Carvalhaes: preços tendem a um novo patamar

A semana foi de alta e nervosismo no mercado futuro de café. Os preços no mercado físico brasileiro também subiram, mas menos que no de futuros. Duas correntes se formaram: uma que acredita que a alta é principalmente um movimento especulativo de fundos e não se sustenta. Outra, julga a subida de preços como um ajuste da única commodity ainda não enquadrada na nova dinâmica da economia mundial, e que haverá realizações, mas a tendência dos preços é procurarem um novo patamar de negociação, mais condizente ao momento atual da economia mundial.

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A semana foi de alta e nervosismo no mercado futuro de café. Os preços no mercado físico brasileiro também subiram, mas menos que no de futuros. Muitos compradores retardam suas compras, acreditando que poderão conseguir preços melhores em uma hora de realização de lucros nos mercados de futuro. A forte valorização do real frente ao dólar também dificultou os negócios, segundo o Escritório Carvalhaes.

"Duas correntes se formaram: uma que acredita que a alta é principalmente um movimento especulativo de fundos e não se sustenta. Outra, na qual nos alinhamos, julgando a subida de preços como um ajuste da única commodity ainda não enquadrada na nova dinâmica da economia mundial, e que haverá realizações, mas a tendência dos preços é procurarem um novo patamar de negociação, mais condizente ao momento atual da economia mundial", ressaltou o Escritório.

O fato de, apenas na semana passada, as cotações na Bolsa de Nova Iorque terem atingido seus mais altos preços em 10 anos, mostra como estão defasadas em relação às demais commodities. Nestes últimos 10 anos a economia internacional e o preço das matérias-primas mudaram radicalmente, enquanto o café apenas recuperou o preço histórico de uma década atrás.

"Para se ter uma idéia da perda de valor do café nas exportações brasileiras, o reajuste de 65% para o minério de ferro, que a Vale, maior mineradora brasileira, anunciou esta semana, deve significar um impacto de até 9 bilhões de dólares em nossa balança comercial. Este valor é mais de duas vezes o total que o Brasil arrecadou no ano passado com café. O mais grave é que, em 2007, batemos o recorde de arrecadação nas exportações de café, commodity da qual continuamos o maior do mundo", destacou.
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Mario José Monnerat Vianna
MARIO JOSÉ MONNERAT VIANNA

NITERÓI - RIO DE JANEIRO - TRADER

EM 03/03/2008

O Guilherme tem toda razão. O que define um preço a longo prazo é a relação oferta x demanda. Nos casos de produtos agrícolas e outras commodities, os estoques atuam regulando um ou outro, enquanto existirem.

O que os grandes fundos podem fazer no mercado - e fazem - é amplificar momentaneamente esse movimento, aumentando a volatilidade. Quando um grande fundo compra, ele compra muito, e portanto os preços sobem mais do que subiriam se ele não estivesse comprando. No entanto, quando o fundo para de comprar, os preços voltam ao que seria uma posição de equilíbrio. No longo prazo, os fundos não têm o poder de alterar a tendência dos preços.

A volatilidade provocada pelos fundos traz uma dificuldade adicional para quem utiliza o mercado para fazer hedge, pois aumenta a exigência de caixa para os ajustes.

Por outro lado, a presença dos fundos no mercado é garantia de que haverá alguém para fechar negócio, toda vez que isso for necessário. Se um produtor precisar montar uma operação de hedge, ele encontrará uma contraparte, e conseguirá um preço próximo ao corrente. Da mesma forma, para desmontar o hedge, também haverá alguém para fechar o negócio.

ViaVerde Consultoria Agropecuária
VIAVERDE CONSULTORIA AGROPECUÁRIA

SÃO SEBASTIÃO DO PARAÍSO - MINAS GERAIS - PROFISSIONAIS DE CIÊNCIAS AGRÁRIAS

EM 27/02/2008

Apesar da força dos fundos que operam com café influenciar fortemente a dinâmica deste mercado, não seriam os estoques, relação oferta x demanda e sazonalidade ainda os grandes vetores a modelar seus preços?
Celso Luis Rodrigues Vegro
CELSO LUIS RODRIGUES VEGRO

SÃO PAULO - SÃO PAULO - PESQUISA/ENSINO

EM 26/02/2008

Prezado Eduardo Carvalhaes,

A tese de que o café é um dos últimos produtos a integrar o ciclo de aumentos é verdadeira. Existe uma obviedade desprezada que é a relatividade dos preços, ou seja, no sistema econômico os preços são formados, entre outros fatores, pelas mutuas cotações. Você lembrou o ferro, mas podemos trazer a lista quase todas as commodities metálicas e mais recentemente também as chamadas soft commodities (agrícolas).

Como destaquei em meu último artigo, disponível nos relatórios mensais do CaféPoint, essa análise possui um conteúdo fortemente inflacionário e isso é o que mais preocupa a todos os bancos centrais. Não existe muito o que fazer, em termos de política monetária, quando temos um problema de oferta.

Grande abraço

Celso Vegro