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Um funeral para o agronegócio

Por ANDRE MELONI NASSAR
postado em 21/01/2010

 

Lendo o decreto do 3º Programa Nacional de Direitos Humanos (PNDH-3) e os esclarecimentos sobre como o processo de consulta à sociedade foi feito, sou induzido a chegar à seguinte conclusão: o agronegócio não interessa à sociedade e ao governo brasileiros, pelo menos sob a perspectiva de garantia de direitos humanos. Diria, portanto, que conceitualmente o PNDH-3 enterra o agronegócio e atesta seu óbito no Decreto 7.037, datado de 21 de dezembro de 2009.

Os argumentos para o funeral do agronegócio, extraídos do atestado de óbito: o agronegócio contribui para, potencialmente, violar o direito de pequenos e médios agricultores e populações tradicionais; seus componentes, as monoculturas da cana-de-açúcar, do eucalipto, da soja e a grande pecuária (não sabia que havia a pequena pecuária), fazem mal ao meio ambiente e à cultura dos povos e comunidades tradicionais. Ainda estou meio fora de prumo com o julgamento do agronegócio que é apresentado no PNDH-3.

Por mais que tente colocar-me no lugar das pessoas que participaram da elaboração do PNDH, tenho dificuldades em enxergar esse "agronegócio do mal" refletido no programa. Posso entender que exista uma corrente neste governo que acredite em outro modelo de produção agropecuária e florestal. Vá lá. Mas daí a afirmar que o agronegócio vai contra os interesses do Brasil em direitos humanos me parece algo fora de propósito e baseado numa hipótese heróica - ou seja, impossível de ser provada -, a de que a produção agropecuária não baseada no agronegócio (seja lá o que isso for) respeita os direitos humanos e o meio ambiente. Difícil de acreditar.

As manifestações passionais sobre o agronegócio que aparecem no PNDH não são fato isolado. A contestação do modelo que o Brasil seguiu na produção de alimentos, fibras, biocombustíveis e matérias-primas industriais de base agrícola e florestal tem se repetido em outros fóruns e ocasiões. O PNDH, a meu ver, foi o canal encontrado para tentar (espero que sem êxito) criar instituições que viabilizem a implantação de um novo modelo. Se, de fato, a sociedade brasileira fosse capaz de se imaginar com um modelo de produção agropecuária e florestal do tipo do da Índia, que é o que os contra-agronegócio, no fundo, defendem, ela barraria qualquer tentativa de enterrar o agronegócio como o conhecemos hoje.

O interessante é que o agronegócio nem sempre foi visto como vilão. É uma espécie de moda: daqui a algumas estações, muda a tendência de novo. Se o funeral do agronegócio foi em 2009, seu surgimento ocorreu em 1990, tudo registrado no livro Complexo Agroindustrial: o Agribusiness Brasileiro. Foi uma morte precoce, não? À época, os autores do livro nem poderiam imaginar que definir as cadeias produtivas de base agrícola e florestal como agronegócio produziria seu próprio calvário 20 anos depois. Deve haver alguma explicação no inconsciente coletivo dos "esclarecidos brasileiros". Colocada a designação agronegócio, já se ganha a pecha de algo ruim, que a sociedade brasileira não merece.

A despeito da nossa memória curta, o agronegócio brasileiro já teve seus dias de glória. Há dez anos era ovacionado mundo afora. Ninguém conseguia entender como um agronegócio tão jovem pôde ter crescido tão rápido. Foi nessa época que um sem-número de estrangeiros passou a conhecer o Brasil mais de perto. Mas não era apenas fora do Brasil que havia essa admiração. Aqui dentro, também. Dizia-se que o agronegócio era responsável por gerar divisas para o balanço de pagamentos brasileiro. Reconhecia-se que o setor havia trazido desenvolvimento para o interior do País, financiando as atividades econômicas que permitiram o nascimento de diversas cidades. E se via o agronegócio como uma solução para parte dos problemas dos agricultores familiares, porque, por meio das cadeias agroindustriais organizadas, estes tinham acesso ao mercado.

