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África: produção de café aumentará em um terço até 2015
Os baixos preços, a seca, as doenças e a instabilidade política nos principais produtores, como Costa do Marfim, levaram à negligência das fazendas de café, enquanto alguns produtores abandonaram esse produto para produzir alimentos como milho.
O economista chefe da Organização Internacional de Café, Denis Seudieu, disse que países como Uganda, Quênia, Camarões e Tanzânia apostaram em mudas mais fortes que produzem maiores rendimentos e estão alcançando novos mercados.
"Se importantes países produtores implementarem agressivamente e reabilitarem o setor de café apoiando e fornecendo benefícios aos produtores, estamos otimistas de que em cinco anos a produção aumentará em 2,5 milhões de sacas", disse Seudieu em uma conferência de café em Nairobi, Quênia.
Seudieu disse que milhões de produtores africanos pararam de produzir café entre 1980 e 1990, quando os governos introduziram novos intermediários no comércio que consumiam as receitas dos produtores, como ocorreu na nação central da África de Camarões.
Dados da Organização de Café Inter-África (IACO) mostraram que a produção no continente africano estagnou em 16 milhões de sacas de 60 quilos nos últimos cinco anos, mas aumentou para 18 milhões de sacas no ano passado, o que denota uma participação de 13% no mercado global. Em 1980, a participação da África no mercado global era de 30% e estão em ação planos para tentar recuperar essa participação perdida.
Arruinada por anos de guerra civil, Costa do Marfim que já foi o quinto maior produtor mundial de café caiu para o 11º lugar, mas a estabilidade política vem se estabelecendo e os produtores estão otimistas. Novas mudas que produzirão grãos de café dentro de dois anos poderão garantir retornos a eles.
"Um país como a Costa do Marfim era um grande produtor, mas a crise política enfatizou a situação difícil em termos de baixa produtividade. Primeiro, foi o baixo preço; depois, a situação política agravou isso". O país produzia 4-5 milhões de sacas nos anos oitenta, mas a produção anual agora é de menos da metade disso, disse Seudieu.
No leste da África, Quênia espera pagar a seus produtores mais pela remoção dos intermediários e deixá-los vender diretamente aos compradores estrangeiros, disse a secretária geral da IACO, Josefa Sacko.
O Quênia, um produtor relativamente pequeno de grãos especiais de café e alta qualidade, está tentando reverter a tendência de queda na produção de café, porque as fazendas estão sendo compradas por desenvolvedores de propriedades que visam aproveitar o aumento no setor de bens imobiliários.
Uma nova variedade de café resistente a doença chamada Batian, desenvolvida por pesquisadores, deverá aumentar bastante a produção e está sendo demandada nas regiões leste e central da África.
Os produtores quenianos buscando se beneficiar dos altos preços internacionais expressaram interesse em cultivar café em áreas onde anteriormente não tinha essa produção, disseram os pesquisadores.
Já Uganda, o segundo maior produtor depois da Etiópia, ampliou a distribuição de variedades resistentes à wilt disease (traqueomicose) para produtores do país que produziram 3,15 milhões de sacas em 2010/2011, mais que as 2,7 milhões de sacas em 2009/2010. O país é visto como um modelo para o resto do continente, porque sua produção vem aumentando gradualmente.
A reportagem é da Reuters, traduzida e adaptada pela Equipe CaféPoint.
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