RO: desenvolvimento de tecnologia visa viabilizar colheita mecanizada

postado em 14/06/2011

 

O cultivo do cafeeiro das variedades conilon e robusta (Coffea canephora), é a principal cultura perene e importante fonte de geração de emprego e renda para estados como Rondônia, Espírito Santo e Bahia, sendo a principal fonte de renda econômica para muitos agricultores familiares.

Em Rondônia, por exemplo, o setor cafeeiro sinaliza para duas direções aparentemente opostas, mas convergentes para as áreas do melhoramento genético e do manejo cultural do café conilon. Nos pólos cafeeiros mais tecnificados de Cacoal e Rolim de Moura, situados na região centro-sul do Estado, há uma expressiva demanda por tecnologias modernas, com destaque para o uso de novas cultivares clonais em condições de sequeiro e com irrigação suplementar. Enquanto nos demais pólos, há necessidade por cultivares de conilon produzidas a partir de sementes, visando atender, principalmente, à agricultura familiar.

De acordo com o pesquisador da Embrapa Rondônia, André Rostand Ramalho, outra demanda de pesquisa é o desenvolvimento de tecnologias que viabilizem economicamente a mecanização da colheita do café conilon. Ele explica que o crescente desenvolvimento dos demais setores econômicos do Estado, tem acelerado a migração rural urbana provocando escassez de mão de obra no campo.

Soluções

Para os pesquisadores da Embrapa Rondônia, a mecanização da colheita do café conilon pode ser uma alternativa viável que, além de reduzir o tempo de colheita, a demanda de mão-de-obra e os custos variáveis de produção em até 40% na colheita manual, poderá contribuir positivamente para a profissionalização qualificada e melhoria da renda dos trabalhadores autônomos responsáveis pela colheita do café no Estado.

A equipe da Unidade, responsável pelo melhoramento genético do conilon, passa a considerar, entre outros critérios já em uso de seleção para o lançamento de novas cultivares clonais, plantas de café com maior uniformidade de maturação dos frutos, arquitetura ereta ou semiereta, menor desfolhamento da planta na colheita (manual e semi-mecanizada), espaçamentos mais adensados entre plantas e podas de condução/produção que possibilitem incrementar a eficiência e eficácia da colheita mecanizada dos cafeeiros conilon e robusta.

"As pesquisas realizadas pelo Departamento de Engenharia Agrícola da Universidade Federal de Lavras apontaram que todo o processo de mecanização da colheita do conilon e do robusta, assim como foi para a do cafeeiro arábica, dependerá da adaptação simultânea da arquitetura das plantas, do manejo e dos tratos culturais, além da máquina colheitadeira do café", explica o pesquisador André Rostand.

Após visita em lavoura de café conilon e intensa discussão técnica entre os participantes do evento, foi elaborado o esboço de um projeto de pesquisa multidisciplinar e interinstitucional, liderado pesquisador da Embrapa Rondônia, Enrique Alves, visando desenvolver alternativas para a motomecanização do café, inicialmente em Rondônia e no Espírito Santo, além de assegurar o atendimento das demandas imediatas e futuras quanto à geração de novas tecnologias para a cafeicultura nacional.

Inicialmente, a rede de pesquisa e difusão tecnológica para a mecanização da colheita em café conilon será composta pela Embrapa Rondônia, Embrapa Café, UFV, UFLA e Incaper. O projeto será submetido ao próximo edital de pesquisa do Consórcio Pesquisa Café, coordenado pela Embrapa Café, e contará com a parceria da empresa Jacto, da Emater de Rondônia e da Secretaria de Agricultura de Rondônia.

As informações são da Embrapa Rondônia, resumidas e adaptadas pela Equipe CaféPoint.

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