Ao longo dos anos 2000 as coisas foram mudando. Ganharam força no governo as linhas de pensamento que acham que um modelo de produção agropecuária baseado em milhões de pequenos produtores seria ambiental e socialmente melhor. Eu não acredito nisso. Os resultados do Censo Agropecuário de 2006 ilustram bem a situação. Até para poder reafirmar as classificações de tipos de produtores definidas no passado, o censo de 2006 trouxe dados de agricultores familiares e assentados em separado. Na grande maioria dos produtos, o censo indica que a produtividade (quantidade de produto por unidade de área) dos agricultores assentados é menor que a da média dos agricultores familiares e comerciais. Isso indica que uma agricultura estruturada em pequenos agricultores pode até ser boa para segurar o homem no campo, mas não será boa para o consumidor urbano.

Os casos da China e da Índia, que têm um modelo de agricultura parecido com o ideal do grupo antiagronegócio, são ilustrativos. A pobreza no campo é muito maior que no Brasil, os problemas ambientais são muito mais profundos, porque os produtores utilizam tecnologias rudimentares de produção. O consumidor urbano tem problemas de segurança alimentar porque o setor agrícola produz menos do que o país consome. O governo é obrigado a gastar enormes quantidades de dinheiro subsidiando o produtor e o consumidor, perpetuando uma agricultura de baixa produtividade, e não consegue fazer políticas de renda no campo porque o contingente de pessoas vivendo na pobreza no meio rural é muito grande.

Cobrar as responsabilidades sociais e ambientais do agronegócio faz sentido. Carrear grande parte dos subsídios agrícolas para fortalecer os agricultores familiares, também. Criar instituições baseadas na hipótese de que o modelo de agronegócio é ruim para a sociedade brasileira é um erro. Já devíamos saber disso aqui, no Brasil.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo:

ANDRE MELONI NASSAR    São Paulo - São Paulo

Pesquisa/ensino

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Comentários:

Roberto Wagner Travençolo

Cacoal - Rondônia - Corretor de café
postado em 21/01/2010

Esse atual "governo" não sabe mirar, vivi atirando no próprio pé.
Por causa da sua ineficiência em diminuir a pobreza urbana, proporcionando empregos para tirar a fome dos favelados, transfere as favelas para o campo sem terem nenhum conhecimento do que seja produzir, tentando tampar o sol com peneira.

Luiz Antonio Gonçalves Rodrigues de Souza

Brasília - Distrito Federal - Instituições governamentais
postado em 25/01/2010

Caro André,

essa sua excelente exposição me fez lembrar o discurso de Roberto Rodrigues na formatura dos 100 da Esalq: "...podem ter certeza de que o jogo é duro. Quando começarem a falar cada vez mais mal do agronegócio brasileiro é sinal de que estaremos tendo sucesso. Ninguém perde tempo se preocupando com aquilo que não incomoda.."

Ainda que o Brasil tenha muito que avançar na proteção dos direitos básicos, não seria sensato fazê-lo à custa da competitividade dos setores produtivos. Ora, não é esse um dos grandes motivos da aprovação do Governo Lula? De que o país está conseguindo distribuir renda, mas com aumento da atividade econômica? Tentar obstaculizar a produção do agronegócio não serve aos interesses brasileiros. Com certeza não fará um milimetro de avanço para os direitos fundamentais da pessoa humana. Desemprego e queda de renda não auxiliam aqueles militam pelos direitos humanos. Esperemos que seja um arroubo daqueles quentes mas passageiros que surgem em meio às conferências.....


Mais uma vez, parabéns pelo artigo.

Luiz Rodrigues



Diogo Dias Teixeira de Macedo

São Sebastião da Grama - São Paulo - Engenheiro Agrônomo
postado em 28/01/2010

Parabéns André,

Você foi muito feliz em seu artigo!!! Descreveu claramente como a agricultura moderna, eficiente e de bons resultatdos para a balança financeira do país vem sendo tratada (como você disse a 10 anos) por esse "Governo" ou melhor "desgoverno".

Como o Carlos Marcelo Saviani disse: deixa doer no bolso dos consumidores que o agronegócio volta a ser tratado como deveria ... porque ninguém fica sem comer!!!

aysser sebe temponi

Santa Maria do Suaçuí - Minas Gerais - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 04/02/2010

Concordo plenamente com o patrício, o Sr. Nassar. Os únicos detalhes omitidos forram:

PRIMEIRO: A DEMARCAÇÃO DO BRASIL-COLÔNIA:

