A disparada da cotação do dólar em relação ao real permitiu aos produtores e exportadores agrícolas compensar as quedas de preços no mercado internacional de commodities e, no caso do café, não foi diferente. Mas a alta não deve se sustentar por muito tempo. Segundo estimativa do diretor-geral do Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé), Guilherme Braga, o valor da moeda norte-americana vai cair, "não para o mesmo nível que estava, em torno de R$ l,60, mas deve ficar próximo de R$ l,75".
No início de ontem (22), a cotação atingiu R$ l,95, mas, em uma hora, baixou para R$ 1,87 após as intervenções do Banco Central, que fez operações de swap cambial (compra e venda de moeda no mercado futuro). A autoridade monetária vendeu US$ 2,7 bilhões em contratos futuros, de um total ofertado de US$ 5,6 bilhões. Só este mês, até o dia 22, o dólar se valorizou 15,95%.
Na avaliação do dirigente do Cecafé , uma crise de liquidez dos bancos europeus "pode levar à busca de proteção no mercado do dólar", alimentando a valorização da moeda norte-americana. No entanto, conforme ponderou, o dólar já estava bastante desvalorizado no Brasil. "Nesse momento em que os preços internacionais do café e de outras commodities tiveram forte queda, a desvalorização da moeda [real] vai permitir a manutenção dos preços internos e compensar um pouco a queda dos preços internacionais", disse Guilherme Braga.
De acordo com ele, em razão da crise econômica que atinge os Estados Unidos e os países da zona do euro, os preços do café chegaram a cair 3,5% ontem, (21). Apesar do ceticismo dos analistas em relação às medidas tomadas pelos Estados Unidos para evitar uma recessão e das incertezas referentes ao endividamento da Grécia, de Portugal e da Itália, estão mantidas as projeções de crescimento de 10% da receita de exportação do café brasileiro. O valor deverá passar de US 7,4 bilhões para US$ 8,2 bilhões, com 32 milhões de sacas embarcadas, ante 33 milhões no ano passado.
As informações são da Agência Brasil, adaptadas pela Equipe CaféPoint.
Alta do dólar neutraliza queda de preços do café no mercado internacional
A disparada da cotação do dólar em relação ao real permitiu aos produtores e exportadores agrícolas compensar as quedas de preços no mercado internacional de commodities e, no caso do café, não foi diferente. Mas a alta não deve se sustentar por muito tempo.
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