CNA defende norma para classificação de café torrado e moído

O presidente da Comissão Nacional do Café da CNA, Breno Mesquita, ressalta a importância da definição de uma normativa para a classificação do produto para o consumidor. Segundo ele, o pedido era para que apenas a análise sensorial fosse revogada, mas a regra acabou sendo anulada na sua totalidade e preocupou o setor.

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Depois de dividir opiniões, a revogação da Instrução Normativa nº 16, que trata da qualidade do café, trouxe novos desdobramentos para o setor produtivo. A polêmica avaliação sensorial, que estava prevista na nova legislação, foi retirada e o próximo passo será a discussão da regularização e fiscalização da classificação do café, visando a garantia da qualidade do grão torrado e moído.

O presidente da Comissão Nacional do Café da Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil - CNA, Breno Mesquita, ressalta a importância da definição de uma normativa para a classificação do produto para o consumidor. Segundo ele, o pedido era para que apenas a análise sensorial fosse revogada, mas a regra acabou sendo anulada na sua totalidade e preocupou o setor. “Já existe um paradigma de que o café do Brasil é misturado com outros subprodutos e não possui qualidade. Em alguns casos isso até pode acontecer, contudo, o consumidor tem o direito de saber o que ele está tomando”, avalia.

Nos próximos 90 dias, o assunto será debatido dentro de um Grupo de Trabalho – organizado pela Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) – que ficará responsável por apresentar uma proposta durante a próxima reunião do Conselho Deliberativo da Política do Café (CDPC).

A IN nº 16 deveria ter entrado em vigor em fevereiro de 2011, mas nunca saiu do papel. A norma previa a análise de impureza e umidade do café, mas incluía a avaliação sensorial no processo. Conforme Mesquita, o procedimento deveria classificar o produto pelo sabor e pelo aroma, mas precisaria de um período de adaptação para ser exigido. “Além de o degustador precisar de muitos anos de experiência, as percepções sensoriais são diferentes de uma pessoa para outra, o que poderia afetar a credibilidade da avaliação. É necessário treinamento e pelo menos uns dois anos de preparação para colocar isso em prática”, ressalta o Presidente da Comissão Nacional de Café da CNA.

As informações são da CNA - Confederação de Agricultura e Pecuária do Brasil.
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José Adauto de Almeida
JOSÉ ADAUTO DE ALMEIDA

MARUMBI - PARANÁ - PROVA/ESPECIALISTA EM QUALIDADE DE CAFÉ

EM 13/03/2013

Resumindo : Não boto fé nos comentários da ABIC e da CNA aqui expostos pela Natália.Ponto final!
Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 13/03/2013

De certo, Natália.



Espero que realmente voces estejam defendendo o lado dos produtores. Tenho muito apreço e consideração pelo Breno, afinal ele também é um produtor. Por que não a CNA coordenar este trabalho, tem uma vasta rede de federações e sindicatos que em muito poderão contribuir, isso sem contar as associações que hoje estão ligadas a estes sindicatos.
Marco Antonio Jacob
MARCO ANTONIO JACOB

ESPÍRITO SANTO DO PINHAL - SÃO PAULO - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 12/03/2013

Infelizmente não se usa a inteligência , os legisladores ou normatizadores , escolham o nome que queiram dar , são um bando de teóricos.



Quando instituíram a IN16 e incluíram a analise sensorial , criaram um mostro , vamos tentar saber porque??



a) não temos técnicos disponíveis e capazes para fazer esta analise sensorial em grande quantidade de amostragem e também sistematicamente , num basta fazer analise uma vez por ano , ou uma vez por mês.



c) qual o critério da analise sensorial  ? pois temos cafés bebida mole , dura , riada , rio , cafés remanescentes , cafés "neutros" (conilon) , derriças , verdes , despolpados , semi despolpados , naturais etc.



b) qual o custo para se fazer analises sensorias com amostragem ampla e sistemática??como já afirmei não basta analises esporádicas , ela tem que ser constante e ampla , lembrando que o Brasil é um país continental.



Em vez de ficarem criando regras e normas impossíveis de ser cumpridas , o que o setor deve fazer ??