Na demarcação de terras do Brasil-Colônia, a mil e tantos anos atrás, os homens que primeiro amaram esta terra, verdadeiramente, não os oportunistas de hoje, são os fazendeiros portugueses, com os bandeirantes de várias etnias (portugueses,franceses, ingleses etc), abrindo picadas à frente. São estes os heróis que nos deram este imenso território, conseguido, claro, a troco do derramamento de muito sangue nas diversas lutas empreendidas contra os povos indígenas e as várias nações européias: Portugal, Espanha, Holanda, Inglaterra, França tendo contra si ainda as pestes e doenças enfrentadas com a ausência de qualquer infraestrutura sanitária, rodoviária e política. E quanto a algum masoquista que insanamente possa ler estas linhas e se solidarizar, infantilmente, com a não dizimação indígena autóctone, pensemos então no que seria se apregoá-se-mos a existência dos homens das cavernas até hoje. Daqui a um milhão de anos, nossos sucessores nos terão como homens das cavernas, proporcionalmente também. É a vida. E hoje, nem trabalhador rural vive na roça, muito menos os indígenas de hoje que, na primeira oportunidade, vem à cidade, para usufruir de toda modernidade. Ou seja, nem índio quer ser, genuinamente, índio. Hoje temos índios acampados em muitas capitais.

SEGUNDO: A CHEGADA DOS PRECURSORES DA GLOBALIZAÇÃO:

Na consolidaçâo de nosso imenso Brasil, nos valemos da escravidão dos povos africanos, não por maldade, mas apenas por uma cultura da época. Contudo, esta cultura escravocrata, se viu insana e economicamente inviável, pois o africano não fazia girar a economia apenas por ser trabalhador braçal. Precisávamos de homens que, além de trabalhadores braçais, fossem também, cultos, principalmente agricolamente falando, dentre outras artes e consumistas, obrigatoriamente, também. Esta era a exigência, sine quae non, para o progresso, VÁLIDA ATÉ HOJE. Os negros fogem do campo indo para as cidades gerando as favelas e cortiços se dedicando às artes.
Concomitantemente e proporcionalmente à saída dos africanos do campo, somos brindados, de 1800 em diante, com a leva de imigrantes Italianos, turcos, e libaneses, dentre eles os meus bisavós libaneses e italianos ( o meu italiano foi acometido de uma febre e faleceu em 1913, com a jovialidade de seus 54 anos.) e ,muito provavelmente o do patrício, o Sr. Nassar, dando início efetivamente à globalização a qual, na verdade, iniciada por eles, e não a pouco tempo, como apregoam alguns historiadores.
Se, ( mas não é...veja mais abaixo!!!) tudo isto tem a ver com a defesa, nobilíssima, do meio ambiente, em que vale radicalizar até contra o estrume de gado, então vamos direto ao assunto reconhecendo que na verdade o grande poluidor que pode ser substituído com novas tecnologias é o vilão maior, o petróleo.

Ele está em toda parte desde a plataforma das indústrias até o escapamento dos carros. Assim investido-se no hidrogênio o qual produz O2 ( oxigênio) ao invés do CO2 do estrume das vacas e dos escapamentos dos carros os quais são , este último, infinitamente em maior numero do que o número de gado, estaremos neutralizando o problema em duas frentes: livrando a a atmosfera do CO2 dos carros e fazendo-os, os carros, produzier, liberar O2. Simples como historinha de criança. Sem contar nos motores életricos que já estão para serem homologados por um engenheiro da família Gurgel, Elifas, em são Paulo no primeiro semestre de 2010. Vá em: http://www.ve.org.br e na guia "imprensa" você verá, extasiado, no segundo item, o que este engenheiro, foi capaz.

Hitler estava erradíssimo, mas ninguém pode negar que a genética tem lá suas razões.
Será que, visionários, os valorosos&maravilhosos americanos, nunca entraram nesta de redução de metas de carbono ?

Esta é a vida: primeiro dizimaram os homens das cavernas e indígenas, depois escravizaram os negros, liberaram as mulheres para fazerem filhos como, quando e onde quizerem dando mais um reforço nas já conturbadas favelas e agora querem dizimar os fazendeiros e agricultores para dar abrigo a tudo isto.
E nesta luta de hoje falta-nos: união de nossa parte ( na minha região é "zero"!!! ) e representação política, haja vista a quantas anda nossos representantes magnos na Brasília do Arruda, que além de viver como vivem ainda coadunam com uma lei destas.
Neste ponto concordo com meu patrício, um modismo, efetivamente. Lutemos, com se diz em minas, antes que seja tarde.

aysser sebe temponi

Santa Maria do Suaçuí - Minas Gerais - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 04/02/2010

