quer chegar quando fala de introdução de custos regionais e nem sobre o que entende por política cafeeira, os benefícios disso para o cafeicultor e o aumento da renda e viabilidade que devem trazer no seu bojo .... e daí meu enorme interesse.

Vamos ser mais práticos do que teóricos, já escrevemos um tratado inconclusivo.... vamos concluí-lo.

O Assunto Custo não é tão envolvente assim que precise de uma cadência novelistica para tratá-lo.

Apuração de custo é uma coisa muito, mas muito simples...pelo menos para mim..... escrever sobre isso, eu fiz em apenas um parágrafo... o resto foi devaneio....

Então nos diga como apura seus custos, por favor....

Quanto à trabalhos acadêmicos voltados para o campo.... reafirmo que a maioria é baboseira de gente que não tem conhecimento prático do assunto....alguns servem até para incentivar o desperdício no campo, pois não vêem a atividade agropecuária como ela deve ser vista e analisada, como uma coisa Integrada, e a maioria tem uma visão estanque de cada atividade.

Um ou outro se salva e acredite, já li dezenas deles, sobre café, sobre gado, sobre milho, sobre feijão, enfim, sobre o que produzo.

Aguardo ansioso a sua conclusão, pois acredito que é isso que nos resta agora.... concluir esse debate de forma competente.

Cordialmente e respeitosamente....

Cláudio JF Borges.

