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Novo Código Florestal: Mais desmatamento? 

Por Rodrigo CA Lima
postado em 13/05/2011

 

A negociação do novo Código Florestal voltou às vias do radicalismo após a divulgação da nova proposta no dia 2 de maio. O clima de disputa entre produção e conservação foi intenso nos últimos dias, e o novo adiamento da votação decidido na madrugada do dia 12 de maio, após muito enfrentamento no Congresso, mostra o quão importante é negociar o novo Código visando a benefícios para toda a sociedade.

Deve-se ressaltar que a discussão sobre alterar a lei florestal ocorre há muito tempo e se intensificou nos últimos 2 anos. Por isso, a indignação quanto ao desconhecimento sobre o que se negocia e sobre a necessidade de mais tempo para discutir o novo Código tão somente busca arrebanhar adeptos para a campanha contra uma nova lei.

Os argumentos que sustentam que a reforma do Código já causa desmatamento, enfatizando um crescimento da área desmatada no Pará e no Mato Grosso, consolida perante a sociedade, que vive distante da realidade do campo e absorve ingenuamente todos os argumentos contra a reforma do Código, a visão de que mudar a lei florestal será uma tragédia para o Brasil.

Na prática, não é a reforma do Código que causa desmatamento ou que acaba de vez com o ideal de sustentabilidade defendido cegamente por tantas pessoas. Na verdade, é a falta de um Código Florestal novo e equilibrado que causa desmatamento, traz insegurança, afasta investimentos e prejudica a sintonia entre conservação ambiental e agricultura.

Leituras enviesadas do texto de negociação do novo Código desenham um Brasil caótico, onde o produtor rural destrói o meio ambiente sem escrúpulos, enquanto a sociedade, ONGs, igrejas, artistas e outras entidades sociais assistem a tudo de camarote, como vítimas.

A lógica da legislação florestal é regular o uso da terra e não proibir o desmatamento. É conservar Áreas de Preservação Permanente (APPs), pelas suas funções ambientais, e proteger mais uma parcela das propriedades, a Reserva Legal (RL), mesmo que isso signifique uma proteção muito ampla em certos casos. A grande dificuldade, gerada pelo fato de que a ocupação da terra no Brasil foi historicamente errada e desorganizada, é definir critérios justos, que equilibrem conservação e produção.

Quem desmatou ilegalmente nesses novos casos terá de cumprir os critérios de preservação tão logo o Código seja aprovado. No entanto, é urgente esclarecer que desmatamento não é pecado e continuará a existir com o Código atual ou qualquer nova lei. Um produtor que tenha APPs e RL protegidas pode, atualmente, desmatar legalmente o remanescente de vegetação nativa. Esse uso da terra não é insustentável, pois ele é compensado pela conservação das APPs e da RL.

O custo de oportunidade de manter essa área extra de florestas intacta é muito elevado, pois enquanto o valor da terra produtiva varia entre R$ 2 a 30 mil/hectare e agrega à rentabilidade de uma cultura agropecuária, a área de vegetação nativa vale de R$ 95,00 a R$ 2.000,00/ hectare, e não traz renda ao produtor.

É exatamente essa realidade absurda que a reforma do Código pode mudar, passando a valorizar a floresta em pé e os serviços ambientais que ela gera. Como não faz sentido econômico e ambiental abrir mão de áreas produtivas para recuperar a Reserva Legal, o que proibiria a produção de alimentos em milhões de hectares, a ideia de compensar a obrigação da RL em outras áreas com vegetação nativa faz todo o sentido.

Essas áreas possuem um valor ambiental muito mais elevado. Além disso, por serem preservadas, manterão a biodiversidade, a produção de água e enormes estoques de carbono, tão relevantes para combater a mudança do clima. E o diferencial dessa compensação é que ela se dará em áreas que poderiam ser desmatadas legalmente, pois são áreas que excedem a obrigação da APP e da RL.
As regras atuais permitem essa compensação, mas de forma muito limitada. E a discussão sobre o novo Código cria os mecanismos para que esse mercado florestal ganhe vida e proteja milhões de hectares de florestas que trarão benefícios ambientais e econômicos.

Em paralelo à compensação da RL, ocorrerá a recomposição das APPs, que também trarão benefícios para a biodiversidade, proteção do solo, água e, também, para a produção agrícola. Recuperar 40 milhões de hectares de APPs ao longo de cursos d'água tornará a agricultura brasileira mais forte e sustentável.

Quando isso ocorrer, os serviços ambientais irão gerar divisas para os proprietários rurais. A biodiversidade de cada região será estampada nos rótulos dos produtos, o carbono das florestas será um ativo que poderá ser vendido pelos produtores e a produção agrícola poderá crescer em sintonia com a conservação ambiental.

Essa interação não só é possível, como já é praticada. A agricultura brasileira deu um salto nas questões de sustentabilidade e aprofunda esse conceito a cada dia. A aprovação do novo Código Florestal reforçará o compromisso do campo com o meio ambiente e com toda a sociedade. Basta que a nova lei seja justa, equilibrada e crie um ambiente de previsibilidade e segurança, elementos que sempre faltaram na lei florestal brasileira.

Saiba mais sobre o autor desse conteúdo:

Rodrigo CA Lima    Alcântara - Maranhão

Produção de gado de corte

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Comentários:

Henrique de Souza Dias

Serra do Salitre - Minas Gerais - Produção de café
postado em 14/05/2011

Reserva legal e APP são jabuticabas ecológicas, só existem no Brasil. APP em rios  grandes, como Amazonas, Tietê, S.Francisco exigem 500 m de Mato. Isto é um absurdo! Vai dar morte, guerra civil. Ou vocês acham que a população vai aceitar isso bovinamente?


Reserva Legal é um confisco de propriedade, outro absurdo! Queria ver o Greenpeace


fazer isso na sua terra , a Holanda. A Holanda acabava com RL e APP, aquilo é um brejo...


Conservação de solo se faz respeitando a topografia,a textura, com plantio direto, curva de nível e outras coisas. Outro absurdo, dizer que mato "produz água".Ora, a água vem do mar que evapora pela ação do Sol


.A evapotranspiração também é de água que veio do Mar.

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