RO: falta de investimentos ameaça atividade

O café de Rondônia pode perder mercado por falta de tecnologia, incentivo de políticas públicas para o setor e espaço para armazenagem. O café é a principal cultura agrícola do Estado e está presente em aproximadamente 30 mil propriedades. O Estado se destaca ainda como o segundo mais importante produtor brasileiro de café conilon.

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O café de Rondônia pode perder mercado por falta de tecnologia, incentivo de políticas públicas para o setor e espaço para armazenagem. O café é a principal cultura agrícola do Estado e está presente em aproximadamente 30 mil propriedades. O Estado se destaca ainda como o segundo mais importante produtor brasileiro de café conilon.

A produção alcançou 1,7 milhões de sacas em 2008. Entretanto, a forma de cultivo feita pelos agricultores, segundo pesquisador da Embrapa Rondônia, traz prejuízo a quantidade e qualidade do produto. "O Estado já esteve entre os quatro maiores produtores cafeeiros do Brasil, e, de dez anos para cá perdeu espaço e não evoluiu", disse o pesquisador e engenheiro agrônomo da Embrapa Samuel Magalhães.

O problema ocorre desde a escolha das sementes, de acordo com engenheiro agrônomo da Embrapa. "A qualidade do café é mínima. Pois os produtores ainda não tem o cuidado simples que podem dar um salto no sabor do produto", completou. O principal mercado do Café de Rondônia hoje é o Sul do país. "O nosso grão vai principalmente para se tornar café solúvel, coisa que ainda não necessita de muita qualidade".

Samuel Magalhães participou de estudo realizado este ano que selecionou cinco diferentes sistemas de cultivo do café em Rondônia. "Foi observado erros desde a hora do plantio, adubação, poda, desbrota. Se não houver uma forma correta de fazer tudo isso a qualidade reduz e o preço cai", disse. Esses erros têm fatores culturais conta Magalhães. "O pequeno agricultor ainda necessita de muita informação. Sem saber como plantar ele não tem muitas alternativas a não ser continuar com o tradicional que foi trazido do Nordeste há várias décadas. Falta uma política de governo para levar as informações e ajudar o produtor", afirmou.

O pesquisador explica que o mercado brasileiro está mais exigente sendo preciso se adequar as normas e Rondônia parou no tempo em relação ao tratamento da produção de café. "O Ministério da Agricultura estabeleceu uma Resolução Normativa que exige um padrão mínimo para que se possa vender o café, e no Estado não está havendo esse cuidado.

Outra preocupação é a crescente escassez de mão de obra no meio rural. "Isto impacta diretamente no cultivo do café. Por isso a necessidade urgente de tecnologia e mecanização da colheita, algo considerado um desafio", destacou. "Há a necessidade ainda de políticas que possam aumentar a renda do produtor e incentivar a adoção de sistemas mais sustentáveis do ponto de vista ambiental, social e econômico", completou.

Na pesquisa o engenheiro agrônomo descobriu alguns sistemas que já estão evoluindo em Rondônia em relação à forma tradicional que predomina na região. São algumas inovações que podem sinalizar para um novo patamar tecnológico na produção cafeeira do Estado. "Estão sendo adotadas a poda e desbrota adequada, adubação e cuidados na colheita e na secagem. Isto aumenta a produção cafeeira", argumentou.

O trabalho realizado em três importantes municípios produtores de café observou a forma que os agricultores estão cultivando o produto e descobriu cultivos evoluídos em relação ao restante do Estado.

"Todos os sistemas apresentaram resultado final na análise de sustentabilidade acima de zero, indicando que são mais desejáveis, do ponto de vista social, econômico e ambiental, que os tradicionais. O melhor desempenho está no café irrigado de Cacoal. Este sistema apresenta como maiores vantagens a maior geração de renda e o aumento do valor da propriedade", explicou.

Apesar dos bons resultados obtidos em experiência em Rondônia, o sistema melhorado de Alta Floresta foi o que apresentou custo de produção mais elevado. Isso se explica pelo investimento em adubos e agrotóxicos. Samuel Magalhães mostra que boa parte desse investimento é feito de maneira inadequada. "Existe um uso excessivo de agrotóxicos, o que além de caro implica em um custo ambiental".

A reportagem é de Rafael Abreu, para o Diário da Amazônia, resumida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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