Em entrevista ao CaféPoint Armando Matielli falou um pouco sobre sua experiência e atuação no mercado de café e tratou também dos últimos acontecimentos da cadeia do café, mostrando-se decepcionado com as políticas da cafeicultura e com a falta de gestão pública e privada.
Ouça abaixo a entrevista na íntegra.
Parte 1
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"A Sincal foi constituída para que possamos fazer reivindicações dentro das necessidades que a cafeicultura requer. Estamos muito aborrecidos, extremamente irritados e sendo massacrados pela política econômica, e não nos conformamos com isso."
"A Sincal é uma entidade sem partido político, sem ideologia religiosa. O nosso partido é o cafeicultor. Todos os trabalhadores da Sincal trabalham sem nenhuma remuneração e sem verbas com arrecadação de impostos."
"A filiação da Sincal é feita por meio dos Sindicatos dos Produtores Rurais, que passam a fazer parte reintegrante das nossas reivindicações e dos direito que conquistamos."
"O principal ponto que atravanca a cafeicultura é a falta de preço. Essa falta de preço vem de uma conjuntura por falta de gestão pública e privada. O CDPC ( Conselho deliberativo da política cafeeira) julgamos não ter nenhuma representatividade perante os cafeicultores, sendo que o elo mais forte da cadeia é o cafeicultor."
"Não existe gestão, não existe direcionamento e nem representatividade para os cafeicultores. As federações que deveria representar os cafeicultores são representações apáticas, politicas, muitas vezes cabide de emprego e que não tem lutado pela classe dos cafeicultores."
"A Sincal enfrenta muitos desafios. Estamos sendo processados. Estão tentando calar a Sincal. Não temos recebido nenhum respaldo pelo lado governamental. Temos procurado ministros e a Vice-Presidência da República para tentar resolver essa situação da cafeicultura."
"O ponto principal é que estamos exportando café abaixo dos preços de Nova York. Os nossos principais países concorrentes de arábica estiverem vendendo acima dos preços de Nova York, e nós estamos vendendo o café mais barato em R$200,00/saca."
"O cafeicultor está a mercê de uma carnificina econômica, através do CDPC, o qual defino como Conselho Deliberativo de Política de Conloio em detrimento ao produtor."
"Os custos de produção nas diferentes regiões produtoras estão variando na faixa de R$ 320,00 a R$ 340,00 e o governo estabeleceu um preço mínimo de R$ 261,00."
"Temos razões suficientes para entrarmos na justiça e brigar."
Parte 2
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"Uma saca de café verde tem 60 quilos. Ele torrado e moído são 48 quilos. Uma xícara de café pesa de 6 a 7 gramas, portanto, um quilo de café temos cerca de 150 cafezinhos. Ou seja, 8 kg, 'vezes' 150 cafezinhos dá 7200 xícaras de café. Na Europa vende-se uma xícara de café por volta de R$9,00. Então, uma saca de café na Europa, hoje, na boca do consumidor, vale por volta de R$65.000 e estamos vendendo a R$ 300,00, ficando com 0,35%, enquanto o mercado está com 99,65%."
"A falta de gestão está nos dando indigestão."
"Nossas lideranças estão praticamente mortas. Temos que urgentemente mudar nossa lideranças."
"Nunca na história do Brasil e da cafeicultura tivemos tanta injustiça, um Ministério da Agricultura tão inoperante, de gente ineficiente, sem nenhuma aptidão técnica e comercial."
"Os produtores de café apoiam a Sincal e juntos vamos reverter essa situação."
"Em relação as opções, as cooperativas não estão interessadas em colocar seus cafés nos estoques da Conab. Não temos estoques nenhum. Se tivermos uma geada o Brasil nem café para beber tem."
"As opções foram um insucesso, pois o governo não conseguiu tirar do mercado a quantidade prometida. O volume retirado foi muito abaixo da pretensão inicial."
"O produtor não tem que vender terra pra pagar dívidas. Pagar quem? Ele tem que entrar na justiça e tentar ressarcir os R$ 100,00 que pagou por saca, e com isso pagar suas dívidas."
"Os números de previsão de safra é uma lástima. Para que serve uma previsão sem saber as posições reais dos estoques? Para se ter um planejamento econômico e estratégia para cafeicultura, nós temos que saber o real estoque 'mais' a previsão. Em cima disso que vamos traçar as políticas públicas."
Parte 3
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"A Sincal propôs diversas medidas que foram encaminhadas à lideranças, aos deputados, ao Ministério da Agricultura, mas não tivemos resposta nenhuma."
"A Sincal apontou nove principais desafios para 2010. O governo tem que cumprir o que falou e continuar fazendo as opções."
"As verbas do governo tem que sair na época certa, em abril/maio, não depois da colheita. Tem que ser feito também EGF (estoque do governo federal)."
"Outro desafio é mudar o preço mínimo, urgentemente, pois R$ 261,00 não cobre o custo de produção. Dentro do preço mínimo tem que ter uma margem para o produtor trabalhar com tranquilidade."
"Temos que cuidar do endividamento e parar com as CPRs e trocas de mercadorias."
Equipe CaféPoint
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Eliane de Andrade C. Nogueira
São Sebastião da Grama - São Paulo - Produção de café
postado em 16/03/2010
Cafeicultores de todo o Brasil, vamos apoiar a SINCAL , que hoje é a única entidade que defende o cafeicutorNão podemos mais ser omissos , estamos sem uma política para o nosso setor , com lideranças velhas , sem comprometimento , largados a mercê de exporatadores ,cooperativas etc..Como podemos aceitar vender (doar) nosso café em torno , hoje, 200,00 abaixo dos nossos concorrentes?Isto é falta de política, vontade e gestão . Enquanto isso , os cafeicultores cada vez mais endividados , sem perspectiva de melhora. A SINCAL é o único caminho , não podemos depender do governo pois, esse já disse a que veio.Os políticos do alto escalão do governo nem sabem e não tem interese de resolver oproblema.Cafeicultor , deixe de ser acomodado , precisamos urgentemente de uma política para a cafeiculturae claro fazer pararalelamente a nossa parte , produzindo sócioambientalmente corretos para competir com os nossos concorrentes.A SINCAL tem propostas para alavancar o setor , mas , precisa de apoio.Como podemos comandar o mercado com 50% das exporatações mundiais e sermos meros coadjuvantes?A resposta é :INCONPETÊNCIA E FALTA DE GESTÃO.