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 20/03/2008

Senhor Cláudio

Continuando...
Peço um pouco de paciência, pois absolutamente não será uma novela, porém, existe uma série de quebra de conceitos e onde estes surgirem terei de justifica-los, caso contrário meus argumentos ficarão sem consistência.
Após detectarmos a existência de ineficiência enorme na ocupação de trabalho referente aos tratores, fazendo com que no sul de Minas e São Paulo, em média, as máquinas trabalhem apenas 411 horas anuais, majorando assim os custos de hora trabalhada em até 3-4 vezes, necessariamente , como alternativa, deveremos avaliar o que ocorreria se substituíssemos a mecanização pela mão de obra. Percebam que até agora ninguém saiu por aí argumentando sobre o fato de tratores trabalharem tão poucas horas anuais, em média. Um detalhe tão pequeno assim e responsável por um problema enorme. Isto se chama falta de visão!
Tendo de analisar e verificar a possibilidade de substituir, se for necessário as máquinas ineficientes pela mão de obra, então, a partir deste ponto será aconselhável começarmos a enxerga-la como aliada e não mais como vilã. Mas, pra isto deveremos analisar as possíveis alternativas para corrigirmos a também ineficiência da mão de obra. Mas esperem, analisando friamente, quem será ineficiente: a mão de obra ou a gerência das propriedades?
Só para não ficarmos discutindo técnicas de gerenciamento, que provariam ser a gerência a ineficiente, afirmo que a mão de obra é ineficiente por trabalhar, geralmente, sem padrões estabelecidos. Falta a tal da "padronização". Apenas isto; um detalhe tão pequeno e responsável por um problema tão grande! E qual problema é este? O produtor estar jogando dentro do lixo a metade do que gasta para produzir café. Metade da safra vai pro lixo, a outra metade ele dá pros abutres, mas tem uma vantagem: depois de tanto trabalho em produzir café, ele pode assentar, no barranco, e assistir a movimentação aérea dos abutres e sentindo o cheiro da carniça no ar.
Mas, voltemos às soluções e procuremos, de agora em diante, espantar os abutres para outro terreiro.
Veja, a atividade cafeeira, precisa necessariamente para seu andamento de máquinas ou mão de obra. Isto é fato.
Máquinas se justificam apenas se tiverem eficiência em sua taxa de utilização, o que em média, não ocorre.
Avaliando, como forma de solução, substituir máquinas por mão de obra, isto apenas poderia ocorrer se:
a) Tivéssemos mão de obra suficiente para atender à propriedade em questão. Neste caso, será necessário criar e estabelecer parâmetros de controle e verificação da mão de obra. A tal da padronização. Feito isto, então a gerência da propriedade terá criado sua própria marca de eficiência. Quem utiliza mão de obra sem padrão de medidas, ou seja, por dia trabalhado, certamente estará tendo desperdícios de tempo e de dinheiro.
b) Mas agora, faltaria outro fundamento, também essencial: se estivermos pensando, herculéamente, em substituir máquinas por homens, como garantir que não faltará mão de obra?
c) Como fazer para que os custos operacionais referentes às mais variadas atividades que ocupem mão de obra se situem a menor que os custos destas mesmas atividades, se fossem executadas mecanicamente e além disto em tempo hábil, ou seja, com maior eficiência operacional e de custos do que com máquinas?
Para aqueles que acharem que na resposta a estas questões "a cobra vai fumar", esperem pra vê-las, leiam com atenção e analisem. Sabemos que funciona e muito bem, ou seja, gera lucros.
Continuando:
Para não faltar mão de obra só existe uma condição: vantagens salariais, ou seja, pagar a mais. É isto mesmo, pagar a mais que os outros. Abrir fogo! Criar interesse para que trabalhem na sua fazenda!
Mas esperem, lembrem que estamos tratando aqui de planejar com estratégias e fundamentalmente na condição de lucro real, seja com preços de venda do café em patamares aviltados, ou seja, preço baixo.
Assim, a única alternativa é usar a inteligência e criar condições. É deixar de afogar na enxurrada pra aprender a nadar no mar. É criar o mar e aprender ser peixe! Isto é a finalidade do planejamento e não aquelas conversas que levam nada a lugar algum.
Mas, como pagar a mais, se não temos lucro nem pagando a menor?
Bem, ao se pensar numa condição destas, deveremos criar o cenário otimizado para utilização de mão de obra. Este cenário, evidentemente, necessitará de dois argumentos básicos: alta produtividade com produção condizente com as necessidades financeiras da propriedade e do produtor, como também de custo produtivo a menor que o preço de venda. Mesmo assim, o diferencial entre o custo produtivo e o preço de venda, que se traduz pelo lucro, deverá ser suficiente.
Assim, criado o que poderia ser o valor de pagamento, diário, para esta mão de obra, deveremos simular os custos produtivos e eficiências operacionais, comparando entre as condições de: mecanização e manual.
Esta simulação será feita considerando as condições de padronização e nos dará elementos consistentes para verificar as eficiências financeiras e em relação às práticas culturais em tempo e a tempo.
Será importante termos antecipadamente a estas simulações o cronograma físico referente ao período que serão executadas as mais variadas atividades, para assim estabelecermos o cenário operacional, sem que ocorram superposições.
A padronização, retratada pela simulação de resultados financeiros/operacionais nos dará os elementos consistentes para: sabermos precisamente quantas horas/máquina, ou quantos homens/dia serão necessários para a execução das mais variadas atividades operacionais.
Desta forma, teremos o resultado de quantos funcionários necessitaremos durante o ano agrícola, para cada atividade independente, como também acumulada, bem como se for mecanizada, o total de horas trabalhadas anualmente.
Perceba, então que desta forma estaremos com informações consistentes para tomadas de posições estratégicas operacionais, mas ainda longe da composição final de custos.
De posse destas informações, deveremos tomar posições sobre o perfil produtivo/operacional que as lavouras deverão obter, ou seja, lavouras adensadas, mecanizadas ou mistas, dimensionamento da produção necessária, etc.
Após as devidas análises, estipularemos o que deveriam ser a produtividade média e sua conseqüente produção, ano-a-ano, durante o período desejado.
Feita a opção financeira/operacional pelo sistema de condução das lavouras, suas produções e produtividades, iniciaremos a elaboração dos orçamentos de custos.
O ponto inicial deverá ser a ultima simulação obtida.
Será importante e fundamental criarmos e estabelecermos os processos e atividades que fazem parte da produção cafeeira.
Para cada processo, devidamente denominado, deveremos indicar precisamente suas atividades.
De posse dos custos unitários, de mão de obra, hora de máquina trabalhada, e outros mais, partiremos para a devida composição dos custos, processo por processo.
Ao elaborarem desta forma seus orçamentos, perceberão que: ao contrário do que todos informam, a mão de obra não poderá ser considerada como processo mais caro. Mas, porque não?
Simplesmente por não ser ela um processo e sim atividade contida em diversos processos.
Outro fato: em toda e qualquer atividade produtiva existe e sempre existirá um processo mais expressivo de custos.
O necessário será avaliar, utilizando técnicas específicas, como fundamentalmente a aplicação do diagrama de Pareto, nos processos que apresentarem maior peso percentual e assim sucessivamente até a confirmação de que os processos foram avaliados e com suas ineficiências financeiras corrigidas.
Estes procedimentos deverão ser elaborados para todos os anos, independentemente e ao final dos resultados o somatório deverá passar pelo mesmo procedimento de Pareto.
Também ao final destes resultados é comum nos depararmos com a situação de inviabilidade econômica/financeira, ou seja, as metas produtivas definidas por nós não seriam suficientes para gerar o lucro esperado. Então teríamos de rever os custos produtivos e principalmente alavancando a produtividade e conseqüentemente aumentando a produção.
Diante das novas metas de produção e produtividade deveremos refazer os custos. Este procedimento deverá ser realizado quantas vezes forem necessárias, até precisamente obtenhamos a condição desejada e até mesmo imposta.
Estaremos, desta forma, criando o custo, o que é totalmente diferente de medir o custo. Medir o custo significa a aceitação natural de todos os fatores formadores do mesmo, sem a devida contestação e análise.
Criar e estabelecer os custos deverão ser o fundamento básico. Desta forma as metas serão estipuladas. O foco principal estará em definir anualmente os custos totais, a produção total e a receita obtida, vendendo o produto café ao preço de defesa criado antecipadamente.
Continuarei no próximo dia útil... Muito ainda precisarei mostrar para se conscientizarem da "nova realidade".


