O tortuoso caminho entre a carteira do consumidor e o cafezal
Embora os norte-americanos gastem cada vez mais em suas visitas às cafeterias e supermercados, o consumo de café no país está em queda. Por Bruno Varella Miranda.
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Embora os norte-americanos gastem cada vez mais em suas visitas às cafeterias e supermercados, o consumo de café no país está em queda. Por Bruno Varella Miranda.
Por Bruno Varella Miranda, mestre em Administração pela USP e doutorando em Economia Agrícola pela Universidade de Missouri - Columbia.
"Para Hafers, estar presente e tirar conclusões próprias era fundamental. Não por acaso, enxergou potencialidades em cada um dos diversos rincões do Brasil. Em cada conversa, sublinhava o orgulho de ser um produtor rural". Por Bruno Varella Miranda.
"Os "interesses da economia" no interior da União Europeia são complexos. Diante de preferências conflitantes, grupos bem organizados costumam levar vantagem e impor sua visão de mundo". Por Bruno Varella Miranda, mestre em Administração pela USP e doutorando em Economia Agrícola pela Universidade de Missouri - Columbia.
Diante do aumento do interesse pelos cafés especiais, precisamos refletir sobre o posicionamento da cafeicultura brasileira. Por Bruno Varella Miranda, mestre em Administração pela USP e doutor em Economia Aplicada pela Universidade de Missouri - Columbia.
Com a progressiva conscientização dos consumidores, um fenômeno interessante tem ocorrido nos Estados Unidos: a proliferação de negócios dedicados a vender "comida saudável". Por Bruno Varella Miranda, mestre em Administração pela USP e doutorando em Economia Agrícola pela Universidade de Missouri - Columbia.
O forte declínio das cotações do café arábica que se iniciou entre setembro e outubro de 2011, alcançando a mais intensa depreciação em junho de 2012, quando as cotações se aproximaram dos R$365,00/sc. para cafés finos, deixou todos que de alguma forma participam desse mercado completamente atônitos. Creditar, exclusivamente, à crise financeira a baixa nas cotações não parece posicionamento acertado, tendo em conta que os reflexos sobre o consumo da bebida não foram na mesma intensidade com que atingiram outros itens de consumo. Ademais, não se percebe qualquer notícia de recomposição de estoques mesmo tendo em conta a safra de alta brasileira e a formidável safra vietnamita.
Em um planeta viciado em combustíveis fósseis, é evidente que qualquer transformação brusca nesse mercado possua um potencial altamente desestabilizador. Por Bruno Varella Miranda.
O resultado global da expansão da oferta de cafés certificados no mundo foi explosivo. Em 2013, levantamento efetuado por importante trader brasileiro do segmento, contabilizou mais de 40 milhões de sacas de café verificado apenas para o 4C.
O avanço da mecanização da colheita na cafeicultura brasileira tem sido aspecto de maior destaque no rol de tecnologias e inovações que são aplicadas aos sistemas de produção. Fatores como o encarecimento do emprego de mão de obra braçal nas lavouras, refletindo a política pública de recuperar o poder de compra do salário mínimo, induzem os cafeicultores à busca de alternativas para baratear as etapas do manejo em que é intensa a alocação de mão de obra, especialmente, na colheita.
A questão da qualidade do café oferecido à população brasileira pela parcela majoritária da torrefação nacional, constitui-se em problema que mais tem exigido da inteligência e vontade das lideranças públicas e privadas do agronegócio café. Esse tema voltou a cena após a publicação e revogação da Instrução Normativa 16 do Ministério de Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA)<sup>1</sup>.
A imprensa especializada em café noticiou o interesse dos administradores da Bolsa de Nova Iorque em aceitar a origem brasileira para as entregas dos Contratos C negociados por aquela praça. Como já é de amplo conhecimento, saudei essa notícia como a mais relevante para a corrente safra brasileira. Ademais, procurei suscitar as lideranças do agronegócio café em se empenhar por constituir imediatamente lobby, para junto à bolsa, fornecer as informações e estudos necessários e, paralelamente, se interpor a qualquer espécie de oposição que a iniciativa possa reunir. Cafeicultores, o mérito é todo de vocês, saúdem-se com retumbantes vivas!!!
Diversos fatores explicativos compõem o rol de causas do ciclo econômico. A tendência progressiva para concentração e centralização do capital (constituição de oligopólios e conglomerados), restringe a possibilidade de formação dos preços sob livre concorrência, desajustando todo o tecido econômico. A experimentação de novas combinações para a satisfação do ímpeto de acumulação também contribui decisivamente para a irrupção das crises.
