Indústria deve repassar preço do café em até 20%
A demora em repassar os preços ao longo do último ano se deve a um conjunto de fatores. A acirrada concorrência entre as empresas no mercado doméstico e a dificuldade em negociar grandes ajustes com o varejo são os dois principais pontos. Sem estoques, as indústrias precisam comprar a matéria-prima nos atuais níveis de preços.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 2 minutos de leitura
Dados da Associação Brasileira das Indústrias de Café (Abic) mostram que, no varejo, o valor do café torrado e moído tradicional - produto que representa 94% do mercado - teve um reajuste entre 5% e 6% nos últimos 12 meses. No mesmo período, o indicador Cepea/Esalq para o café arábica subiu 83%, passando da média de R$ 289,46 por saca, em maio do ano passado, para os atuais R$ 530,46.
No mercado internacional, a curva foi semelhante. Na bolsa de Nova York, os contratos de segunda posição de entrega do café arábica - geralmente os de maior liquidez - acumulam ganhos de 97,7% nos últimos 12 meses, segundo levantamento do Valor Data. Em Londres, onde é negociado o café robusta, o ganho acumulado no período foi de 92,3%.
A demora em repassar os preços ao longo do último ano se deve a um conjunto de fatores. A acirrada concorrência entre as empresas no mercado doméstico e a dificuldade em negociar grandes ajustes com o varejo são os dois principais pontos.
"As empresas conseguiram se manter até agora porque tinham estoques que foram formados quando a matéria-prima estava mais barata. Além disso, os preços do café robusta, que tem um peso entre 35% e 40% no produto torrado e moído no varejo, subiram menos que o arábica no mercado interno", observa Nathan Herszkowicz, diretor-executivo da Abic.
Sem estoques, as indústrias precisam comprar a matéria-prima nos atuais níveis de preços. A entrada da safra no Brasil, que começou a ser colhida neste mês, seria um ponto favorável às indústrias, mas a queda esperada até agora está aquém das expectativas. Herszkowicz lembra que a safra deste ano é menor que a do ano passado e que os produtores aumentaram as vendas futuras na bolsa, para garantir o bom nível de preço.
Dados da BM&FBovespa comprovam o movimento. Na semana passada, 16% das posições de café vendidas na bolsa eram de pessoa físicas. No mesmo período do ano passado, essa participação foi de modestos 4%. "Isso significa que o produtor vai guardar o café agora para entregar no mês de liquidação do contrato e reduzir a oferta agora", afirma Herszkowicz.
A reportagem é de Alexandre Inacio, para o jornal Valor Econômico, adaptada pela Equipe CaféPoint.
Para continuar lendo o conteúdo entre com sua conta ou cadastre-se no CaféPoint.
Tenha acesso a conteúdos exclusivos gratuitamente!
Publicado por:
CaféPoint
O CaféPoint é o portal da cafeicultura no Brasil. Contém análises de mercado, perspectivas, cotações, notícias e espaço para interação dos leitores, além de artigos técnicos que abordam produção, industrialização e consumo de café. Acesse!
Deixe sua opinião!

UMUARAMA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ
EM 27/05/2011