Concordo plenamente com o patrício, o Sr. Nassar. Os únicos detalhes omitidos forram:
Continuação:
Ele está em toda parte desde a plataforma das indústrias até o escapamento dos carros. Assim investido-se no hidrogênio ( veja: www.portalh2.com.br) o qual produz O2 ( oxigênio) ao invés do CO2 do estrume das vacas e dos escapamentos dos carros os quais são , este último, infinitamente em maior numero do que o número de gado, estaremos neutralizando o problema em duas frentes: livrando a a atmosfera do CO2 dos carros e fazendo-os, os carros, produzier, liberar O2. Simples como historinha de criança. Sem contar nos motores életricos que já estão para serem homologados por um engenheiro da família Gurgel, Elifas, em são Paulo no primeiro semestre de 2010. Vá em: http://www.ve.org.br e na guia "imprensa" você verá, extasiado, no segundo item, o que este engenheiro, foi capaz.
Hitler estava erradíssimo, mas ninguém pode negar que a genética tem lá suas razões.
Será que, visionários, os valorosos&maravilhosos americanos, nunca entraram nesta de redução de metas de carbono ?
Esta é a vida: primeiro dizimaram os homens das cavernas e indígenas, depois escravizaram os negros, liberaram as mulheres para fazerem filhos como, quando e onde quizerem dando mais um reforço nas já conturbadas favelas e agora querem dizimar os fazendeiros e agricultores para dar abrigo a tudo isto.
E nesta luta de hoje falta-nos: união de nossa parte ( na minha região é "zero"!!! ) e representação política, haja vista a quantas anda nossos representantes magnos na Brasília do Arruda, que além de viver como vivem ainda coadunam com uma lei destas.
Neste ponto concordo com meu patrício, um modismo, efetivamente. Lutemos, com se diz em minas, antes que seja tarde.

aysser sebe temponi

Santa Maria do Suaçuí - Minas Gerais - Distribuição de alimentos (carnes, lácteos, café)
postado em 07/02/2010

Não sei como usar de um portugues mais claro para explicar minhas ideias acima, mas vou tentar:
A alcunhada"lei Funeral" pelo Sr. Nassar não tem mais sentido tendo em vista o surgimento do carro eletrico, obra e graça de Dr. Elifas Gurgel nas ruas até meados de 2010 conforme email abaixo e o do a hidrogenio mais adiante conforme site: http://www.portalh2.com.br/.

Com sua magnifica estratégia, Dr. Elifas Gurgel, foi direto ao ponto, não inventando um carro eletrico ou a hidrogenio novos como varias montadoras estão fazendo; ele simplesmente adptou um motor eletrico americano em um carro comum, um gol. Desta feita qualquer um de nos poderá faze-lo em uma oficina credenciada em breve ( meados de julho/10, vide email) como podem depreender do email gentilmente enviado a mim neste sábado(6/02/10).
Pediria, humildemente, em nome do agronegocio, ao Sr. Nassar repassar estes emails ao ambientalistas de Brasilia ( que parecem que nunca visitaram uma roça,comeram queijo nem lêem jornal) para que sintam o tamanho do estrago que vao causar se não considerarem o carro eletrico&H2 ao inves de propagarem a destruição de nós fazendeiros...do agronegocio, do Brasil com a "Lei Funeral".
Vão dar com os burros nágua, há se vão!!! Mil tiros de canhão ao Dr. Elifas Gurgel!!!.
Quem quiser conhecer mais é só digitar em qualquer jornal de São Paulo, no google ou no youtube o nome deste herói brasileiro....ou melhor dos fazendeiros, do agronegocio. Não podemos esperá-lo morrer para fazer uma estátua para ele.!!! Sadan era vivo e tinha uma...umas tantas...!!!
E digo mais: até o petróleo do pré-sal do Lula&Dilma bem como o de seu amicíssimo venezuelano, Chaves...e até o de meus todos-poderosos meio-patricios árabes ( embora libanês não seja árabe e nem tem petróleo!) estão com os dias contados. Nem imagino o que vai virar isto daqui a alguns anos....este povo sem terra, só areia, e sem dinheiro....os petrodólares!!!!

Hoje não é com dantes, as tecnologias mudam tudo muito rápido, e a mais esperada e desestruturadora, para alguns, é a saída de cena do petróleo. E não vai ser como nas telecomunicacoes, vai ser como na substituição do carvão pelo vapor, na Revolução Industrial.

Me perdoem se ainda não fui claro!

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