Saudações

José Eduardo Reis Leão Teixeira





Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 20/03/2008

Caro Sr. José Eduardo,

Vá em frente ...tá ficando bom....

Lembre-se que lhe informei que trabalho em cima de orçamentos , metas e planejamento estratégico em cima de custos.... tenho demonstrativos, com indicadores ....

Agora realmente acredito que estamos no rumo certo....

Saudações....

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 20/03/2008

Sr. Claúdio

Meu respeito por suas colocações, desde o inicio fora anunciado. Agora, desejo parabenizá-lo, pois nunca havia encontrado um adversário tão "bom" para "brigar".
Diferenças de opinão são normais e benéficas. Discussões acaloradas são melhores ainda, pois apenas com emoções podemos mudar o rumo das coisas. Nenhuma vitória é obtida ou conquistada sem batalhas. O que estamos criando é uma batalha, acalorada, inteligente, mesmo sob fortes emoções.
Vamos em frente e agradeço por ser você um adversário bom.

Saudações
José Eduardo

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 20/03/2008

Prezado Senhor José Eduardo,

Não sou seu adversário .

Sou um empresário rural obsecado por reduzir custos....

Também acredito que estamos ( nós cafeicultores), caminhando rapidamente para a ruína ... e é urgente que façamos algo...

O Tema proposto pelo senhor vem de encontro com os meus interesses... nova política cafeeira atrelada aos custos regionais, parece uma coisa revolucionária...

Não nos vejo como adversários, antes, vejo-nos como parceiros em encontrar solução para a cafeicultura .

Não estou aqui para contestar seu método, mas conhecê-lo, avaliá-lo e se for factível, implantá-lo.

O debate deverá ser focado nesses pilares, conhecimento, avaliação e implantação.

Cordialmente,

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 20/03/2008

Feliz Páscoa à todos....

Vou pra roça... vou ver minha lavoura....

Até semana que vem , se Deus quiser!

Rafael Altoe Falqueto

Enviado em 21/03/2008

Concordo, mas e sobre a política de preços mínimos?

QUANDO SERÃ? IMPLANTADA PARA O CAFÃ%?

Seria um bom começo para sabermos até que ponto é economicamente viável investir, não acha?

Arnaldo Reis Caldeira Júnior

Enviado em 21/03/2008

Sr. Claudio e Sr. José Eduardo,

Excelente debate.

Gostaría de saber algumas informações :
1a. - São cafeicultores ? Quantos pés ou ha. de café tem cada um ?
2a. - Qual é a região que cada um tem a sua propriedade ?
3a. - Mecanizável ou não ?
4a. - Possui outra atividade fora da agropecuária ?

Grato pela atenção !

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 22/03/2008

Sr. Arnaldo

Acredito que as idéias, com suas respectivas consistências são o foco principal e de muito maior valia do que nossos cadastros de pessoa física ou jurídica, não acha?
Se , mesmo assim, continua a acreditar ser necessário, sugiro que leia desde o inicio os tópicos do debate e solicite ao site uma previa de meu curriculo, a qual eles a possuem e autorizo seu envio.
Vamos participar do debate e acrescer soluções, ao invés de pedir curriculos de quem conheçe profundamente tudo isto, como produtor, empresario e principalmente de quem utiliza a inteligencia.
Venha ao debate, será um prazer! Vamos debater intelectualmente e deixarmos disputas vaidosas pra lá, mesmo porque o tema não é este.
Leia o debate e perceba que todos nós, que participamos dele, conhecemos sobre o assunto e isto é que importa. E o senhor, conhece? Em caso afirmativo, junte-se ao debate e apresente suas colocações.
Sds,
josé Eduardo Reis Leão Teixeira

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 22/03/2008

Prezado Sr. Rafael

Agradecemos sua participação. Peço que aguarde apenas um pouuquinho, pois estou concluindo a apresentação de alguns conceitos, fundamentais para provocar resultados de ganho, que defendo, bem como as suas devidas e necessárias argumentações. Caso contrário, em breve, ao falarmos sobre o que poderia ser considerada uma politica justa, estaríamos cometendo o mesmo erro de sempre, ou seja, apenas proposta de "politicagem" e mais nada! O cafeicultor, certamente, não suporta mais a mesma "lenga lenga", assim, acompanhe e participe do debate. Faça colocações! Quando os cafeicultores deixarem de apreciar e utilizar as técnicas de "ventriloco" ou seja, falar com a voz dos outros e principalmente "a falta de idéias consistentes dos outros", muitos problemas serão eliminados e soluções surgirão.
Participe!