Vamos identificar o problema :



a) queremos e devemos melhorar a qualidade para o consumidor final.



b) problemas relacionados a impurezas devem ser tratadas pela lei comum (Código do Consumidor , Anvisa , etc ) , isto é , oferecer café com teor de impurezas é caso de policia , acionando o Ministério Público , tanto para o industrial quanto para o comerciante de café torrado e moído (varejistas)  que ofereça este produto ao consumidor , é caso analago como combustível adulterado.



O setor tem que criar mecanismos fáceis para que o produto que é oferecido para a industria seja de melhor qualidade.



Como ????



tirando a porcaria do mercado, assim se o café ofertado livremente for de melhor qualidade , resolvemos 99% do problema de qualidade.



Quais são as porcarias que impactam na qualidade de café??



cafés pretos e ardidos , pois são cafés podres.



então usem inteligência e parem de criar normas idiotas



O Governo quando quis inibir a evasão fiscal na industria de cerveja , foi lá nas fabricas e instalou um medidor de produção , evitou que milhares de fiscais ficassem que nem barata tonta tentando fiscalizar , o mesmo faz na industria de cigarros.



Então basta de normas idiotas e impraticaveis , usem  medidas inteligentes , uma delas é expurgar os cafés pretos e ardidos , como :



vide artigo aqui no Café Point.



http://www.cafepoint.com.br/cadeia-produtiva/espaco-aberto/uma-riqueza-renegada-os-consumidores-brasileiros-79076n.aspx






Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 12/03/2013

Senhora Natália, note: o problema da metodologia dos Grupos de Trabalho é justamente o seu senso de urgência. Já que a Instrução Normativa foi revogada, porque não se utiliza um recurso consistente de planejamento estratégico para construção de um novo aparato. O problema que resultou na revogação da IN 16/2010 foi a falta de exequibilidade do que nela estava proposto, por impasses orçamentários. Seguindo uma lógica corrente em gestão, dever-se-ia, e tem-se aí a minha sugestão, seguir-se um roteiro mínimo voltado para resultados efetivos, que satisfaçam a todos. Depois de estabelecidas as metas pelo GT é útil avaliar o conjunto de proposições confrontando-as com disponibilidades orçamentárias. Se houver convergência, para que se evitem desgastes, torna-se necessário ainda verificar que a nova proposição atende todos os dispositivos legais existentes no país e acordos internacionais chancelados pelo Brasil. Se tudo estiver juridicamente e orçamentariamente acertado, que se publique um novo regulamento. Caso contrário, para que evitem novos desgastes, é preferível deixar o mercado à mercê da autorregulamentação. Se estes passos não forem respeitados, incorre-se na repetição de erros. Considere sempre que o maior produtor é uma vitrine. E cada erro cometido na tomada de decisão em nível de Estado, pode conduzir a prejuízos de reputação e perda de competitividade.
ROSIMEIRI APARECIDA BUZZETI
ROSIMEIRI APARECIDA BUZZETI

JACAREZINHO - PARANÁ - PRODUÇÃO DE CAFÉ

EM 12/03/2013

Meu povo, a ABIC não tem interesse nenhum em melhorar a qualidade do café, faz anos que eles fazem o que querem no café torrado e moido.
Natália Sampaio Fernandes
NATÁLIA SAMPAIO FERNANDES

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 12/03/2013

Caros leitores,



Esclareço que conforme informado na matéria, em 90 dias será apresentada uma proposta com diversas medidas para normatização do café torrado e moído, e não a norma em si. A questão é que, conforme os senhores mesmo disseram, não é tão simples estabelecer normas desse nível. Com certeza será necessário muito debate e empenho do setor, junto ao MAPA, MDIC e demais instituições.



Quanto à revogação da IN16, o consenso do setor aconteceu em relação à revogação da análise sensorial, conforme dito anteriormente.



Devido ao reconhecimento da importância de uma normatização para o café torrado e moído, de forma que o produtor, o industrial, o mercado e o Brasil não sejam prejudicados, é que o assunto foi discutido entre diversos setores e acordado que o grupo de trabalho fosse criado.



De certo, eu e o Breno, como representantes da CNA, estamos trabalhando para defesa do produtor rural.
Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 11/03/2013

Caríssima Natália.



Primeiramente meus cumprimentos pela disposição em responder.



