O aquecimento global e os cafés do Himalaia
Gustavo Paiva escreve sobre o alerta global em relação às mudanças do mapa do café diante do clima em transformação
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Gustavo Paiva escreve sobre o alerta global em relação às mudanças do mapa do café diante do clima em transformação
Realizado pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil, evento apresenta potencial e oportunidades do setor, assim como cenários atual e futuro
Soluções tecnológicas de descarbonização incluem também está ligada à bioenergia e têm potencial para serem mais efetivas que soluções de reflorestamento
Um estudo recente mostrou que cerca de 60% das espécies de café selvagem estão atualmente em risco de extinção
A pesquisa revelou que os rendimentos caíram em 137 quilos de café por hectare para cada 1ºC de aumento nas temperaturas mínimas diárias.
Dados da segunda parte do quinto relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas da ONU (IPCC, na sigla em inglês), divulgada neste domingo (30), revelam que o aumento da temperatura média global pode reduzir as áreas destinadas ao cultivo do grão, especialmente o da variação arábica, que responde por 70% da demanda global.
Atualmente, o café do Brasil é influenciado por fenômenos climáticos naturais como El Niño e La Niña. São com estes fenômenos que devemos nos preocupar. Qualquer mudança climática global não influenciará a produtividade do café deste ano, ou do próximo, nem de 2015.
O professor doutor Luiz Carlos Molion, PhD em Meteorologia, fez uma palestra polêmica e bem humorada, durante a Fenicafé 2009, com o tema: Aquecimento global: mitos e verdades. Quais os efeitos para a agricultura? Para ele, o aquecimento global é totalmente questionável, e amparado em "imbecilidades". Questionou a quem interessa esse alarmismo e indicou que, em sua opinião, a tendência é de que os próximos 20 anos sejam de esfriamento no globo.
A produção do setor agropecuário brasileiro vai continuar subindo, independentemente de a temperatura global aumentar ou diminuir. Essa previsão foi apresentada pelo assessor técnico da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Nelson Ananias Filho, em audiência promovida pela Comissão de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural da Câmara dos Deputados na terça-feira.
O aumento da temperatura nem sempre tem a ver com o aquecimento global. Existem ciclos naturais em que a temperatura dos Oceanos aumenta ou diminui. No Oceano Pacífico as mudanças da temperatura recebem o nome de El Niño (aquecimento) ou La Niña (resfriamento).
Os preços do café robusta avançaram nos últimos dias no físico brasileiro. Segundo colaboradores do Cepea, a procura esteve um pouco mais aquecida. Como parte dos vendedores ainda está retraída, compradores com maior necessidade de aquisição acabam pagando preços maiores para fechar novos negócios.
O trabalho de melhoramento genético do Instituto Agronômico de Campinas (IAC-APTA) sempre objetivou a adaptação de culturas a regiões adversas, com situações de clima e solo bem diferentes das existentes nas localidades de origem das plantas. Desde o início das pesquisas no IAC, fosse por questões de relevo, temperatura, regime de chuvas ou fitossanidade, a pesquisa agronômica investigou e gerou tecnologias que fizeram da agricultura o que é hoje.
O que durante algum tempo era chamado de lobby apocalíptico motivado por interesses de ambientalistas, hoje repousa em dados científicos bastante consistentes. Um tema dessa envergadura ultrapassa as barreiras de determinada atividade econômica, afetando a todos os humanos em alguma medida. No entanto, a agricultura, por depender diretamente do clima para sua prosperidade, deverá ser especialmente afetada.
No segundo dia da feira de Três Pontas (MG), palestras embasadas por pesquisas científicas destacaram estratégias para aumentar a resiliência do cafeeiro, mitigar pragas e reduzir emissões de carbono, em meio aos efeitos do aquecimento global
Nos últimos anos, a produção de café despencou na Colômbia e em muitas outras regiões produtoras de café da América Latina. O aumento das temperaturas e as chuvas mais intensas e imprevisíveis são os culpados, fenômenos que muitos cientistas ligam parcialmente ao aquecimento global.
A possível elevação das temperaturas afetaria naturalmente as regiões produtoras de café, mas talvez uma migração para outras áreas ou estados não ocorresse tão dramaticamente. A saída seria o investimento do setor privado e governo em pesquisas, novas tecnologias e métodos de cultivo que fizessem frente a estas alterações no clima. Assim, o café sofreria menores mudanças na sua atual geografia.
O aquecimento global é inegável, mas não tão forte ou danoso que justifique aplicar cortes radicais nas emissões de carbono, pois essa política prejudicaria principalmente países e populações mais pobres. Esse foi o foco principal das análises apresentadas ontem (29), em São Paulo, por duas autoridades mundiais na área de mudanças climáticas: Bjorn Lomborg, cientista político dinamarquês, e o climatologista norte-americano Patrick Michaels, membro sênior de estudos ambientais do <i>Cato Institute</i>.
O descontrole das chuvas e a elevação da temperatura, como consequência do aquecimento global, aumentam a necessidade da rápida adoção de políticas voltadas para a água. A advertência foi feita pelo secretário-adjunto da Agricultura de Minas Gerais, Paulo Romano, ao participar dos debates sobre Avanços e Desafios na Política de Água, dentro da programação do 8º Fórum das Águas de Minas Gerais.
Preocupado com os impactos que o aquecimento global pode trazer à cafeicultura brasileira, o CNC (Conselho Nacional do Café) organizará palestra com o chefe geral da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad, e com o coordenador de Projetos de Meteorologia da Unicamp, prof. dr. Hilton Silveira Pinto, no dia 14 de outubro, às 10h, no auditório da Minasul, em Varginha/MG.
O pesquisador e coordenador de estudos sobre mudanças climáticas da Embrapa Informática Agropecuária, Eduardo Delgado Assad, realizou palestra no dia 28 de fevereiro na Conferência Mundial do Café, realizada no último fim de semana na cidade da Guatemala. O tema da palestra de Assad foi Mudanças Climáticas e Produção de Café: vulnerabilidade e possível adaptação.
Um dos destaques da Conferência Internacional sobre Gestão de Riscos e Crise no Seguro Agropecuário, em Madri, Espanha, de 15 a 17 de março foi a preocupação com as mudanças climáticas e seu efeito nas atividades rurais. "Também por isso, o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc) merece reconhecimento. Trata-se de uma política pública, inédita em escala mundial, desenvolvida no Brasil para que os produtores tenham informações que permitam minimizar os riscos de perdas ocasionadas por eventos climáticos adversos, observa o diretor do Departamento de Gestão de Risco Rural, Welington Almeida.
A utilização de técnicas de manejo podem reduzir as conseqüências do aquecimento global e o aumento do consumo de água nas regiões de altas temperaturas, como o Norte e Nordeste do Brasil. Além disso, novas técnicas para irrigação, como o sistema por gotejamento ou a ferti-irrigação (irrigar com fertilizante), proporcionam economia e aumentam a produtividade.
Chuvas devem se intensificar em todo o planeta como resultado da mudança climática, prevêem cientistas americanos e britânicos em um estudo divulgado nesta quinta-feira (7) pela revista "Science". "A atmosfera mais quente contém maiores níveis de umidade, que aumentam a intensidade das chuvas", explica Brian Soden, professor da Escola de Ciências Marinhas e Atmosféricas da Universidade de Miami.
O Brasil corre o risco de ter suas safras de café fortemente reduzidas, por conta do aquecimento global, nos próximos 50 a 100 anos. Uma elevação de três graus Celsius na temperatura resultaria em uma redução de 60 por cento na área ocupada por plantações de café arábica.