Manejo e insumos utilizados na cafeicultura orgânica
Dentre as várias técnicas de cultivo do café, o cultivo orgânico é uma prática que busca a maximização do equilíbrio entre ambiente, sociedade e economia. O CaféPoint recebeu nas últimas semanas muitas e interessantes contribuições no <U>Fórum Técnico</U> sobre o <U>manejo e insumos utilizados na cafeicultura orgânica</U>. Preparamos uma compilação dos pontos principais debatidos nesse fórum. Boa leitura!
Publicado por: CaféPoint
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Segundo Fernando Sordi Taveira, eng. agrônomo de Franca, SP, produzir organicamente representa um desafio estimulante e a certeza de que temos muito a aprender com a natureza. Uma das dificuldades enfrentadas é o controle de formigas cortadeiras - principalmente no final da seca - que atacam as folhas de café.
O manejo das cortadeiras pode ser um tanto complicado, de acordo com Eduardo Trevisan Gonçalves, eng. agrônomo e consultor da Imaflora, já que são insetos sociais e possuem um alto nível de organização e instinto de sobrevivência.
Na época seca, geralmente, a quantidade de matéria orgânica (M.O.) no solo é limitada, principalmente nas propriedades onde esteja ocorrendo a conversão do sistema convencional para o orgânico. Pode este, ser um fator para a preferência das formigas pelo café, de acordo com Eduardo Gonçalves. A baixa concentração de M.O. no solo é influenciada pelas condições climáticas brasileiras, segundo ele, pois estas estimulam a rápida mineralização. A adubação química, neste caso, pode ser uma aliada para aumentar a quantidade disponível inicialmente.
Um erro comum cometido por muitos produtores é a abdicação total da adubação química, quando deseja-se converter ao orgânico, porém, trata-se de algo que não deve ser feito, segundo Fernando Taveira e de Fábio L. M. Neto, que obtiveram quedas significativas em suas produtividades.
A redução da adubação química deve ser feita proporcionalmente à medida que se consegue aumentar, sem prejuízos ao sistema, a quantidade de adubos orgânicos. Já a eliminação total de herbicidas, é prática recomendada por Fernando Taveira. Ele comenta que o grande segredo no aumento da fertilidade dos solos não se limita simplesmente em aplicar grandes quantidades de esterco ou compostos, mas sim, em conseguir "segurá-los" no sistema. Cita por exemplo, o uso de turfa e compostos como opção à adubação nitrogenada e potássica. Ressalta também sua preferência ao uso da mistura de torta de mamona com húmus.
Fábio Neto, técnico em desenvolvimento rural da Empresa Baiana de Desenvolvimento Agrícola (EBDA), utilizou em sua propriedade compostagem de esterco, palha de café e material vegetal roçado, além de calcário e pulverizações com biofertilizantes a cada 45 dias - estando o solo úmido - e fosfatos naturais.
Outras técnicas citadas por Fernando Taveira e Fábio Neto, como importantes estratégias para estruturarem e elevarem a fertilidade natural dos solos são: a adubação verde, a presença de árvores no sistema e o manejo do mato. Veja série de artigos sobre esse tema na seção "Manejo da lavoura".
A presença de árvores, aliada ao plantio de espécies atrativas às formigas, segundo Fábio Neto, promove um maior equilíbrio biodinâmico. Em situação vivida por ele, formigas que estavam situadas em capoeira próxima ao cafezal, atravessaram o mesmo e destruíram um pomar de citros com problemas de doenças. Ele acredita que possa ter existido relação entre a necessidade de renovação do pomar e a função ecológica das cortadeiras.
No entanto, a arborização deve ser bastante planejada, pois poderá provocar uma maior incidência do fungo causador da ferrugem. Além disso, se o cafezal estiver excessivamente sombreado, a produção poderá ser bastante reduzida devido a um baixo estímulo à emergência do botão floral, dependente de luminosidade, de acordo com Fábio Neto.
Outro desafio comum aos produtores de café é a ação do bicho-mineiro. Segundo Fábio Neto, para "controlar" (melhor seria "conviver com") o bicho-mineiro, existem várias formas: controle por comportamento, controle com extratos vegetais (inseticidas naturais), controle por biofertilizantes e caldas fitoprotetoras, controle cultural e controle biológico.
Em relação ao manejo cultural e controle biológico, Fábio Neto cita a tática da arborização, já que propicia um ambiente agrícola (ou agroecossistema) mais diversificado, promovendo um incremento maior de seres vivos e uma maior possibilidade de ocorrências de interações entre os organismos. Estas interações poderão promover, segundo ele, um controle biológico das larvas do bicho-mineiro através de: predadores, como as vespas ou marimbondos; parasitas, como os micro-himenópteros (pequenas vespas, quase invisíveis); e patógenos, principalmente fungos, mas também bactérias, que prejudicam as larvas.
Mas não só a arborização promove este efeito, de acordo com Fábio Neto, como também a preservação de matas remanescentes, a recuperação de matas degradadas, o estabelecimento de corredores biológicos entre os talhões, quebra-ventos e até mesmo o manejo do mato. Deve-se, portanto, partir do princípio fundamental de se perguntar quais as condições tais que favorecem o crescimento populacional do bicho-mineiro para que o mesmo venha a se tornar uma praga na lavoura. O começo da resposta está em altas temperaturas, poucas chuvas, lavouras mais arejadas e ausência de inimigos naturais. Assim, cada produtor olhará sua propriedade e/ou talhão, analisará estes fatores e decidirá o que fazer.
Rodrigo Cascalles, Equipe CaféPoint
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