Saudações

José Eduardo Reis Leão Teixeira

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 22/03/2008

Sr. Cláudio


No parágrafo anterior, havia falado sobre a diferença básica entre medir ou criar custos.
Falarei, agora, sobre um tema de fundamental importância, que faz parte de soluções, ou seja, provoca reduções significativas de custo e aumento pronunciado de eficiências operacionais, portanto, totalmente procedente ao debate.
Os raros, para não falar pouquíssimos, cafeicultores que se consideram eficientes em custos, possuem em sua quase totalidade o seguinte procedimento: adquirem algum software, planejado e construído por algum especialista em computação, em que a concepção básica é registrar tudo, até mesmo quantas gotas de chuva ácida cairiam por minuto se a ventania lá da "fábula dos porcos assados" estivesse apoiada pelos gigantescos ventiladores, ou seja, não provocam absolutamente nada de resultados práticos. Traduzindo, acreditam que possuem ferramenta específica e funcional, mas ao invés disto acabam adquirindo arma com capacidade de tiro inverso, ou seja, onde o tiro sai pela culatra. Além disto, contratam outro elemento especializado em informática, para trabalhar alimentando dados neste sistema. Ao final do mês ou do ano, ao solicitarem relatórios para este sistema, então "sai de baixo". Lá vem papel e muito papel. Haja impressoras, haja "saco", pra ler o que imaginariam ser relatórios. Não tem como ler aquela loucura...São dados e mais dados, uma infinidade destes, sem nexo algum. Nem mesmo o lixo gosta destes relatórios, que geralmente são incendiados sem entrar nas lixeiras.
Concluindo: Isto não é controle, isto é loucura gerencial. Não leva nada a lugar algum. Isto é desperdício de tempo e de dinheiro. Jogar pedra na água dará muito melhor resultado que isto, se a finalidade for passar tempo. De eficiência isto nem ao menos o nome poderá ter, muito menos a intenção.
A necessidade de ter comentado sobre isto, tem seu argumento fundamental no que falarei a seguir. Ao criar a estrutura dos processos, com suas respectivas atividades, estaremos avaliando quais seriam os custos sob determinadas condições pré-estabelecidas. Estas condições pré-estabelecidas, que passaremos a denominar de "padronização", serão alvo de controles e verificações durante a realização ou execução do planejamento, ou seja, durante o ano agrícola.
Aqueles que possuírem o perfil gerencial citado acima, percebam a importância do que irei expor e avaliem o quanto perdem, em tempo e dinheiro. Após a implantação efetiva de um planejamento, elaborado pelas características citadas ao longo deste debate, tendo alimentado todas as informações de gastos e controles num software, obtendo e analisando os relatórios gerenciais de custo e suas respectivas comparações com o planejado, verificando e comparando os índices operacionais (padronizações), além de avaliar as prováveis "melhorias de processos", ou seja, melhorias operacionais, o tempo médio mensal será de apenas 60 (sessenta) minutos. Repito, 60 minutos, por mês.
A implantação dos itens de controle e verificação, no campo, bem como os devidos registros, não demandará por nenhum elemento (homem) a mais, além de não gastar, também, nenhum tempo a mais. Tudo isto é feito de forma elementar.
Existem duas formas praticas de altamente funcionais para isto: Tendo em mãos o cronograma físico, o cronograma financeiro, as padronizações - que agrupadas poderemos denomina-las de "Manual de Rotina do Trabalho"-, além das informações sobre quais serão os itens de controle e verificação, então fracionaremos o planejamento de anual para mensal, ou seja, estabeleceremos mensalmente quais atividades serão executadas, como serão executadas, com quais custos serão realizadas, em quantos dias serão realizadas e quantos homens/dia ou horas/máquinas serão necessários. De posse destas informações, surgem dicas valiosas, que dependendo do modelo, poderão provocar eficiências operacionais no intervalo entre (30-200)%, ou seja, um homem poderá fazer o serviço de até 03 homens e evidentemente, obter o salário dos 03, além é claro, o produtor reduzirá custos com transportes de pessoal: empreitem os serviços a seus próprios funcionários, para isto surgem diversas opções de como poderiam fazer para dinamizar ainda mais. Utilizando de procedimentos como este, cada vez mais, reduzirão o diferencial de eficiência entre a utilização de máquinas se comparada a mão de obra, lembrando do que fora dito anteriormente, neste debate, sobre ineficiências de utilização de máquinas.
Estes conceitos e suas variantes são fundamentais, para entender como na prática isto funciona.
O que quero mostrar é como poderão e deverão criar cenários reais em fazer com que a mão de obra possa ter eficiência financeira e operacional maior que a de máquinas, desde que tenhamos a condição, freqüente, de máquina sub-utilizada.
Ao se planejar, eficientemente, necessitando de atingir metas audaciosas e quebrando paradigmas, será necessário e fundamental exercer a criatividade, pois, neste caso, o cafeicultor necessitará obter lucro, mesmo que venda a saca de café a preços baixos. A ordem será ganhar e ganhar e isto é possível, mas será necessário criar e estabelecer os custos. Importante afirmar que estabelecer os custos exigirá muita atenção e acompanhamento. Mas, certamente será mais simples que obter prejuízo sobre prejuízo, conforme ocorre rotineiramente. Isto sim é difícil e amargo.
No próximo, voltarei ao assunto "custos e seus números" e apresentarei conclusões.

