Desafio e oportunidade do café

Senador pelo PMDB de Minas Gerais lança mão da realização em Belo Horizonte/MG do evento de 50 anos da OIC - Organização Internacional do Café, pela primeira vez no Brasil em seus 50 anos de existência, para alertar a oportunidade que o país terá para alavancar o poder participativo da cafeicultura nacional no cenário global. Por Clésio Andrade

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Por Clésio Andrade - Senador pelo PMDB de Minas Gerais

A escolha de Belo Horizonte para sediar a 50ª reunião anual da Organização Internacional do Café (OIC) e a primeira no Brasil, em setembro próximo, demonstra o reconhecimento de Minas Gerais no cenário cafeeiro internacional. Afinal, sai de Minas uma a cada cinco sacas de café consumidas no mundo, ou 26,94 milhões dos 127 milhões de sacas de 60kg da produção global da safra passada.

A OIC estima que, em 10 anos, o consumo mundial pode se elevar em 32% e chegar a 173,5 milhões de sacas. Participar desse crescimento é o desafio e a oportunidade que se apresenta para Minas e para o Brasil. O mercado internacional absorveu quase US$ 9 bilhões do nosso café em 2011 e US$ 6,353 bilhões no ano passado.

Se o Brasil simplesmente acompanhar esse crescimento, isso pode representar, em uma década, receita de mais US$ 3 bilhões por safra. Ou muito mais, pois o país tem condições de aumentar sua participação, graças à enorme variedade de cafés que produz, em que se destaca o crescimento anual de 15% na produção de cafés de qualidade, setor que Minas tem dominado.

No último concurso internacional de café, o Cup of Excellence Early Havest, realizado em dezembro passado, no Paraná, das 24 melhores amostras de café cereja premium selecionadas, 22 eram de Minas, inclusive as três que alcançaram a categoria presidencial. E a quarta amostra tinha o diferencial de ser orgânico. O resultado financeiro veio em janeiro, durante o leilão, também internacional, em que o café campeão, o da Fazenda do Moinho, localizada em Olímpio Noronha (MG), alcançou o preço de R$ 3.249,40 a saca. O lote completo foi arrematado por importadores asiáticos. Aliás, todos os cafés vencedores foram exportados.

Para aumentar o consumo e, com isso, a demanda, a produção e a renda dos produtores, é preciso a elevação permanente da qualidade do café, devidamente certificada, inclusive em relação à cada vez mais exigida sustentabilidade. E que essa qualidade, já alcançada por boa parte da produção brasileira, seja conhecida no exterior. Apesar da qualidade já obtida e da grande variedade de cafés que os nossos diferentes solos e condições climáticas permitem, a marca Café do Brasil praticamente não tem reconhecimento no exterior.

A transformação de Belo Horizonte em “capital do café”, neste ano, é uma grande oportunidade para mostrar aos muitos compradores estrangeiros a qualidade do nosso café e a forma como são produzidas nossas variedades, seja no cerrado ou nas montanhas. Com respeito ao meio ambiente, ao bem-estar dos trabalhadores e às normas sanitárias.

É incrível notar, porém, que nos seus 50 anos de existência, a mais importante instituição internacional do café, vinculada à Organização das Nações Unidas (ONU) e reunindo 77 países responsáveis por 97% da produção e cerca de 80% do consumo de café no mundo, só agora faça sua reunião anual no Brasil, maior produtor e exportador e segundo maior consumidor do produto.

Essa é a oportunidade para nossas autoridades assumirem o desafio de transformar o Brasil também no maior exportador de café pronto, desenvolvendo políticas para agregar valor ao nosso produto e renda aos produtores. Nos dar condições de competir com países como Alemanha, Itália, Suíça e até o Japão, que exportam mais café pronto para o consumo que o Brasil, maior fornecedor dessa matéria prima valiosa e saborosa.

As informações são do jornal Estado de Minas.

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