Abic quer fortalecer pequenas e médias

Américo Sato, presidente da Abic, afirma que, "de modo geral, a indústria do café está em uma situação difícil". Com isso ele assumiu o cargo com uma missão: recuperar a lucratividade das torrefadoras.

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Aos 81 anos, o empresário Américo Sato assumiu, em junho, a Associação Brasileira da Indústria de Café (Abic) com uma missão: recuperar a lucratividade das torrefadoras. Nos últimos anos, diz, o setor viu suas margens caírem em meio ao acirramento da competição e à escalada dos preços do café verde, que representam cerca de metade da pauta de custos. "De modo geral, a indústria está em uma situação difícil. Nos últimos dez anos, quase 15% da empresas desapareceram e várias foram incorporadas."

Sato argumenta que o preço do café torrado e moído, entre os produtos alimentícios, foi o que menos subiu nos últimos anos. Por isso, muitas empresas se viram obrigadas a apostar em produtos de pior qualidade, o chamado café de "combate", para se manter ativas. "Essa foi uma estratégia muito prejudicial. Todos perderam", conclui.

Para ele, a única chance de as pequenas e médias torrefadoras - a imensa maioria entre as mais de mil espalhadas Brasil afora - sobreviverem é apostar na qualidade. "Entendemos que essas empresas devem investir em seus mercados locais, identificar nichos e oferecer produtos diferenciados", afirma.

Uma das estratégias, prometidas para 2012, é um novo sistema de classificação para o produto vendido nos supermercados. "Atualmente, 88% do café é vendido com o selo de 'tradicional'. Só que esta é uma categoria que inclui de produtos bons a muito ruins". Com o novo sistema, desenvolvido em parceria com a Associação Brasileira dos Supermercados (Abras), a Abic quer eliminar essa "vala comum" e segmentar o produto exposto nas gôndolas, a fim de disputar um consumidor mais interessado na qualidade do que em preço.

Sato nega que a saída de Sara Lee e 3Corações, responsáveis por mais de um terço do mercado nacional, enfraqueça a entidade. "Ainda temos grandes empresas na direção da Abic. Não vamos perder representatividade". O empresário afirma ainda que o mercado vai continuar a assistir a fusões e aquisições entre torrefadoras, mesmo na hipótese de o governo rever o sistema tributário. "O ritmo será menor, mas a consolidação não vai acabar", afirma.

O presidente da Abic conta ainda que recebeu um recado da presidente Dilma Rousseff. "Ela quer que o setor agregue valor às exportações", revela. "É uma visão de estadista, com a qual concordamos, mas vamos precisar de apoio do governo para competir lá fora."

A reportagem é do Valor Econômico, editadas pela Equipe CaféPoint.
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