Indústria nacional de café e os desafios frente a concorrência estrangeira
O Brasil importa volumes cada vez maiores de cafés especiais para máquinas de café feito sob pressão e a preços bem maiores, que chegam a R$ 240 por quilo, diluídos em pequenas doses de pouco menos de dez gramas. Nos supermercados, o quilo do produto comum nacional gira em torno dos R$ 10. Em 2012, a importação brasileira de cafés especiais somou 1.228 toneladas, 52% mais do que no ano anterior.
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Ainda são os brasileiros os principais exportadores do grão commodity (sem valor agregado), mas os volumes do café torrado e moído exportados diminuem ano a ano.
Na outra ponta, o país importa volumes cada vez maiores de pó ou cápsulas especiais para máquinas de café feito sob pressão, a preços bem maiores - porque o café passou por seleção, "blending" (mistura de sabores) e acaba tendo um aumento de qualidade.
Nessa batalha, quem ri por último é a Suíça, principal fornecedora do produto especial. O preço desse café vindo de outros países chega a R$ 240 por quilo -diluídos em pequenas doses de pouco menos de dez gramas.
Nos supermercados, o quilo do produto comum nacional gira em torno dos R$ 10.
As indústrias que operam no Brasil acreditam que o país ainda não tenha perdido completamente o bonde desse novo hábito de consumo, mas a tendência está se acelerando. Em 2012, a importação de cafés especiais somou 1.228 toneladas, 52% mais do que no ano anterior.
No mesmo período, as exportações brasileiras de café torrado e moído recuaram para 2.218 toneladas, com queda de 38% no ano.
Em apenas sete anos, os gastos do Brasil com compras externas da bebida passaram de quase nada para US$ 35,8 milhões. Já as exportações, que chegaram a US$ 40 milhões por ano, recuaram para US$ 18,3 milhões em 2012.
No foco dessa história estão as maquininhas, hoje com presença obrigatória em toda lista de casamento. Já somam 850 mil unidades nas residências no país, quase o dobro das 450 mil em 2011.
A inovação dessas máquinas é permitir que se faça um café rápido, prático e com dose individual, mantendo a qualidade. Apesar de o preço ser mais de 20 vezes maior que o do café comum, cresce o número de consumidores brasileiros que preferem pagar pela comodidade.
Esse nicho de café começa a apresentar, no entanto, algumas mudanças. Devido ao valor maior do produto, tem crescido a oferta de cápsulas genéricas, adaptáveis às máquinas das indústrias pioneiras no setor, o que não ocorria antes.
As fabricantes brasileiras dizem que a tendência é irreversível e que têm de participar desse mercado. Isso trará uma concorrência acirrada nos próximos anos. Um sinal dela é o recuo dos preços das cápsulas no mercado interno. O quilo desse café já chegou a custar R$ 320.
Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café), diz que a inovação exige altos investimentos e as indústrias nacionais não viveram um bom momento financeiro nos últimos anos.
Impostos e preços do café praticamente sem reajustes nos supermercados não permitiram à indústria nacional entrar nesse novo tempo da preparação do produto.
Herszkowicz acredita, no entanto, que o caminho ainda está aberto para as indústrias nacionais, que agora começam a ir nessa direção.
O Brasil consome 20 milhões de sacas de café, o que corresponde a 173 bilhões de xícaras por ano. Por ora, as máquinas de café geram próximo de 765 milhões de doses. Ainda há muito mercado para ser conquistado, segundo o executivo.
A batalha das empresas brasileiras para entrar nesse mercado, no entanto, será longa. Embora o café brasileiro seja a base do produto comercializado pelas multinacionais do setor, o "blend" é formado por grãos de vários países, como Quênia e Índia.
A indústria nacional, porém, não pode adotar a mesma estratégia de fazer "blends" aqui, para agregar valor a seu produto. O Brasil impede a importação de café verde de outros países. A não ser que haja mudança na lei, será preciso usar apenas café nacional, perdendo competitividade com as estrangeiras.
As informações são de A Folha de São Paulo, adaptadas pelo CaféPoint.
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CAMPO BELO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE
EM 02/02/2013
Não ha dúvidas de que a monodose é uma tendencia, principalmente por termos familias cada vez menores ou vivermos sozinhos. Entretanto uma indústria nacional foi a pioneira neste quesito e lançou o Café Individual Fazenda Caete. Vale a pena conferir.
Não precisamos de maquinas, mas sim do simples e bom café coado.

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO
EM 23/01/2013
Tivéssemos um mercado consumidor já habituado a um bom café as coisas poderiam ser diferentes. Quanto a feitura dessas cápsulas e dos blends, nada é difícil quando realmente se quer, há poucos anos nem sabíamos que era um café arábica, portanto o que falta é vontade mesmo, estou de acordo que esse assunto deva passar pelas cooperativas, se forem esperar pelo governo...

CAMPINAS - SÃO PAULO
EM 23/01/2013
Em tempo: o tema tá rendendo boas discussões
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 23/01/2013

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 23/01/2013

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 23/01/2013
Mas se esquecem de que uma ILLY começou pequena, uma Starbuck era até algum tempo minuscula e hoje já dominam nichos que perdemos.
Sendo assim creio ainda que a solução passa pelas COOPERATIVAS.
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 22/01/2013
eu vi seu comentário entusiasmado, mas gostaria de externar que meu olhar não é de produtor e nem de industrial. É de uma técnica que daqui alguns dias publicará um livro intitulado Geada Negra, que congrega uma década de análises do mercado cafeeiro. A questão do meu comentário centra-se na visão de que o Brasil não está preparado para o suporte de uma plataforma industrial competitiva. Apesar do meu sentimento, não se pode deixar de lado o papel do Sr. Nathan Herszkowicz na consolidação do mercado de cafés especiais no Brasil. Depois do Sr. Ernesto Illy, pessoalmente, confiro a ele toda a responsabilidade desses desdobramentos de mercado de especiais, que hoje gera toda a controvérsia sobre a importação de matéria-prima. Tenho que ser justa. Atualmente, coloco-me contra a questão da importação porque ela além de uma questão política, é também uma questão de infraestrutura: o Brasil não possui laboratórios e nem técnicos especializados em procedimentos fitossanitários para garantir que a entrada de cafés in-natura no Brasil com segurança. Por isso sou contra a importação. Seria realmente um suicídio político e acrescento, econômico, se no momento, o país investisse nessa arena. No mais, considero o atual diretor da OIC um desastre político: Minas já tem seu próximo senador da República, financiado com os recursos da diplomacia cafeeira global.

MUQUI - ESPÍRITO SANTO - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 22/01/2013

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO
EM 22/01/2013
Esse consumidor só quer comodidade e status porque se gostasse realmente de um bom café o faria da maneira tradicional no coador de pano. O problema é que aqui se demora muito a se perceber essas coisas tão óbvias e preferimos exportar grãos para que outros países que não tem um pé de café ganhem o dinheiro, aliás a Suíça já faz isso há tempos com o nosso cacau.
Não tem coisa pior do que um café expresso, mas o brasileiro engole tudo em prol do status e dessa comodidade e pior, pagando um absurdo por isso.

MUZAMBINHO - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 21/01/2013
LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO
EM 21/01/2013
Nenhum político da bancada cafeeira que se preze, nem o próprio governo, abraçaria um assunto dessa natureza, considerando que se trata de suicídio político. Sou prova viva dos resultados que o apoio a causa da indústria de café brasileira gera.
Esse assunto é uma versão brasileira da Rodada de Doha. Perda de tempo e de energia nos temas essenciais.