Infelizmente a revogação da IN16 mais uma vez vem mostrar o quanto nós da produção somos inexperientes em relação à Industria, mais uma vez ela conseguiu se sobrepor à produção. Não creio que a revogação tenha sido de consenso de todo o setor, mesmo porque, o setor dos cafés hoje denominados de especiais, certificados e sustentáveis nem sequer foi consultado, não levando portanto, em consideração que ele atualmente alem de representar uma fatia significativa do mercado nacional representa também, um volume já consideravel em exportação.



Assim, fica claro que o setor produtivo de commoditie é uma coisa e o setor de cafés especiais é outra, no entanto ambos fazem parte da cadeia de produção. Espero que nossos verdadeiros representantes saibam estabelecer um novo parametro que possa considerar o que é qualidade em café. Com relação ao CDPC, de acordo com a agenda estratégica do agronegócio café elaborada pelo grupo de trabalho nomeado pelo ministro Reinhold Stephanes através da portaria 510 de 03/07/2008 voce poderá encontrar na pagina 82 o seguinte: "Por tudo que se observa dos diversos setores da economia cafeeira, há forte indicações que o modelo atual não esta funcionando a contento, tanto por ações estratégicas estarem relegadas a um plano secundário, quanto pelo fato do CDPC ter se tornado um local de forte conflito de opiniões, onde o antagonismo tem se exacerbado sistematicamente. Assim, ousamos apresentar encaminhamento de alteração do modelo, através de proposta de Governança do Setor Cafeeiro partindo de duas vertentes principais: o esgotamento da capacidade regulatória estatal e a necessidade de uma coordenação minima do setor cafeeiro, com a colaboração entre setores públicos e privados."



Portanto Natalia, o texto por si só já esclarece quais serão os resultados que deverão ser obtidos junto ao CDPC, ou seja, não devemos esperar por nada. Com relação ao GT da Cafeicultura de Montanha posso afirmar e informar-lhe que nossa região tambem nem sequer foi consultada, e olha que hoje temos conseguido exportar nossos cafés aqui das montanhas para diversas regiões do mundo, com selos de certificação e origem e por preços altamente remuneradores.  Acho que será necessário dividirmos este mundo em dois, uma cafeicultura de montanha que carrega um duro e pesado fardo composta de grandes fazendas e a outra de cafeicultura de montanha baseada em um novo modelo de associativismo, no fortalecimento da agricultura familiar e nos conceitos de certificação e origem, sustentada pela produção de cafés de qualidade, tipico, notorico e ambientalmente correto. Portanto, as propostas para viabilização da cafeicultura de montanha nem por perto aqui passou. Voltando a IN16, não é possivel que mais uma vez vamos depositar nas mãos da ABIC a coordenação de tão importante trabalho, aproveito então para pedir ao BRENO atenção para isto.
Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 11/03/2013

Prezado Sr. Sérgio, lendo sua manifestação e agora a da Assessora Técnica da CNA, gostaria de referendar sua preocupação. Infelizmente, a questão política relacionada ao agronegócio tem sobrevivido de momentos.



Em dez anos de trabalho no setor, posso afirmar que os dois únicos modelos políticos que possuem longevidade, no âmbito legal, estão concentrados nas legislações de café existentes nos Estados de São Paulo e Minas Gerais. Tudo o mais, no que tange a Brasília, depende do estado de espírito de lideranças que vivem a repetir as mesmas fórmulas, na expectativa de que os resultados serão diferentes. Daqui 90 dias, publicarão outra norma que não sairá do papel, como foi o caso da Agenda Estratégica do Café, como a do Super Café (estratégia de marketing do café brasileiro suspensa pelo Conar), entre outras ações que não me vêem à memória nesse momento. Minha insatisfação em relação a revogação da IN 16/2010 concentra-se no fato dela ter sido uma decorrência de um processo histórico consolidado ao longo de 15 anos. Logo, acredito que em 90 dias, a nova norma não conseguirá atender as demandas por qualidade técnica que o mercado consumidor de café no Brasil necessita.
Natália Sampaio Fernandes
NATÁLIA SAMPAIO FERNANDES

BRASÍLIA - DISTRITO FEDERAL

EM 11/03/2013

Caro Sérgio, boa tarde. Obrigada pelo comentário.



