Governo contesta estimativas não oficiais sobre safra 2013
As estimativas acima das projeções oficiais divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e por uma exportadora paulista desagradou os responsáveis pela política cafeeira no governo e os representantes dos cafeicultores. O secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura lembrou que as decisões políticas do governo se baseiam nas informações geradas pela Conab e que os dados isolados, de empresas e cooperativas, não são levados em consideração.
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As estimativas acima das projeções oficiais divulgadas pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) e pela trading brasileira Terra Forte desagradou os responsáveis pela política cafeeira no governo e os representantes dos cafeicultores. O USDA estimou a safra 2012 em 55,9 milhões de sacas de café, enquanto a Terra Forte projetou 52,23 milhões de sacas para 2012 e 53,39 milhões de sacas para 2013.
Os números finais para 2012 divulgados hoje pela Conab estimam a safra em 50,82 milhões de sacas. Para o próximo ano, a produção deve ficar no intervalo entre a atual e as 48 milhões de sacas colhidas em 2011. O diretor de Política Agrícola e Informação da Conab, Silvio Porto, explicou que o volume da próxima safra deve ser menor, por causa da alternância entre anos de alta e baixa produtividade das lavouras. Na próxima safra a bienalidade será negativa, disse ele.
Gerardo Fontelles lembrou que as decisões políticas do governo se baseiam nas informações geradas pela Conab e que os dados isolados, de empresas e cooperativas, não são levados em consideração. "É preciso acabar com a confusão de números e dados", disse ele, ao destacar que o governo está elaborando um planejamento plurianual para a cafeicultura, visando compatibilizar o aumento da produção com a evolução do consumo, a fim de evitar a excessiva volatilidade de preços.
Fontelles afirmou que volatilidade não interessa ao cafeicultor, porque gera um ambiente de instabilidade. Ele descartou intervenções do governo no mercado, como a política de formação de estoques públicos adotada em safras passadas, e sim a adoção de estratégias como financiamentos para estocagem. "É preciso disciplinar a oferta, pois o café é produzido em quatro meses e comercializado em 12 meses".
Ao defender a política governamental, Silvio Porto afirmou que o financiamento da estocagem possibilitou que os preços internos do café neste ano recuassem 35%, enquanto os internacionais caíram 50%. Na opinião de diretor da Conab, o recuo nos preços internacionais atribuído ao aumento da oferta no Brasil "é estranho", porque as exportações somam 28 milhões de sacas e o consumo interno 18 milhões de sacas, o que resulta num estoque de passagem baixo. "Não há coerência na queda de preços. Há um indicativo de especulação na formação do preço internacional", argumentou.
Para apoiar os cafeicultores o governo deve anunciar duas medidas. Hoje, o Conselho Monetário Nacional (CMN) deve aprovar o remanejamento de R$ 180 milhões de recursos do Fundo de Defesa da Economia Cafeeira (Funcafé) para financiamentos de custeio da safra que começa a ser colhida em meados do próximo ano. Outra medida que deve ser anunciada nos próximos dias é a prorrogação dos financiamentos de estocagem. O orçamento do Funcafé é de R$ 2,5 bilhões, sendo que R$ 1,5 bilhão foi destinado à estocagem.
As informações são da Agência Estado, adaptadas pelo CaféPoint.
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