Fernando de Souza Barros: "Enquanto o problema (preço do café pago ao produtor) não for resolvido na sua origem o discurso vai continuar".

O leitor e colaborador do CaféPoint Fernando de Souza Barros Jr., corretor de café de São Paulo, enviou um comentário que aborda alguns fatores que contribuem para que o preço do café não melhore ao produtor.

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O leitor e colaborador do CaféPoint Fernando de Souza Barros Jr., corretor de café de São Paulo, enviou um comentário ao artigo ""E aí sô Zé, sua lavoura vai dar café? Hummm... Sei não..."". Abaixo leia a carta na íntegra.

"Prezado Carlos Eduardo,

Ótimo artigo e muito boas as ponderações. Agora podemos falar do pouco interesse em que o preço do café melhore ao produtor:

1- Os Exportadores e Cooperativas (algumas) trabalham vendidos por prazo longo, 12/14 meses sem ter a mercadoria.
2- O Pis e Cofins (9,25%) embutidos no preço do café quando a Nota Fiscal é de Cooperativa ou de firmas montadas para repassá-lo, e muitas delas fantasmas, faz o dumping no mercado pois este valor é repassado para o outro lado (isto foi exterminado e a partir de 01/01/2012 não terá mais).
3- A liderança também, aqueles vendidos, não tem interesse em valorizar o produto, pois tem que arrumar muito café para acertar a posição.
4- Neste sistema o negócio é manter o produtor endividado sempre na expectativa do ano seguinte, ah! E com vencimentos das obrigações na pior hora.
5- Mataram a galinha e agora para reconstruir o negócio (que sobrevive de ilusão e não de orientação), vai demorar, pois estes preços estão longe de estimular alguma coisa pelo grau de risco e falta de vontade dos envolvidos na política (pois não podem resolver o problema senão o discurso acaba).
6- Outro dia, não faz tempo, queriam renegociar a dívida a R$300,00 a saca por 20 anos.
7- Hoje vejo o produtor com pouco café ou nenhum, e dependendo de crédito novamente, mesmo com o café de R$400,00 a R$540,00 a saca. Enquanto o problema não for resolvido na sua origem o discurso vai continuar e agora vamos dizer ao produtor que ele precisa recuperar a auto-estima e valorizar o seu produto cobrando uma união e solidariedade que existe só de fachada (em feudos). E finalmente para o Governo é um prato cheio dividido em uma migalha para cada um que agradece penhoradamente."


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José Wilson Lopes
JOSÉ WILSON LOPES

GARÇA - SÃO PAULO

EM 02/01/2012

Prezado Fernando Barros, parabéns pelas suas palavras. Mas vamos aguardar o momento certo para mostrar o que realmente está acontecendo no Brasil. Veja  que, do lado do produtor, a próxima safra deverá girar em torno de 45 mi de sacas. Entretanto, analistas de produção que não deixam o ar condicionado, falam em 55 mi de sacas. Uma pequena parte dos produtores já não acreditam mais neles. E futuramente, poucos acreditarão! 2012 dirá.
GINOAZZOLINI NETO
GINOAZZOLINI NETO

LONDRINA - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 26/12/2011

Preciso como sempre. Faz 30 anos que estamos neste negócio e é sempre assim: preço bom, insumos caros, financiamentos raros e comercialização desestruturada. Preço ruim, dívida se acumulando, financiamentos tipo esmola e exploração no momento da venda. Se um dia, alguma autoridade cafeeira se dignasse a visitar uma propriedade in loco e ver o que acontece numa lavoura de café, talvez o ambiente melhorasse. No conforto do ar condicionado ficamos sempre na mão dos que não tem nenhum compromisso com a atividade.
Christina Valle
CHRISTINA VALLE

GUARANÉSIA - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 23/12/2011

Entra ano sai ano, a cafeicultura fica esperando dias melhores.
Fernando Sousa Barros, concordamos com suas colocações, quem sabe de tanto mostrar o caminho, as pessoas que decidem encontrem o rumo correto.

Christina Valle, Guaranesia/Minas Gerais
normando costantini
NORMANDO COSTANTINI

ORLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 22/12/2011

Com poucas palavras e muita propriedade, Fernando Barros mostrou a situação dos cafeicultures no Brasil-Parabens !
FLAVIO LEITE RIBEIRO
FLAVIO LEITE RIBEIRO

GUAXUPÉ - MINAS GERAIS - PRODUÇÃO DE LEITE

EM 19/12/2011

Existe a expressão de que um ano o pé de café veste o dono e outro o dono veste o café.

Em outro trocadilho estamos vendendo o almoço para comprar a janta sempre na expectativa de bons preços. Porem  estamos enfrentando adversidades climáticas que vão colocar os estoques a prova. Realmente teremos que ter bons preços a frente para seguirmos na atividade.
Anderson Moura de Andrade
ANDERSON MOURA DE ANDRADE

INHAPIM - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 19/12/2011

Com certeza nós que trabalhamos com extensão rural de vemos ficar de olho nesses tipos de pessoas que não veem o nosso produtor, o trabalho que teve para chega onde ele chegou.