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Código Florestal cria risco de "guerra fiscal"
Se a emenda passar, cada unidade da Federação poderá dispor das APPs como quiser, e há o temor de que se inicie uma "guerra fiscal verde", com os Estados disputando investimentos do agronegócio nessas áreas. "A comparação com a guerra fiscal é oportuna e vai acontecer, com a emenda do jeito que está. Todo mundo vai correr para onde se preserva menos", diz a procuradora Sandra Cureau, da 4ª Câmara do Ministério Público Federal e membro do Conselho Superior da instituição.
Antes mesmo de o novo código ser aprovado na Câmara, três Estados já haviam modificado suas legislações ambientais: Minas Gerais, Santa Catarina e Tocantins. Sandra foi responsável por uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) movida contra a lei ambiental mineira. "Queriam alterar os limites das APPs para tornar o Estado atraente para o agronegócio", afirma a procuradora.
O Código Ambiental de Santa Catarina também é objeto de uma Adin. "Mas é o instrumento mais adequado ao nosso Estado, onde 90% dos agricultores são pequenos", diz o secretário de Agricultura, João Rodrigues. Dos 16 deputados catarinenses, 15 votaram a favor do relatório de Aldo Rebelo (PCdoB-SP). "Somos a favor da emenda 164 e creio que os nossos senadores também", afirma Rodrigues.
É claro que os Estados estariam livres, também, para criar regras mais restritivas do que as do código federal. Mas é difícil imaginar que isso vá ocorrer. Mato Grosso, que há pouco mais de um ano previa matas ciliares de 50 metros ao longo de rios entre 5 e 10 metros de largura, voltou atrás e agora usa os 30 metros previstos no código federal.
No Tocantins, uma mudança feita no texto da lei ambiental em 2008 - também questionada pelo MPF na Procuradoria Geral da República - permite obras de até 190 metros quadrados em APPs, sob a rubrica de ações de baixo impacto. "A lei aprovada permitiu a empresários e políticos locais construir casas de veraneio na APP do lago da Hidrelétrica do Lajeado", diz o procurador do MPF Álvaro Manzano.
Para Raul Telles do Valle, do Instituto Socioambiental (ISA), a emenda 164 representa o fim das APPs. "Além de permitir o estabelecimento até de pasto, a emenda deixa que os Estados indiquem outras formas de uso das áreas, até mesmo empreendimentos de construção civil."
O novo código será agora discutido no Senado. O relator do projeto na Comissão de Meio Ambiente, Jorge Viana (PT-AC), diz que a ideia é melhorar a proposta votada pela Câmara. "Não podemos começar do nada, pois a expectativa da votação já foi prejudicial. Precisamos tirar da proposta o que é ruim", afirma o parlamentar.
"Não vivemos uma situação de ausência de legislação. Ao contrário: não cumprimos nem a que está aí", afirma Sandra Cureau. Para ela, se o novo código for aprovado como está, as ações no STF perdem o sentido, já que "as Adins contestam a constitucionalidade das leis estaduais em relação ao atual Código Florestal".
As informações são do jornal O Estado de São Paulo, resumidas e adaptadas pela Equipe FarmPoint.
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