Saudações

José Eduardo Reis Leão Teixeira

Arnaldo Reis Caldeira Júnior

Enviado em 23/03/2008

Sr. José Eduardo;
Desculpe se lhe ofendi, pedindo alguns dados.
Não me interessa o seu curriculum, pois primeiramente não estou interessado em contratar ninguém, muito menos o senhor, pois não trabalho com a construção civil, e o que parece é a sua especialidade.
Só pedi estas informações, para ter noção, de com qual visão, vocês estão focando este debate ou seja olhando com os olhos de quem ?!?
Portanto em breve leitura, notei consistência nas informações do Sr. Claudio,ou seja olhos de produtor, bem estruturado, informado e tecnificado. Quanto ao seu ponto de vista, Sr. José Eduardo muita teoria e pouca prática.
Pra resumir agradeço o convite para o debate, porém, não vou perder tempo, em debater agricultura com olhos de construção civíl - pois na PRÁTICA, uma não tem nada com a outra, a não ser se formos construir tulhas, baias, terreiros de café ,etc.

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 23/03/2008

Sr. Arnaldo

Continue pensando assim...
Continue emitindo suas opiniões sem nem ao menos se inteirar dos textos e assuntos. Quando fizer isto, certamente aprenderá muito, ou seja, aprenderá o que até hoje não conseguiu.
Sobre minha experiência , como cafeicultor, pergunte citando meu nome, na cidade que seu pai tem fazenda, Carmo da Cachoeira, e perceberá que além da construção civil, conheço bem mais que o senhor sobre café. Pra atalhar, pergunte a seu pai, ou seu tio(risos).

José Eduardo Reis Leão Teixeira

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 23/03/2008

Sr Cláudio

Desculpe por tomar seu tempo e de alguns outros mais,mas se faz necessário e até memso imperioso, neste momento, um aparte, para esclarecer algumas pessoas com faculdades provincianas. Assim, sem nenhuma vaidade, terei de editar aqui a copia de um artigo publicado há 05 anos e evidente, escrito por mim.

