Um intensivo para tirar o café perfeito - 'The New York Times'
Jornalista do tradicional jornal norte americano relata sua experiência com baristas de alto nível e aprende a complexa arte dos grandes baristas.
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Jornalista do tradicional jornal norte americano relata sua experiência com baristas de alto nível e aprende a complexa arte dos grandes baristas.
As razões são econômicas, claro - vender o cafezinho na xícara tem mais valor agregado do que os grãos em sacas. Mas a justificativa ganha sempre um gole de saudosismo. Fato é que, nos últimos anos, a cidade de São Paulo tem ganho uma leva de cafeterias cujo forte é a bebida obtida com grãos plantados em fazenda própria. Ou seja: famílias produtoras de café viraram marca e abriram suas lojas na capital paulista.
"Veja como o amargor do queijo se intensifica com o Dulsão do Brasil, e o lácteo do doce de leite ressalta o mel e o malte", explica Vitor Gabira sobre a tradicional dobradinha mineira associada ao espresso que "brota" da cápsula dourada da Nespresso. A dose é feita com o predomínio do bourbon amarelo cultivado em terras altas de fazendas do chamado cluster Vale da Grama, na divisa entre São Paulo e Minas Gerais.
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A marca está lançando edição especial do café com embalagem personalizada em respeito ao trabalho de soldados e cafeicultores do país.
Curador do projeto Illy Art Collection e diretor da Universidade do Café Illy explicam a importância de todos os fatores que constituem o design de uma xícara de café.
Neste mês, dois cafés com características sensoriais arrojadas, distintas das associadas aos grãos brasileiros, chegam ao mercado para tirar as línguas do marasmo. Elas têm em comum dois tipos de acidez: a láctica e a fosfórica -essa última, inédita na bebida nacional. A primeira deixa a boca macia, aveludada; a segunda, agradavelmente viscosa.
O consultor de qualidade em café, Ensei Neto, explica a grande diferença entre grãos de cafés em que se manteve a qualidade em seus processos de colheita e pós-colheita e aqueles que passaram por menor sorte, sob a ótica da saúde. Café dá gastrite? Se for um café 'Rio', 'Riozona ou 'Riado', representantes dos piores graos 'na praça' e comumente ofertados no mercado interno, sim.
Em degustações a cegas, especialistas avaliam as dez marcas de café mais vendidas em três supermercados de São Paulo, apontam as melhores e as piores, e dão dicas sobre como avaliar a qualidade da bebida. Para o júri, baixa qualidade e amargor acentuado caracterizam nosso cafezinho de cada dia.
Uma xícara de leite cremoso com um espresso bem tirado, em proporções adequadas, é a fórmula básica do cappuccino, bebida de origem italiana que agrada àqueles que veem na combinação de leite e café um casamento feliz. Com ingredientes de qualidade, o cappuccino se torna, na xícara, "uma macia perfeição", como descreve o barista italiano Giacomo Vannelli, um especialista apaixonado por esta bebida. "O cappuccino é macio porque o leite cremoso o torna aveludado, e perfeito porque une dois elementos completos, o espresso e o leite", teoriza ele.
Um bom "Blend" deve começar por um bom café de base, ou seja, aquele que será utilizado em maior escala e que, devido à sua estrutura sensorial, permite ressaltar características dos cafés de outras origens. A ele normalmente é combinado uma origem que servirá para se ajustar a acidez final da bebida e uma outra que dará, digamos, o toque final de aroma e sabor que distinguirá esse novo "blend" de outros. O café brasileiro, devido à sua característica geral neutra, principalmente no caso de qualidade mediana, com baixa acidez inclusive, é o café mais empregado como essa base. Lembre-se, grandes carros possuem excelentes chassis, e essa regra se repete na indústria do café. O café da Colômbia ou do Kenya são os mais empregados para o ajuste de acidez. Os cafés da América Central e africanos como os da Ethiopia são cafés para o toque de finalização.
Ultimamente as semelhanças entre café e vinho têm sido cada vez mais enfatizadas, principalmente após o surgimento do conceito dos cafés especiais. No entanto, existem diferenças muito grandes entre estas duas bebidas como a evolução e sofisticação que o mercado dos vinhos já atingiu, equivalendo a uma homérica distância de aproximadamente 20 anos à frente do mercado de café, e o seu serviço. O ponto de torra é tão importante na avaliação sensorial e, também, no serviço ao consumidor, que foram desenvolvidos equipamentos de avaliação da coloração da torra que funcionam baseados no princípio de reflexão de feixes de luz incidentes no café. Há uma grande arte no processo de torra, onde verdadeiros artesãos podem extrair notas de aroma e sabor inusitados, propiciando num correto serviço uma grande experiência sensorial ao consumidor.