Como Assessora Técnica da Comissão Nacional do Café da CNA, venho esclarecer alguns pontos sobre a IN16 e os encaminhamentos dados após sua revogação.



A demanda pela revogação da questão da análise sensorial da IN16 foi consenso do setor como um todo, dada a impossibilidade da operacionalização desse tipo de análise. Por fim, a IN16 foi revogada por completo, indo contra a demanda do setor.



Diante disso, tanto a indústria como produção, exportação, entre outros, concordam que o café torrado e moído precisa de uma regulamentação para controle de qualidade e impurezas. A proposta da criação de um Grupo de Trabalho (GT), coordenado pela ABIC, foi acordada por todos os setores participantes do CDPC.



Venho esclarecer ainda que os GTs podem ter participação de todos do setor, desde que de alguma forma contribuam para a proposta e desenvolvimento do assunto em questão.



Assim como foi feito com o GT da Cafeicultura de Montanha, que durante 90 dias reuniu diversos representantes do setor, e por fim apresentou uma série de propostas para viabilização dessa cafeicultura, acredita-se no sucesso da criação do GT para apresentação de propostas sobre regulamentação e controle do café torrado e moído no Brasil.



Ressalto ainda que, a proposta será apresentada na próxima reunião do CDPC, onde participam todos os atores da cadeia. Caso a proposta contemple pontos que prejudiquem algum setor, de certo será contestada e não aprovada.



Acreditamos que a interação e discussões entre os setores são benéficas para que os resultados favoreçam a cadeia como um todo.



Me coloco à disposição para demais esclarecimentos.



Abraço,

Natália
Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 08/03/2013

Breno, se dois anos não foram suficientes para que a IN16 fosse colocada em prática, voce  realmente acredita que 90 dias serão suficientes para que  uma nova instrução normativa  venha a regulamentar o assunto? Não sejamos tão inocentes assim, esse assunto  vai precisar de muito debate.  Vá se preparando!
Francisco Sérgio Lange
FRANCISCO SÉRGIO LANGE

DIVINOLÂNDIA - SÃO PAULO

EM 08/03/2013

Caro Companheiro do café, Breno Mesquita!



"Nos próximos 90 dias, o assunto será debatido dentro de um grupo de trabalho - organizado pela ABIC - que ficará responsavel por apresentar uma proposta na próxima reunião do CDPC".



Pois é Breno, caso isto realmente venha a ocorrer, sem a participação do setor produtivo, pode ter certeza, mais uma vez caminharemos em direção ao nada. Deixar que somente a  ABIC elabore uma proposta é no minimo um desrespeito para com os produtores e para com o mercado consumidor de café.  Não acredito que voce, representante da produção,  vá aceitar esta  manobra da industria. Pode ter certeza, nós produtores de cafés especiais não iremos compactuar com esta decisão unilateral. Aqui em São Paulo já colocamos o assunto junto à FAESP e vamos pedir ao Dr. Fabio que o encaminhe à CNA. Em recente reunião junto a APTA/SP, no sentido de fortalecermos as Indicações Geográficas em São Paulo, este assunto também foi colocado em pauta, gerando importantes comentários no sentido da melhoria da qualidade do café distribuído ao mercado.  Portanto Breno, tratá-se de um assunto bastante delicado que exigirá muito empenho, participação dos elos da cadeia e responsabilidade das pessoas que hoje nos representam. O momento é de extrema importancia e assim tem que ser considerado, pois, continuar a privilegiar a quantidade em detrimento à qualidade, sem sombra de dúvidas, será caminhar em direção contraria à moderna cafeicultura, e isto já  nos serviu de lição em um passado recente.. Subestimar a capacidade sensorial do consumidor atual será  uma estratégia equivocada e com certeza se transformará em um jogo de peças que ao mais leve toque irão caindo uma a uma.


Mara Freitas
MARA FREITAS

LAVRAS - MINAS GERAIS - PESQUISA/ENSINO

EM 08/03/2013

Eu tenho a solução: federalizar a ABIC e anexa-la como secretaria no MAPA... Mais um grupo de trabalho com duração de 90 dias para variar.