Pesquisador da Epamig avalia proibição do inseticida Endosulfan no Brasil
Pesquisador Júlio César de Souza confirma em análises feita em visita ao Setor de Cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA) os desafios que virão para o combate à broca-do-café após a proibição do Endosulfan em julho de 2013. "Os inseticidas substitutos que atuam contra essa praga não apresentam a mesma eficiência".
Publicado por: CaféPoint
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“Os cafeicultores estão vivendo um sério problema. O Endosulfan é o único produto eficiente no controle da broca-do-café. Por ser muito tóxico, foi proibido de ser produzido e comercializado no país. Mesmo eficiente no controle de inúmeras pragas na agricultura, a tendência é que todos os inseticidas de tarja vermelha, que são extremamente tóxicos, caiam em desuso. Mas alguns são ainda muito importantes, como os inseticidas fosforados remanescentes no mercado”, disse o pesquisador.
Júlio César complementou destacando a menor eficiência dos produtos que podem substituir o endosulfan atualmente. “Os inseticidas substitutos que atuam contra essa praga não apresentam a mesma eficiência do inseticida padrão endosulfan. Para completar a lista, dois novos inseticidas, do grupo das Diamidas Antranílicas, de eficiência igual à do endosulfan, aguardam registro no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento” explicou.
O inseticida endosulfan é usado desde a década de 70 e foi único inseticida eficiente no controle da broca-do-café (Hypothenemus hampeii). É um inseticida-acaricida aplicado também nas culturas de soja, algodão e cana de açúcar. O endosulfan foi proibido pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) por ser um produto fitossanitário extremamente tóxico, com a classe toxicológica I. É capaz de causar intoxicação na mão-de-obra envolvida em sua aplicação nas lavouras de café, principalmente com pulverizadores costais manuais, em pequenas lavouras adensadas e também naquelas implantadas em topografia acidentada que utilizam os mesmos equipamentos.
Broca-do-café é o nome vulgar da larva de um besouro de 1,65mm de comprimento que come e destroi as sementes do café. É uma praga exótica, estando presente em todos os países onde se cultiva o cafeeiro.
Em visita ao Setor de Cafeicultura da Universidade Federal de Lavras (UFLA), o entomologista explicou que a ocorrência do ciclo da broca (ovo, larva, pulpa e adulto) nas sementes dos frutos pode causar prejuízos qualitativos e quantitativos no café produzido.
“Os grandes prejuízos acontecem nas sementes. As larvas consomem as sementes e o produto perde qualidade. Além da perda em peso. Quanto maior a infestação, menor será o peso. O Brasil exporta café e o produtor vai perder financeiramente. É importante que o produtor evite que aconteça o ciclo da praga nas sementes dos frutos. fazendo o monitoramento.”, explicou o pesquisador.
Segundo o entomologista, o controle químico apenas para os talhões deve ser realizado ao se constatar 3% ou mais de frutos verdes broqueados. Na época de trânsito da broca, que se inicia aproximadamente 90 dias após a maior florada, em condições normais de entressafra seca adversa a sobrevivência e multiplicação do inseto nos frutos não colhidos, somente 30% a 40% das lavouras requerem controle químico.
O pesquisador destacou também a importância do monitoramento da broca-do-café. A análise expõe a real porcentagem de infestação do problema nos talhões do cafeeiro. Apenas os que tiverem o problema serão controlados quimicamente, racionalizando o uso do agrotóxico. Segundo o pesquisador, a planilha de monitoramento poderá ser obtida na Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural de Minas Gerais (Emater-MG), na UFLA, no site da Epamig por meio do e nas cooperativas de café.
Confira artigo É Broca publicado recentemente no CaféPoint sobre este tema.
As informações são do Blog Polo de Excelência do Café, adaptadas pelo CaféPoint.
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