CONFISSÕES DE UM CONSULTOR: COMO APRENDI SOBRE CAFÉ

Descendente de família com tradições na atividade produtiva cafeeira, com propriedades no Sul de Minas Gerais e como se diz na roça "mamava café com leite" em bebê, pois produzíamos café e leite.
Me formei em Engenharia Civil pela UCMG, tendo obtido vasta experiência profissional, principalmente em orçamentos de custos, gerenciamentos por controle de qualidade e outros mais.
Morávamos em Belo Horizonte, onde tínhamos outras atividades e as fazendas ficavam sob a responsabilidade de administrador.
Sentindo a necessidade de tomar a frente do agronegócio, mudei-me para Varginha e assim começou a minha experiência profissional como cafeicultor.
Com minha formação superior em engenharia e até mesmo como dono de minha própria construtora, acreditei, como todos na minha condição pensariam, seria fácil esta nova direção.
Investimentos em novos plantios, utilização de tecnologia de ponta, aprendizados em campo, muita experiência, e etc, fizeram com que meus conhecimentos fossem ampliados e aprimorados. Se soubesse de alguma empresa tendo bons resultados lá estaria eu copiando-os, até mesmo dias de campo em minha fazenda eram realizados.
Em fevereiro de 1986 conheci a primeira grande vitória vendendo café a US$375 a saca.
O volume financeiro obtido com estes preços me deu sustentação e coragem (euforia) para mais investimentos e com isto milhares de pés de café ainda plantei. Tudo estava muito bem até 1992, quando os preços recuaram a patamares de US$44 a saca.
Toda a "gordura financeira" obtida no passado foi consumida de 91 a 93.
Com uma estrutura produtiva consistente e inteiramente aparelhada tive de procurar me adaptar à nova realidade. Realidade de que produzir no conceito do "vamos fazendo" e depois para os resultados seria o "vamos ganhando" não mais daria certo.
Utilizava como a maioria dos produtores de médio a grande porte de assistência técnica agronômica periódica e obedecia rigorosamente às recomendações.
Com o meu perfil de engenheiro iniciei um processo de controle de custos bastante rigoroso. Necessitava ter a produção totalmente controlada em custos e produtividade. Foi então, ao longo de 05 anos de muita observação e constatação que projetei um sistema gerencial tecnológico, que pudesse atender às minhas necessidades. Com minha experiência profissional em controle de qualidade, orçamentos e técnicas gerenciais, testei a eficiência de tudo que desejava medir e controlar. Contratei um programador e depois repassei isto a uma conceituada empresa de tecnologia em Campinas, para que tivesse realmente em mãos algo que me atendesse. Tinha então em mãos as ferramentas necessárias ao perfeito controle de custos.
Os preços de venda do café começaram a se recuperar em 94 após uma geada severa que atingiu as principais regiões do país.
A partir de então, resolvi adequar o perfil produtivo de minhas lavouras para altas produtividades. Novos plantios foram feitos obedecendo a padrões mais dinâmicos, conforme aconselhado pela assistência técnica e resultados em campo.
Apesar de não possuir lavouras com espaçamentos adensados, pois eram 100% mecanizáveis, tinha produtividade média de 36 sacas/hectare ao longo de 05 anos. Isto era o máximo em produtividade média para lavouras não adensadas e sem irrigação.
Controlava rigorosamente os custos e obedecia também rigorosamente às recomendações feitas pelo agrônomo, mesmo assim alguma coisa estava errada. Eram os resultados financeiros. Estava acumulando novamente prejuízos.
Então, o que fazer? Onde estaria errando? Isto não podia acontecer! Em conversas com meus amigos, também produtores, todos se queixavam e, inclusive eu mesmo. Colocava-mos a culpa nos preços de venda. Os custos de produção estavam superiores aos dos preços de venda.
Então comecei a estudar e analisar, com detalhes de engenheiro, o comportamento do mercado cafeeiro. Muito tempo se passou e muitas projeções eu fiz. Resultado: conhecia as tendências de produção/consumo/preços. Então minhas preocupações começaram a se concretizar e com elas a "luz no fim do túnel" começou a ficar cada vez menos visível.
Não encontrava saída consistente. Comecei então a engrossar o cordão dos que se dirigiam às lideranças de classe solicitando soluções políticas. Era preciso fazer algo para subir os preços do café, pois caso contrário eu também iria quebrar!
Soluções políticas, milagres, "palha benta",qualquer coisa seria válido, desde que os preços de venda do café permanecessem superiores a U$100 a saca, pois este era histórico.
A diferença estava na forma de minhas colocações. Como havia estudado com muitas análises o comportamento do mercado, tinha a percepção mais profissional das tendências e isto me preocupava com maior intensidade.
Algumas lideranças de classe, de meu convívio pessoal, não acreditam ou não davam ouvidos às minhas preocupações e colocações, pois dizia que o "bicho iria pegar" se não fosse feito algo com profissionalismo. Existia um fisiologismo enorme nestas lideranças. Faltava algo essencial na política cafeeira, mas nem mesmo eu sabia o que era!
Eu era um produtor eficiente, inteligente, bem informado e mesmo assim "NADA"!
Esta não era uma atividade lucrativa! Deveria eu desistir da mesma e procurar outros negócios!
Foi então, que após ter criteriosamente analisado as opções, constatei que:
1- Apesar de ser um dos produtores que tinha uma das maiores "produtivaidades" da região;
2-Possuir o controle total dos custos;
3- Possuir assistência técnica tida como das melhores;
4-Bem informado e dinâmico nas posições.
Mesmo assim o barco iria afundar e o pior: comigo dentro!
Havia detectado esta mudança (crise) que atinge atualmente a cafeicultura e analisando os efeitos da economia globalizada, associado à falta de ações da política cafeeira, percebi que não iria suportar a competitividade internacional. Resolvi sair da atividade antes do "bicho pegar, comer e lambuzar os beiços com a pouquíssima gordura que ainda eu possuía".
Já com outra empresa comecei a refletir sobre onde estavam localizados os erros que cometi.
Então, com o pé fora da atividade refleti com isenção e descobri que:
Acreditava que tinha tudo e fazia tudo correto, grande engano!
Faltava o essencial. Faltava eu ter planejado todas as minhas ações!
Faltava ter planejado estrategicamente com metas e objetivos, ter os orçamentos de custos muito antes de executar qualquer atividade ou processo. Analisar os custos/benefícios antes de comprar máquinas, equipamentos, produtos. Ter exigido dos profissionais que me prestavam assistência técnica e principalmente aconselhassem recomendações agronômicas o total comprometimento nos resultados produtivos/financeiros, afinal seriam milhares de pés de café sustentados por apenas meus dois pés, pois a inteligência não estava sendo explorada como deveria ser.
Eu tinha uma produtivaidade e apenas isto! Quanto dinheiro perdi, joguei fora! Foram milhões!
Não espelhar em resultados de outros sem a confirmação devida; alguém me alertou para isto? Alguém me comprovou isto na época?
Medir os custos simplesmente se traduzia em medir os prejuízos ou lucros que eu havia realizado. Era questão de sorte ou azar! Quantos erros, poucos acertos! Controlar os custos de minha fazenda apenas para fazer declaração de imposto de renda? Porque e para que? Qual a finalidade? Eu havia me tornado em apenas mais um produtor, não um empresário dinâmico.
Descobri sentindo na própria pele, que falta um profissionalismo enorme na área gerencial cafeeira.
Então, resolvi colocar toda esta minha experiência a favor da cafeicultura.

