Em matéria divulgada aqui no CaféPoint, abordou-se a questão da falta de tecnologia na cafeicultura de montanha, que tem originado debates na cadeia produtiva e orgãos públicos para que se encontre soluções a este desafio.
O tema foi desenvolvido por leitores, que discordaram a respeito da real proporção da importância de novas máquinas ou tecnologias no desenvolvimento deste tipo de produção.
O cafeicultor Ari de Oliveira Filho, de Manhumirim-MG, concordou com o foco da notícia e enfatizou a necessidade de maquinários inovadores: "Boa matéria e bem realista. Tendo em vista que o grande problema é a colheita, acredito muito no terraceamento com colhedeira lateral acoplada ao trator. Falta é interesse por parte dos fabricantes de máquinas.
Por outro lado, o cafeicultor Francisco Sérgio Lange, de Divinolândia-SP, discordou do enfoque da matéria sob o prisma da tecnologia para a efetiva evolução da cafeicultura serrana.
" O problema da cafeicultura de montanha não está na montanha, está na cabeça dos seus cafeicultores. Se as mudanças socioculturais, ambientais e comerciais propostas atualmente não forem aceitas por eles, em nada adiantará o desenvolvimento de máquinas."
Após a leitura abaixo dos argumentos desenvolvidos pelo Sr. Francisco como suporte a sua hipótese, o CaféPoint pergunta a você, leitor: mais inovações tecnológicas em maquinários ou maior cooperativismo ativo dos cafeicultores? Quais dos dois temas possuem mais relevância à maior sustentabilidade econômica da cafeicultura de montanha?
"(...) Acredito que conheço um pouco desta realidade. Há mais de 25 anos que participo do Sindicato Rural de Divinolandia, e sou também presidente da APROD - Associação dos Cafeicultores de Montanha de Divinolandia/SP, associação esta fundada em 2005, e atualmente com 55 associados, portanto, reside aqui um grande problema, qual seja, a falta de participação, a grande maioria gosta de esperar para ver se o projeto vai dar certo.
(...) Importante, só tenho conseguido produzir qualidade depois que fundamos a associação, pois através dela temos acesso ao conhecimento, treinamento e disciplina.
Estou ainda como gerente executivo do projeto de construção de uma unidade de seleção de grãos café cru, armazém este que estamos iniciando a construção , em parceria com o governo do Estado de São Paulo/Microbacias II, com o objetivo de acessarmos o mercado de forma direta.
Tenho me empenhado muito em busca do reconhecimento de minha região, através do nosso projeto de indicação geográfica modalidade denominação de origem, projeto este onde tenho me dedicado de corpo e alma, tanto lá na Federação da Agricultura e Pecuária de SP, onde sou membro da mesa diretora do café, como também na Câmara Setorial de Café do Estado de São Paulo, onde defendo com todas as minhas energias o pequeno produtor, especialmente o de montanha e de agricultura familiar.
Dificilmente expresso-me através destas funções, prefiro ser simplesmente um cafeicultor de montanha aqui de Divinolândia, e pode ter certeza, os teus problemas (destinado ao Sr. Ari) são os meus. (...) Agora, nada disso tem valor para mim se não fosse o fato de eu realmente acreditar naquilo que faço, gosto de ser cafeicultor, mas a cada dia percebo que fica mais difícil para nós, pequenos, aceitarmos as mudanças que nos vem sendo impostas, daí a necessidade de entendermos qual é o verdadeiro motivo que nos leva a continuarmos praticando esta atividade. (...) Atualmente não existe espaço para um único indivíduo, há necessidade de estarmos organizados, assim, convido-lhe para juntos brigarmos em prol da cafeicultura de montanha brasileira."
Confira aqui a matéria que deu origem a este debate e participe.
Inovações para a cafeicultura de montanha gera debate
Em matéria divulgada aqui no CaféPoint, abordou-se a questão da falta de tecnologia na cafeicultura de montanha, que tem originado debates na cadeia produtiva e órgãos públicos para que se encontre soluções a este desafio. Confira os diferentes pontos de vista e argumentações por parte de cafeicultores-leitores sobre esta questão e participe com sua visão sobre o assunto.
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