Será que a era do refrigerante acabou?
Grandes grupos norte americanos do ramos de bebidas vêm se debatendo para reverter o declínio no consumo de refrigerantes nos Estados Unidos, em que se prefere cada vez mais água, café e outras bebidas. "A questão daqui para frente é se isso será a nova norma", analisa especialista do setor.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Agora, os analistas do setor se perguntam se essa queda nas vendas será permanente.
"A questão daqui para frente é se isso será a nova norma", diz Steve Powers, analista do setor de bebidas da firma de pesquisa Sanford C. Bernstein.
Os refrigerantes, e o açúcar que eles contêm, se tornaram os vilões dos problemas de saúde dos consumidores, como diabetes e obesidade dos americanos. Enquanto isso, a geração acostumada a beber refrigerantes está envelhecendo e os jovens — o mercado tradicional da bebida — estão hoje se voltando para a água, os energéticos e o café.
As vendas de refrigerantes caíram 0,6% no ano passado até 30 de dezembro, para US$ 28,7 bilhões, nas lojas americanas monitoradas pela SymphonyIRI Group. Em volume, as vendas caíram 1,8%.
O ritmo do declínio piorou no fim do ano. As vendas em dólar deslizaram 2,5% no período de 12 semanas encerrado em 30 de dezembro em relação ao mesmo período de um ano atrás, e diminuíram 2,8% considerando somente dezembro, segundo a firma de pesquisas de mercado, depois que os fabricantes de refrigerantes aumentaram os preços, reprimindo ainda mais a demanda. Em volume, as vendas caíram 3,55% no período de 12 semanas e 4,9% em dezembro.
Os dados não incluem as vendas de refrigerantes em restaurantes, máquinas e alguns outros estabelecimentos. Pessoas do setor dizem que, levando todos esses pontos de venda em consideração, as vendas totais de refrigerantes provavelmente aumentaram um pouco no ano passado — mas só um pouco.
Embora as fabricantes Coca-Cola, Pepsi e Dr. Pepper Snapple venham expandindo agressivamente suas carteiras para incluir produtos de rápido crescimento, como bebidas esportivas e sucos, uma queda prolongada na receita de refrigerante dos EUA representaria um sério golpe. Os refrigerantes representam quase 25% do mercado de bebidas dos EUA. Sua escala imensa vem também por décadas garantindo gordas margens de lucros. Cerca de 60% da receita da Coca-Cola nos EUA vêm de bebidas carbonadas, contra com 25% da PepsiCo.
As empresas, porém, afirmam que seus prognósticos até agora não são nada ruins. Os refrigerantes estão apresentando um crescimento robusto em muitas partes do mundo, dando um impulso à Coca-Cola e à PepsiCo, que geram respectivamente cerca de 60% e 50% da sua receita fora dos EUA.
Suas bebidas novas também são lucrativas e estão tendo forte crescimento, garantem as empresas. "Creio que podemos ser otimistas", disse no mês passado Sandy Douglas, diretor de clientes mundial da Coca-Cola.
No Brasil, a Abir, associação que representa os fabricantes de refrigerantes, informa que o consumo per capita da bebida caiu de 75,2 litros em 2010, para 73,9 litros em 2011. Não há dados disponíveis para 2012.
A PepsiCo está investindo milhões de dólares para promover e dar uma reviravolta nos seus refrigerantes nos EUA, depois de ter perdido participação de mercado para a Coca-Cola.
As fabricantes também estão desenvolvendo adoçantes naturais de baixa ou nenhuma caloria que imitam o gosto dos refrigerantes calóricos. Mas o progresso tem sido lento, mantendo a participação geral de mercado dos refrigerantes diet em torno de 30%.
No ano passado, a PepsiCo lançou a Pepsi Next nos EUA, uma versão medianamente calórica, adoçada artificialmente, do seu principal refrigerante. Já a Coca-Cola começou a testar versões de baixa caloria e adoçadas naturalmente de Sprite e Fanta em algumas regiões dos EUA. Já a Dr Pepper Snapple, a terceira colocada no mercado, está lançando versões de 10 calorias com várias de suas marcas.
Mas essas iniciativas ainda não reverteram o cenário para os refrigerantes. A Pepsi Next e Dr Pepper 10 têm, cada uma, menos de 1% do mercado e o último grande lançamento diet da Coca-Cola, a Coke Zero, aconteceu em 2005. Alguns observadores do setor acreditam que as empresas não fizeram o suficiente.
"Elas estão tão concentradas nos adoçantes que não fizeram inovações mais tradicionais como sabores e outros benefícios", diz Mark Swartzberg, analista da Stifel Nicolaus.
As informações são do The Wall Street Journal, adaptadas pelo CaféPoint.
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!
Deixe sua opinião!
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 22/01/2013
Mark Pendergrast, um estudioso norte-americano, relaciona o declínio do consumo de café nos EUA com o ascensão dos refrigerantes, a partir da década de 1950. No seu excelente livro "Uncommon Grounds" é relatado como os refrigerantes conseguiram conquistar os jovens, com apoio de uma boa estratégia de marketing. A indústria do café ficou perdida durante anos, só voltando a ganhar destaque no final da década de 1980, quando o consumo voltou a crescer e os cafés especiais ganharam destaque.
A equipe do Bureau de Inteligência Competitiva do Café tem monitorado as notícias sobre a indústria de refrigerantes. Segundo nossas pesquisas, a crescente preocupação com a saúde e busca de hábitos saudáveis tem elevado a pressão sobre essas bebidas. Como se sabe, os americanos sofrem com a obesidade e o açúcar dos refrigerantes não ajuda na redução do problema. Alguns políticos norte-americanos já estão discutindo a criação de taxas sobre os refrigerantes. Medidas para que o consumidor seja informado do número de calorias contidas em cada garrafa também estão sendo implantadas.
Enquanto isso, pesquisas recentes evidenciam cada vez mais os benefícios do café para a saúde humana.
Outro ponto interessante: o texto acima menciona a falta de inovação da indústria de bebidas gaseificadas. Nesse aspecto, a indústria do café está muito bem, tanto em produtos quanto em serviços. As máquinas de café em dose única e a expansão de cafeterias por todo o mundo são bons exemplos.
Se era dos refrigerantes acabar, que tenha início a era do café.
Abraços,
Eduardo Cesar