Engº José Eduardo Reis Leão Teixeira





Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 23/03/2008

Sr. Arnaldo

Para lhe mostrar a não ser leviano, procurei, logo acima, lhe responder, não à sua altura, mas à minha. Leia e não precisa se desculpar. Eu é quem peço desculpas, por ter lhe convidado a conosco participar deste debate. Certamente o senhor não agregaria conhecimentos, mas sim aborrecimentos.

Sds
José Eduardo

Arnaldo Reis Caldeira Júnior

Enviado em 24/03/2008

Grande coisa !

Fazer bonito com o chapéu dos outros ..... isto sim !
Sei que o meu primeiro questionamento não foi respondido, porque, o senhor não possui mais terras ou lavouras de café !
Ou seja, depois de sair da atividade, ainda quer implementar idologias ou filosofias ou melhor teorias .... ahahahaha !
Só sei que pode até conhecer mais café do que eu, porém não teve competência para continuar na atividade !
Eu ainda estou na atividade, não devo nos bancos, no ano de baixa equiibro meus custos com minha renda, e ganho dinheiro no ano de safras altas ..... este é o meu curriculum !
Portanto, o que vale é a prática e não a teoria !
O grande problema, é que ainda hoje, existem produtores que acreditam que vão enriquecer com o café ! E na verdade no mundo inteiro ninguém fica rico na agricultura !
Lutamos para o agricultura poder dar uma vida digna aos produtores, e não uma vida de riquezas !
Caso alguém pensa em "ENRICAR" com o café, ralmente pode mudar de atividade !

Jose Eduardo Reis Leão Teixeira

Enviado em 24/03/2008

Sr. Arnaldo

Em debates existem algumas fases diferenciadas, as emoções iniciais são naturais, sendo que após estas é natural também que haja acomodações emocionais e o tema seja explorado na sua essencia.
No caso do senhor, nem ao menos consigo classificar o tipo de manifestação ao debate; técnica não é, como participante não é -conforme suas palavras- , mas não me aborrece, ao contrário considero como uma oportunidade para atiçar o desafio. Quem sabe conseguiremos fazê-lo se acomodar e discutir com argumentos válidos, sobre o tema proposto.
Veja: para seu conhecimento, elaboramos e acompanhamos planejamentos estratégicos plurianuais, para clientes. São clientes, que necessariamente exigem resultados financeiros na produção do arábica. O raciocínio aplicado é de lucro sob qualquer condição de preços de venda, portanto, pela característica apresentada vê-se tratar de um desafio profissional. Não se pode haver erros, nem mesmo de colocar desculpas em comportamento climático ou quaisquer outras desculpas comumente anunciadas.
Sendo assim, como empresa, afirmamos que fazemos com que nossos clientes obtenham resultados financeiros de lucros, portanto, se contenha em palavras agressivas ou inverídicas. Se não acreditar, o que é direito de qualquer pessoa, formule suas contra-argumentações, pois se estou aqui até mesmo mostrando e abrindo uma metodolgia que eficientemente funciona e gera lucros; faço isto para beneficio dos cafeicultores. Isto significa que tenho por ideal, isto mesmo "IDEAL" em contribuir.
Quando se trata de ideal, meu querido, parece que somos movidos por uma força maior, pois a finalidade passa a ser em prol de um conjunto social, no caso em questão os cafeicultores. A moral, respeito e profissionalismo, que já existem latentes, se potencializam e o sentimento de defesa ao ideal faz-nos sublimar o que em outras oportunidades não faríamos.
Assim sendo, afirmo: somos capazes, sou capaz.
Complementando, sugiro, em seu caso, para se situar melhor neste contexoto e não perder tempo em divagações, inúteis e infundadas, que procure na UFLA (Universidade Federal de Lavras) o Profº titular de Economia e Adminstração Engº Agrº Ricardo de Souza Sette, renomado,conhecido e respeitado, o qual poderá atestar minhas palavras e conceitos. Portanto, perceba que não tenho apenas argumentos, mas também comprovações.
Nos concentremos nisto, pois estarei a partir de agora concluindo todos os conceitos que defendo, quebrando conceitos que considero errôneos, mas ao contrário de quase todos não estarei quebrando os cafeicultores, mas talvez até mesmo os enriquecendo. Só que isto é outra história.

Sds,
José Eduardo Reis Leão Teixeira

Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 24/03/2008

Prezado senhor José Eduardo,

Aproveitei o final de semana para torrar um pouco de café....é gratificante tomar um cafezinho que eu mesmo produzo....

viajei com o aroma de café torrado ...lembranças da infância...

Mas vamos lá.

Entendo que estamos no caminho correto para esclarecer suas opiniões e conclusões sobre a apuração dos custos, ou melhor, a gestão de custos.

O Planejamento por atividade, o planejamento na hora de imobilizar capital, o estudo e implantação de processos que visam reduzir tempo gasto na atividade e sua consequente redução de custos , com certeza são fatores de sucesso para o cafeicultor.