O ciclo de ascensão das cotações das principais matérias-primas básicas não foi muito generoso com o café, que, ao contrário, desde 2005 não exibe cotações que permitam captura de margem por parte dos produtores. O longo período de valorização do real explica parte desse andar de lado, mas outra parte é que o produto não sustentou elevadas cotações e, desde o segundo semestre de 2005, ficou com preços praticamente estáveis em reais.
Entre todas as frases ditas por Jobs, talvez a que mais chamou a atenção é a seguinte: o consumidor não sabe o que quer, até o momento em que você mostre algo novo a ele. Essa conclusão é importante, pois leva a refletir sobre o que garante o êxito de um determinado produto no mercado.
Os lepidópteros são pragas bem conhecidas pelos agricultores. Entre os cafeicultores o <i>Leucoptera coffeella</i> (bicho mineiro) é a mariposa que mais dilapida as colheitas brasileiras de norte a sul. Assim, ter os lepidópteros como título do artigo de conjuntura do mercado de café algo perfeitamente plausível.
A polêmica parece interminável. Mais uma vez, o impasse venceu e a questão do Código Florestal segue sem solução. Se já não bastassem os desacordos de ordem técnica, os arranjos políticos também contribuem para dificultá-la. Talvez esse seja o melhor desfecho no momento: um tema tão delicado, afinal, merece mais debate.
Com certa frequência, o agronegócio, diante de dificuldades objetivas - valorização da taxa de câmbio, os elevados juros, o descompasso de preço dos insumos e do produto final, o alto custo logístico, e as pressões comerciais dos importadores - encontra na renegociação das dívidas a única alternativa para a sua continuidade. Porém, do ponto de vista das políticas públicas deve-se decidir qual aplicação do recurso tem maior retorno social: na renegociação das dívidas ou nos investimentos em logística? Na subvenção ao seguro rural? Na subvenção ao crédito agrícola?
Em meio ao mais violento colapso financeiro global que, a cada dia dilapida mais um bocadinho o tesouro público brasileiro, as lideranças dos cafeicultores não se dão por satisfeitos com a substancial majoração dos preços mínimos. A cafeicultura carece ser abatida por uma tsunami de destruição criadora, visando desmantelar as colunas do atraso, concedendo luz para o refulgir das formidáveis inovações e das práticas gerenciais modernas que a criatividade humana é capaz de imaginar e pôr a funcionar.
Estatisticamente, pode-se comprovar que as cotações mais favoráveis aos cafeicultores ocorrem entre os meses de dezembro do ano anterior e março do ano corrente, uma vez que, nessa época, ocorre a entressafra brasileira. Se assim é, pergunta-se: de onde e como, por meio da análise fundamental, explicar tamanha baixa nas cotações observada no último mês?
A popularização da Internet nos garante uma quantidade considerável de informação diariamente. Com apenas um comando, somos capazes de ler notícias publicadas pelos mais diversos jornais, conhecer a opinião de famosos e anônimos acerca de temas variados.
Para nós, brasileiros: não adianta investirmos apenas em qualidade. Indo além, é necessário estruturarmos uma imagem positiva do café brasileiro. Colher os melhores grãos é apenas parte de um processo, que deve se preocupar também com a entrega de uma versão acabada do produto. Por uma série de razões, temos falhado em explorar essas peculiaridades da cognição humana, transformando o café brasileiro em um objeto de desejo visual.
As cotações do café arábica começaram a semana registrando pequenas valorizações nesta segunda-feira (27). Na bolsa de Nova York o vencimento julho/11 teve valorização de 115 pontos, fechando a 250,15 centavos de dólar por libra-peso. No mercado interno a saca de 60 quilos do café arábica foi cotada a R$ 503,40, com valorização de R$ 1,43 segundo o indicador Cepea/Esalq. Negócios seguem lentos no mercado interno com produtores a espera de novas altas.
A Federação dos Cafeicultores do Cerrado solicitou à diretoria da SCAA - Associação Americana de Cafés Especiais, que o Brasil seja o <i>sponsor</i> (patrocinador oficial) da Feira de 2011, a ser realizada em Houston, no estado do Texas. O pedido foi analisado e aceito, já que o país, que é o maior produtor e segundo maior consumidor de café do mundo.