Mudança climática acabará com café de Uganda

postado em 13/05/2011

 

O diretor geral da cooperativa Ankole Coffe Producers Co-operative Union (ACPCU), da Uganda, John Nuwagaba, advertiu que as consequências da mudança climática acabarão com o cultivo de café do país.

"Se a temperatura média subir, acabará a produção de café nessa região. Não estamos vendo a mudança climática, mas sim, estamos vivendo-a", disse Nuwagaba, explicando que as previsões do tempo estão sendo "muito difíceis". Nesse sentido, ele disse que, com o objetivo de mitigar as consequências, estão construindo escoadouros para canalizar a água e evitando cultivar em zonas de rios. Igualmente, ele disse que a cooperativa está vivendo um processo de conversão para agricultura orgânica.

A cooperativa está formada por mais de 6.000 pequenos produtores que se agrupavam em dez cooperativas há três anos e se uniram em uma. Nuwagaba explicou que seu objetivo é "crescer até 10.000 pessoas" com o fim de enfrentar as grandes empresas já que, segundo ele, "o mercado de Comércio Justo tem crescido muito e é importante proteger os pequenos produtores frente às grandes empresas".

Por outro lado, ele citou os projetos aos quais se destinam o prêmio que recebem por cada quilo de café as cooperativas membros da ACPCU, entre os quais, destacam-se a construção de infra-estruturas no país. Concretamente, ele disse que o dinheiro se destina à construção de escolas, reformas de tubulações de água, construção de uma ponte que precisavam e uma sala de assembléias para os membros da cooperativa.

Ele disse, também, que se investe na produção, já que, "recentemente, tiveram que repor umas plantas que ficaram doentes devido a uma praga" e também destinam parte do benefício para replantar e renovar a base de vida desses cultivos. Além disso, outra parte se dedica a um programa de micro-créditos para os membros da cooperativa.

Igualmente, Nuwagaba disse que, de sua produção, que é basicamente de café da variedade robusta, destinam 25% ao Comércio Justo. Assim, ele destacou que "o principal obstáculo para vender mais é que o mercado que compra não vende mais". Seus principais clientes são organizações não governamentais (ONGs) europeias. Finalmente, ele disse que não alcançam os níveis de venda do mercado latino-americano, já que esse leva mais tempo funcionando.

A reportagem é do Europa Press, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.

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