É de amargar
Em degustações a cegas, especialistas avaliam as dez marcas de café mais vendidas em três supermercados de São Paulo, apontam as melhores e as piores, e dão dicas sobre como avaliar a qualidade da bebida. Para o júri, baixa qualidade e amargor acentuado caracterizam nosso cafezinho de cada dia.
Publicado por: CaféPoint
Publicado em: - 3 minutos de leitura
Os rótulos foram pinçados a partir do ranking fornecido pelo Pão de Açúcar, pela Casa Santa Luzia e pelo Empório Santa Maria - não há um levantamento oficial. São eles: Origem Brasil, Santo Grão, Café do Ponto (foi provado o Cafeterie), Bravo, Floresta, Pilão, Mellita, Pelé, 3 Corações e Caboclo.
Para o júri, formado por Silvia Magalhães, gerente da Italian Coffee, Caio Alonso Fontes, editor da revista "Espresso", e Gelma Franco, diretora da Associação Brasileira de Café e Barista, os cafés mais bem avaliados exibiram notas cítricas e frutadas, doçura, corpo, frescor.
Amargor e extratorra
O bom café não deve ter amargor, cravam os especialistas. No entanto, foi essa a característica identificada com mais regularidade pelos jurados na degustação às cegas.
Cafés amargos são geralmente submetidos a torras extrafortes, de grãos muito queimados que comprometem e mascaram o sabor.
É possível buscarmos, na história, a predileção por esse tipo de bebida. Auguste Escoffier (1846-1935), o francês considerado o pai da gastronomia moderna, começou sua carreira de cozinheiro no gosto incontido pelo café. Proibido de tomar a bebida aos dez anos de idade, pois tinha "efeito estimulante" e era reservada aos momentos especiais da elite, virou seu objeto de desejo. Foi de olho em sua avó que aprendeu o método de preparo e o repetiu -às escondidas- pouco depois. Pois seu primeiro gole foi uma tragédia: amargo, amargo.
Na França, a torra sempre foi, tradicionalmente, muito escura - o que destaca o amargor dos grãos na xícara. Isso porque, com colônias como a África, que produz larga quantidade de cafés robusta (espécie que resulta em bebida de qualidade inferior), os grãos exigem uma torra mais intensa para que tenha suas características indesejáveis mascaradas, explica Nathan Herszkowicz, diretor da Abic (Associação Brasileira da Indústria de Café) e colunista do CaféPoint.
No Brasil, também surgiu o hábito de tomar café muito torrado. Aqui, a matéria-prima sempre careceu da percepção de qualidade por parte do consumidor - historicamente, a produção de café no país foi ditada pela quantidade e não pela qualidade do produto.
É recente o movimento de produtores em investir em suas lavouras e buscar melhores práticas de colheita, secagem e variedades de café para se obter um produto de qualidade superior. Além disso, não se deve esquecer que também historicamente são nossos melhores grãos que deixam o território nacional para serem torrados no além-mar, sobrando os "patinhos feios" para os consumidores em solos férteis brasileiros.
Pois os grãos commodities, com porcentagem de defeitos (que interferem negativamente na bebida), eram (e ainda são) extratorrados aqui pelo mesmo motivo: uma forma de esconder os problemas dessa bebida, que poderiam torná-la "intragável". "Também colabora o fator econômico", diz Herszkowicz. "Quanto mais escura a torra, mais o café rende no preparo: menos pó é usado para fazer a mesma quantidade."
Fato é que o brasileiro tem tomado cada vez mais café e está cada vez mais disposto a pagar por um produto de melhor qualidade.
No mesmo cenário, se enxerga o crescimento ininterrupto da oferta de cafés gourmets nas gôndolas - em 2000 não havia nenhuma marca gourmet, hoje são 110, de acordo com a Abic.
Está nas mãos do consumidor se desprender das tradições, abrir os horizontes para novos cafés e assimilar práticas mais cuidadosas. O café deve ser moído somente antes do consumo e comprado fresco, "como tomate", diz a barista tricampeã brasileira, Silvia Magalhães. "Toda semana!"
As informações são da Folha de São Paulo, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
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SANTOS - SÃO PAULO - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS
EM 05/11/2012

SÃO PAULO - SÃO PAULO
EM 03/11/2012
Achamos que independente da torra,a partir do momento que a lei da Rotulagem seja cumprida especificando o Café que está dentro da embalagem, suas caracteristicas (robusta,conillon,arábica)% e o sabor,a exemplo do que fazemos com o vinho,o Consumidor vai ser respeitado e aprenderá a escolher o Produto que melhor lhe agrade! Esta lei já existe no Paraná e deverá ser estendida a todo o País.Quanto às misturas que hoje fazem aqui no Brasil posso assegurar que a maioria são de péssima qualidade (% alta de Preto,Verde e Ardido)misturado com Conillon e aí vem um pouco de Arábica para tentar consertar o sabor,aí a casa cai.Temos que torrar no mínimo um Café com até 360 defeitos,para começar a melhorar.
Abraço e até mais.

RIO DE JANEIRO - RIO DE JANEIRO
EM 02/11/2012
Café de máquina par mim não existe, como sempre o Brasil se rende a influências externas e copia qualquer coisa que venha de fora. Produzimos café a rodo e eles é que ganham o dinheiro sem nem ao menos ter um pé de café plantado. Meia dúzia de produtores se rendem a meia dúzia de países que sabem ganhar muito dinheiro com o produto alheio.
Agora nos enfiam goela abaixo suas cápsulas com o nosso nobre café dentro.
Meu café é feito no bule de louça, no coador de pano, tudo bem aquecido, sem cozinhar o café, quando sirvo um café aqui em casa as pessoas se espantam de como é gostoso um café preparado da forma correta.
MARUMBI - PARANÁ - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ
EM 01/11/2012
POÇOS DE CALDAS - MINAS GERAIS - COMÉRCIO DE CAFÉ (B2B)
EM 01/11/2012
Obrigado pelo comentário e por reforçar o fato de que o robusta necessita de torra mais intensa devido a sua densidade.
Veja que a notícia tem como premissa uma pesquisa que, por simples que seja, nos traz alguma informação relevante sobre a provável qualidade dos cafés mais consumidos no mercado interno. O texto menciona ainda, neste momento adaptado por nós para melhor contextualizar o conteúdo, que tradicionalmente os melhores grãos são exportados, infelizmente para nós brasileiros consumidores da bebida. Ao final, a notícia menciona também o forte crescimento do mercado gourmet, nos trazendo alento para acreditarmos que em breve o mercado interno contará com nova cultura em consumo de café.
Por isto entendo que a notícia seja de caráter informativo, com título chamativo que pretende reforçar o núcleo interpretativo da informação.
Abraços,
André

VITÓRIA - ESPÍRITO SANTO - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ
EM 01/11/2012
Colocar informações de forma errada nao é a melhor forma de promover um produto. A torra mais intensa no robusta é pelo fato de sua densidade ser maior que em cafés arabicas, não para mascarar imperfeicoes. A torra escura ajuda sim , mascarar imperfeicoes tanto no robusta quando nos arabicas de pior qualidade e sabemos que os cafés de prateleira sao usados os dois tipos de cafés de baixa qualidade. Nao coloquem a culpa em um produto que responde por 40% do mercado mundial.

BRODOWSKI - SÃO PAULO
EM 31/10/2012