Então, peço que continue no seu raciocínio, pois temos muito que caminhar, até chegarmos na viabilidade e implantação da sua idéia.

Cordialmente,

Mara Luiza Gonçalves Freitas

Enviado em 24/03/2008

Oi Cláudio,
boa noite!
Obrigada pelo convite. Como professora da área de administração, fiquei encantada pelo nível do debate, a profundidade das discussões e a qualidade de apresentação de conhecimentos: um doutorado para mim. Sou uma humilde aprendiz perto dos senhores.

Eu sou acadêmica e tenho dez anos de estudos relacionados à cafeicultura, atuo como consultora e nutro um carinho particular por questões relacionadas à política cafeeira.

Tudo o que construímos no âmago do agronegócio café, nasceu da ponta da caneta. Desde a missão de Palheta à Guiana, passando pela fundação do Banco do Brasil até o Pepro. Em razão dessa percepção, obrigo-me a concordar com a percepção do Sr. José, quanto à análise regional dos custos de produção.

Conhecimento detalhado de custos pormenorizadamente é o primeiro caminho para a consolidação de um novo modelo de política cafeeira no país. O conhecimento deve sair da base e ir até o topo da pirâmide, com toda a sua riqueza de nuances, para que o tomador de decisão político, acerte nas suas proposições, na elaboração do aparato legal, na condução de estratégias de longuíssimo prazo. Quem faz política cafeeira obrigatoriamente precisa pensar 20 anos a frente do seu presente. É praticamente uma geração a frente da sua. E o exercício da função é de grande responsabilidade, uma vez que uma decisão errada, muda tudo, prejudica pessoas, arruina famílias e histórias de vida.

A cafeicultura brasileira precisa de planejamento estratégico e de gente capaz de seguir a risca os propósitos do planejamento.

Quanto à pergunta do fórum, sim é possível: com um sistema de informação integrado implantado na fazenda. Consolidar a informação das milhares de fazendas numa base de dados do governo, é uma outra coisa. Mas penso que não seria difícil projetar um sistema assim. Seria complexa sim, sua implantação e operacionalização.

É isso.

Abraço,

Mara Freitas



Cláudio José da Fonseca Borges

Enviado em 25/03/2008

Prezada Mara,

Concordo que devemos pensar 20 anos à frente, desde que criemos condições para chegar em 2028 produzindo e ganhando dimheiro com o café.

Mas a questão que se coloca é :

1)Devido aos altos custos dos insumos, 2)os altos custos da mão de obra, 3)a concorrência de países produtores que estão aumentando a quantidade e a qualidade de seus cafés a custos menores, 4)a falta de uma política que assegure um rendimento mínimo para os cafeicultores e 5) a desvalorização do dólar frente à todas as moedas mundiais e principalmente em relação ao dólar , se não houver um fato novo , poucos que hoje produzem café terão condições de passar para a próxima geração, uma empresa rural estruturada e lucrativa.

Reconheço que as soluções práticas que podemos estudar e analisar neste fórum, não serão facilmente implementadas.... porém, se forem factíveis, podemos divulgar e de alguma forma cobrar da classe política cafeeira uma ação direcionada para as soluções....

Vou imaginar um caminho para se chegar a um custo regionalizado.

Precisa de computador na fazenda? cria-se um programa de incentivo para venda dessa ferramenta ( com o software rural gratuito instalado ) para o produtor rural, com pagamento em café. Cria-se programas gratuitos de treinamento em informática (à noite), onde serão conhecidos os procedimentos para se utilizar o software.

As informações informatizadas serão transmitidas no final do mês para uma "Central do Café" e se apurará o custo médio mínimo, médio e máximo, que serão informados aos participantes do sistema que deverá ser totalmente gratuito.

Os procedimentos das propriedades que obtiveram o custo mínimo serão disseminados pelos participantes, através de um programa de " Boas práticas para redução de custos" , onde todos poderão conhecer o que se faz nas fazendas mais eficientes.

Com pouco tempo teremos disseminado esses conhecimentos e práticas, e depois de implantados , aí sim poderemos falar de um custo regionalizado.

Porém, é preciso conhecer como se planeja a atividade, executa os processos pré-definidos e apura-se o custo.... isso deve ser um procedimento igual para todos os produtores e fazendas.

Aqui no fórum, estamos no estágio de analisar as várias formas de se tratar o Custo.

Tendo isso concluído, podemos pensar no segundo passo que é como levar essas práticas para as fazendas cafeeiras... e depois como implantar um sistema informatizado, integrado e confiável que gere informações precisas sobre o custo de cada região.

Então vamos lá... qual é a melhor forma de tratar o Custo?

E é isso que o prezado senhor José Eduardo está nos demonstrando.

Proponho que no final da sua explanação, façamos um grande debate e cheguemos a uma conclusão que possa ser levada para ser debatida nas diversas esferas do negócio do café....

Bom dia.

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