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Sara Lee e 3Corações disputam grupos regionais
A consolidação do mercado brasileiro de café torrado e moído ainda está longe de acabar. Nos últimos anos, a americana Sara Lee e o grupo brasileiro-israelense 3Corações incorporaram inúmeras marcas e empresas tradicionais, a exemplo da paranaense Damasco, comprada em novembro pela americana e a mineira Fino Grão, arrematada em março pela 3Corações.
Até o final do ano, mais uma média empresa deve sair de cena. Nos últimos dois meses, o mercado especulou que a sergipana Maratá, forte em vários estados do Nordeste como Bahia, Sergipe e Alagoas, estaria mantendo conversações com a Sara Lee, 3Corações, Bunge e Cosan.
Passadas as reuniões iniciais, agora as negociações giram em torno do preço dos ativos da empresa e da marca. "Eles procuraram a nós e a outros compradores em potencial, assim como somos procurados mensalmente nos últimos dois anos por diversas empresas de café do país. O momento é de discussão", diz Hugues Godefroy, diretor comercial da Sara Lee no Brasil.
Um dos pontos nevrálgicos deste tipo de negociação gira em torno do preço. "Tem o valor que o vendedor pretende receber e o que o comprador está disposto a pagar", diz Godefroy, sem citar cifras. O mercado chegou a especular que a Maratá valeria R$ 1 bilhão, 10 vezes mais que o valor pago pela Damasco.
Há quem considere o número estratosférico e há ainda quem diga que a conta não é tão simples assim, uma vez que, além da divisão de café, a Maratá também atua em refrescos, temperos, gelatinas, chás, achocolatados e até mesmo fumo. Pelo visto, o que mais parece interessar à Sara Lee e à 3Corações não é o conjunto de cinco fábricas que a Maratá reúne em Sergipe e na Bahia, mas o peso de sua marca de café no Nordeste e seu eficiente sistema de distribuição.
A Sara Lee, por exemplo, detém duas unidades industriais: uma em Jundiaí (SP) e a outra em Salvador (BA). A primeira passa por um processo de ampliação de linha e a segunda veio da aquisição da Damasco. Já a 3Corações, de Eusébio (CE), tem sete fábricas no Brasil.
Hoje, o Grupo 3Corações lidera o mercado nordestino de café industrializado, seguido pela Maratá e, em terceiro, pela Sara Lee. "Uma característica da Maratá a ser considerada é a distribuição numérica. Ela está em mais pontos de venda que a Sara Lee", admite Godefroy.
A Maratá é um negócio estratégico, seja para a 3Corações que poderia usá-la para proteger o mercado nordestino de concorrentes, seja para a Sara Lee, que poderia fortalecer a presença na região. Esta, aliás, foi a estratégia usada pelos americanos para avançar no sul.
Embora a Maratá seja a vice-líder do mercado de café industrializado do Nordeste, aquela região é composta por bolsões mais complexos. "A Sara Lee é tão forte no Ceará quanto a Santa Clara (do Grupo 3Corações). Já em Pernambuco temos uma participação irrisória, assim como a Maratá que é fraca no estado, mas detém a liderança na Bahia", explica Godefroy.
A fortaleza da Maratá encontra-se na Bahia, em Sergipe e Alagoas. Já o Grupo 3Corações é forte no Rio Grande do Norte, em Pernambuco, na Paraíba e no Ceará. Quanto à Sara Lee, sua grande presença nordestina ocorre no Ceará, com crescimento na Bahia. Os outros estados ainda precisam ser trabalhados pelos americanos.
Dinheiro em caixa
Recursos financeiros não impedem a Sara Lee de adquirir a Maratá. Há caixa para a companhia realizar aquisições no Brasil e no mundo, afirma Godefroy. Além do autofinanciamento, ele lembra que a estrutura da Sara Lee International poderá colaborar em caso de compra, uma vez que a companhia se desfez, nos últimos 12 meses, dos negócios na área de higiene e beleza, a exemplo da Sanex, marca europeia que foi vendida à Unilever. Esta, por sua vez, foi obrigada pelas autoridades reguladoras europeias a revendê-la para a Colgate.
Pulverização
Sara Lee e a 3Corações se dizem líderes do mercado brasileiro de café torrado e moído. A diferença, explica Godefroy, é que sua empresa trabalha com dados da Nielsen enquanto a concorrente usa os dados da Kantar Worldpanel como base. A distância entre as duas empresas, diz Godefroy, é muito pequena.
Para se diferenciar em um mercado composto por 2,3 mil marcas e 1,2 mil torrefadores, a Sara Lee observa tanto o crescimento orgânico quanto o de aquisições. "Por meio da compra da Damasco, nós saímos da terceira posição para a primeira ao lado da Melitta na soma dos estados do sul", diz Godefroy. Procuradas, Maratá, 3Corações, Bunge e Cosan preferiram não se pronunciar.
As informações são do Brasil Econômico, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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