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Nestlé incentiva produção de café robusta
A iniciativa, batizada de Nescafé Plan, faz parte de uma estratégia global e repete a experiência já realizada pela companhia em países como México, Tailândia, Filipinas e Indonésia. A meta é distribuir 220 milhões de mudas em todo o mundo até o fim da década, em um investimento estimado em 500 milhões de francos suíços (cerca de US$ 550 milhões).
Maior compradora mundial de café verde, a Nestlé espera, com isso, assegurar seu abastecimento no longo prazo, dentro dos padrões de qualidade desejados pela multinacional e atendendo aos pré-requisitos ambientais, sociais e econômicos estabelecidos pelo Código Comum para a Comunidade Cafeeira (o chamado 4C).
"Temos uma preocupação muito grande com a sustentabilidade do café robusta. Precisamos garantir que os produtores sejam capazes de nos oferecer o produto com a mesma qualidade que a gente promete ao consumidor", afirma Lilian Miranda, diretora da Unidade de Cafés da Nestlé.
Até 2015, a Nestlé quer atingir a marca de 180 mil toneladas anuais de "café 4C" no mundo. A empresa não informa qual é seu consumo total, mas Miranda garante que esse volume representa uma "fatia significativa" de suas aquisições. "Cada vez mais, vamos priorizar o produto que se enquadrar nesse perfil", afirma Miranda. Segundo ela, a estratégia vai resultar em preços mais altos ao produtor. "Um dos pilares do nosso programa é que o agricultor tem a liberdade de vender para quem quiser. Então vamos ter de remunerar quem se diferenciar", explica. Em sua fase inicial, 70 produtores da região de Águia Branca deverão fazer parte do projeto, cujos primeiros resultados serão avaliados dentro de um ano.
Com a distribuição de mudas, a Nestlé espera aumentar o rendimento das lavouras de conilon do Espírito Santo. Segundo a empresa, as novas variedades, desenvolvidas pelo Instituto Capixaba de Pesquisa, Assistência Técnica e Extensão Rural (Incaper) "têm alta produtividade, são mais resistentes a pragas e proporcionam uniformidade na maturação dos frutos e tamanho dos grãos". Miranda disse, porém, que ainda não é possível estimar qual será o impacto sobre o tamanho da produção brasileira da variedade.
De acordo com a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), o Brasil colheu 11,2 milhões de sacas de café conilon neste ano, dos quais 8,5 milhões no Espírito Santo - a produção total de café foi de 43 milhões de toneladas. Considerada uma variedade menos nobre - e, por isso, com menor valor de mercado -, o conilon é usado na produção de cafés instantâneos e também como complemento aos grãos do tipo arábica - variedade mais nobre e cara - na composição dos blends vendidos nos supermercados.
A executiva afirma que a produção de café conilon, voltada quase que exclusivamente para o mercado interno, ainda usufrui de menos estímulos ao investimento que a de arábica, com viés exportador. "Acredito que vamos ter um salto de qualidade, que permitirá ao produtor de conilon explorar também o mercado externo", diz. Segundo dados do Cecafé, o Brasil exportou pouco mais de 2,2 milhões de sacas de conilon entre janeiro e setembro. O maior exportador mundial da variedade é o Vietnã, que vem registrando problemas em suas entregas após a escalada dos preços nos últimos anos.
A Nestlé é a maior compradora da variedade, usada principalmente na produção de seu café instantâneo Nescafé. Desenvolvido a partir de uma solicitação do governo brasileiro, na década de 1930, para solucionar o problema da superprodução, o produto tornou-se a principal marca de café do mundo e também a bandeira mais valiosa da Nestlé. Dos 500 milhões de francos que a Nestlé pretende investir em seu programa de renovação dos cafezais, cerca de 350 milhões devem investidos na produção de matérias-primas usadas nos produtos com as bandeiras Nescafé e Nescafé Dolce Gusto (marca de cafés especiais da companhia).
As informações são do Valor Econômico, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Comentários:
Castelo - Espírito Santo - Produção de gado de corte
postado em 28/11/2011
Estas promessas de preços diferenciados para conillon de qualidade estamos cansados de ouvir, e na hora que vamos comercializar nosso café nada disto acontece. Nossa remuneração só melhora quando falta o produto portanto mais uma vez com esta medida estão querendo aumentar a oferta para nos prejudicar.
Carlos Alberto de Carvalho Costa
Muqui - Espírito Santo - Produção de café
postado em 28/02/2012
Eu acho que a multinacional Nestlé deveria sim estar brigando contra o famigerado Drawback, pois até o MAPA está a favor dessa louca importação de café tipo 8 (escolha), do Vietnã. Só com o assunto Drawback, o conilon caiu R$40,00, se por acaso o Drawback passar, aí sim a Nestlé não terá nenhum café robusta para comprar não só no Espirito Santo como em todo o Brasil.
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Henrique de Souza Dias
Serra do Salitre - Minas Gerais - Produção de café
postado em 21/10/2011
A Nestlé deveria aumentar os preços pagos aos produtores de conillon, que vale um terço do arábica. Não é fornecendo tão poucas mudas (coisa de prefeituras) que vai melhorar a oferta. Os produtores de conillon são tratados pessimamente (explorados) pelos torradores nacionais e indústrias de café solúvel.