OIC: baixa oferta de robusta eleva preços

Um aumento na demanda por robustas combinado com uma relativa escassez deste tipo de café, particularmente no Vietnã, estão entre os principais fatores determinando esta tendência de alta, exacerbada por atividades especulativas de fundos de investimentos.

Publicado por: CaféPoint

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Segundo relatório mensal da OIC, o comportamento do mercado de café durante o mês de maio foi principalmente caracterizado por um aumento significante nos preços do robusta, que registraram seus mais altos níveis em mais de nove anos. A média mensal do indicador diário de preços para robustas durante maio foi 83,91 centavos de dólar por libra (US$ 110,07 por saca de 60kg), conferindo uma redução de mais de 16% no diferencial com 'outros arábicas suaves'.

O aumento nos preços do robusta é atribuível principalmente a problemas relacionados com a disponibilidade de oferta no mercado. De fato, apesar de o volume de exportações de robusta do Vietnã ter atingido níveis recordes, houve sérios problemas relacionados à qualidade e muitos lotes de exportação foram rejeitados nos portos europeus.

Autoridades de café do Vietnã anunciaram medidas para lidar com esta situação, particularmente a necessidade de aplicação, em uma base voluntária, das provisões da Resolução 420 da OIC estabelecendo os padrões de qualidade para o café exportado.

O diretor executivo da OIC, Néstor Osório, disse que está esperando informações sobre a aplicação efetiva destas medidas. Outra parte de informação recebida em maio é que os governos brasileiro e colombiano decidiram fornecer suporte aos produtores de café através de um mecanismo de garantia de preço mínimo.

Com relação aos problemas climáticos, não têm havido desenvolvimentos notáveis no fenômeno "El Niño" mas condições instáveis de clima na Indonésia juntamente com atividade vulcânica prejudicaram infra-estruturas e afetaram as exportações. Também deve ser notado que com a aproximação do inverno no Brasil e os riscos de geadas, existe um certo nervosismo no mercado.

Durante o mês de maio, o Conselho Internacional de Café teve sua sessão regular na qual o Grupo de Trabalho continuou as negociações sobre o futuro do Acordo, fazendo significantes progressos e decidiu continuar seu trabalho em setembro para finalizar o rascunho do Acordo para submissão ao Conselho na sessão que será feita de 24 a 28 de setembro de 2007.

Movimentos nos preços

A média mensal do indicador composto da OIC de preços registrou um leve aumento uma vez que esteve em 100,09 centavos de dólar por libra (US$ 132,40 por saca de 60kg) em maio (Tabela 1) comparado com 99,30 centavos de dólar por libra (US$ 131,36/sc) em abril.

Os preços do arábica permaneceram firmes apesar de uma pequena queda com relação à situação em abril. Por outro lado, os preços do robusta aumentaram de forma afiada. O comportamento do mercado no começo de junho confirma a continuação da tendência de alta nos preços do robusta.

Em 11 de junho, os preços do robusta atingiram 94,83 centavos de dólar por libra (US$ 125,45/sc), enquanto o indicador composto da OIC de preços foi de 107,93 centavos de dólar por libra (US$ 142,77/sc). O gráfico 1 mostra as mudanças no indicador composto diário de preços da OIC desde 2 de maio de 2006. Os gráficos 2 a 5 mostram as mudanças no indicador diário de preços para os quatro grupos de café desde 1 de março de 2007.

Figura 1

Clique na tabela para visualizá-la melhor.

Gráfico 1 - Indicador composto diário da OIC - 2 de maio/06 a 11 de junho/07

Figura 2

Gráfico 2: Indicador diário para suaves colombianos - 1 de março a 31 de maio de 2007

Figura 3

Gráfico 3: Indicador diário para outros suaves - 1 de março a 31 de maio de 2007

Figura 4

Gráfico 4: Indicador diário para naturais brasileiros - 1 de março a 31 de maio de 2007

Figura 5

Gráfico 5: Indicador diário para robustas - 1 de março a 31 de maio de 2007

Figura 6

Fundamentos do mercado

Os fundamentos do mercado continuam sendo favoráveis a um mercado firme. A produção total para a safra de 2006/07 está confirmada em um nível de 121,5 milhões de sacas (Tabela 2). A safra de 2007/08 apenas começou no Brasil e as autoridades brasileiras anunciaram um nível de produção de cerca de 32 milhões de sacas, representando uma queda de 25% com relação à produção na safra de 2006/07.

O governo brasileiro tem se responsabilizado por garantir um preço de referência de R$ 300,00 (cerca de US$ 154) por saca de 60 quilos para vendas de 5 milhões de sacas de café. Em outras palavras, se o preço de venda for de menos de R$ 300,00, o governo pagará a diferença ao produtor com o objetivo de garantir que este receba o preço de referência.

A Colômbia, onde a produção total na safra de 2007/08 deverá aumentar levemente, também tem se comprometido a pagar aos produtores uma compensação de 10 mil pesos (US$ 5,20) para cada lote de 125 quilos (US$ 2,53/sc) de café vendido a menos de 386 mil pesos (US$ 200,60) e uma compensação de 20 mil pesos (US$ 5,07/sc) se o lote for vendido a menos de 376 mil pesos (US$ 195,40).

A produção do Vietnã na safra de 2007/08 não será maior do que o nível atingido na safra de 2006/07 apesar de os problemas relacionados à baixa qualidade poder afetar as exportações.

Elaboração CaféPoint, com dados da OIC.
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